Os preços da soja no Brasil continuam sustentados por prêmios firmes no mercado internacional, segundo análise da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema), referente ao período de 25 a 31 de julho. A entidade destacou que a atual valorização se deve à redução da presença dos Estados Unidos no mercado chinês, o que abre espaço para o produto brasileiro e sustenta os valores pagos ao produtor no país.
Em outro destaque do relatório, a Ceema apontou uma movimentação atípica no mercado internacional. A Índia adquiriu 150 mil toneladas de óleo de soja da China, um volume considerado raro, dada a tradicional preferência indiana por óleo de palma e outras fontes. A decisão se deu pelo excesso de oferta do produto no mercado chinês, que passou a ser vendido com desconto entre US$ 15,00 e US$ 20,00 por tonelada em relação aos preços do Brasil e da Argentina. Segundo o boletim, “as moageiras chinesas compraram muita soja enquanto a demanda interna freou”, o que resultou também em excedente de farelo.
A Ceema acrescenta que, para a Índia, a compra do produto chinês reduz custos logísticos. Enquanto os embarques da América do Sul demoram mais de seis semanas para chegar ao país asiático, os da China levam entre duas e três semanas.
Apesar da sustentação dos preços no mercado doméstico, o relatório indica que os valores atuais ainda estão, em boa parte do Brasil, abaixo dos praticados no mesmo período de 2024. Naquele ano, a média gaúcha no fim de julho era de R$ 122,78 por saca, e nas principais praças, o valor chegava a R$ 124,00. No restante do país, os preços oscilavam entre R$ 118,00 e R$ 128,00 por saca.


