“Com o anúncio do show em dezembro em Campo Grande, tivemos uma procura maior ainda, com pessoas querendo itens da banda para usar no dia, além da busca por produtos temáticos com inspiração na nossa cultura regional, como camisetas”, afirma Enrique.
Para ele, o impacto vai além do comércio especializado. O músico acredita que o evento deve movimentar toda uma cadeia produtiva. “São impactados os setores de comércio de itens relacionados, além de serviços como hotelaria e alimentação, pela quantidade de pessoas de fora que acompanham a banda e virão para a cidade. Isso prova a força do rock como cadeia produtiva na economia, muito além do aspecto cultural”, destaca.
Diante da alta expectativa de público, a cidade também se prepara na área de infraestrutura. Novos acessos ao Autódromo estão sendo criados às margens da BR-262. A ampliação, com três novos pontos, eleva para cinco as áreas de entrada e saída do público. Paralelamente, a Polícia Rodoviária Federal adotará medidas de segurança, como a restrição do tráfego de carretas bitrem no dia do evento, com o objetivo de reduzir congestionamentos e evitar acidentes.
Nesse contexto de organização e logística, surgem também novas soluções para o público. Para Glédson Damacena, produtor de eventos e dono da Augusta Rock Store, a segurança é essencial para garantir uma experiência positiva. Foi a partir dessa demanda que surgiu a proposta de transporte por ônibus, que já conta com mais de 1.200 passageiros confirmados.
“A ideia surgiu da necessidade de oferecer um transporte seguro para esse público, que vai pegar estrada. Assim, as pessoas podem se divertir com mais tranquilidade. Temos ônibus saindo de Dourados, passando por outras regiões, e, em Campo Grande, a demanda só não é maior porque não há mais veículos disponíveis”, explica. Segundo a organização, cerca de 70% do público virá de fora do município.
Além do impacto imediato, a iniciativa também aponta para oportunidades futuras. Glédson vê no evento um potencial de consolidação do turismo musical na região. “Se surgirem mais atrações como essa, vamos continuar oferecendo esse tipo de serviço. Já atuamos como agência de turismo para eventos e realizamos excursões todos os anos para o João Rock. Dessa vez, o Guns vindo para Campo Grande torna tudo ainda mais histórico”, avalia.
Momento histórico
Na avaliação do analista-técnico do Sebrae/MS, Carlos Henrique Oliveira, que também integra bandas como Whisky de Segunda e Brown Dino, o momento representa uma oportunidade estratégica para a economia local. Segundo ele, a circulação de visitantes deve impulsionar diversos segmentos.
“Temos pessoas vindo de todo o Brasil e também da América do Sul, que aproveitam a oportunidade para conhecer Campo Grande. Isso estimula a economia local, especialmente bares, restaurantes e hotéis, já que muitos visitantes permanecem na cidade além do dia do show”, afirma.
Sob a perspectiva cultural, ele destaca que o evento projeta a cidade em um novo patamar. “Campo Grande passa a integrar uma vitrine internacional. Isso mostra que o município e o Estado têm capacidade de receber eventos desse porte, abrindo espaço para outros festivais e atrações internacionais. Também reforça que, além da tradição como ‘capital do sertanejo’, há espaço para outros estilos musicais, validando a diversidade da cena local”, finaliza.


