Importadores do Oriente Médio já estudam rotas alternativas para garantir o recebimento de carnes brasileira diante da escalada das tensões no Oriente Médio e do fechamento do Estreito de Ormuz.
O frete marítimo encareceu diante da alta nos prêmios de seguro cobrados de navios que precisam atravessar áreas classificadas como de risco, além de já haver relatos de atrasos nas entregas.
Segundo avaliação da (CCAB) Câmara de Comércio Árabe Brasileira, as cargas que transportam carnes que estavam em trânsito podem sofrer redirecionamentos ou até adiamentos, a depender da evolução do cenário geopolítico.
O setor já planeja que as mercadorias podem ser redirecionadas para portos fora da área mais crítica do Golfo, incluindo terminais localizados no Golfo de Omã, ou seguir por rotas que utilizem o Canal de Suez.
Em alguns casos, a alternativa é desembarcar a carga em países vizinhos e completar o trajeto por via terrestre até o destino final.
A CEO da Agrifatto, Lygia Pimentel, destacou que o aumento dos custos logísticos é hoje um dos principais entraves para o setor de carnes. Segundo ela, os fretes marítimos ficaram mais caros com a elevação dos seguros das embarcações, movimento que impacta diretamente as margens das exportadoras brasileiras.
O secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Mohamad Orra Mourad, ainda esclarece que demanda por proteínas deve permanecer firme e que os países vão seguir importando proteína do Brasil.
Além disso, o setor registrava uma intensificação de embarques no fim de 2025 em esforço de formação de estoques para a data festiva do Ramadã, mas também um reflexo da normalização do comércio neste momento pós tarifaço.
“As proteínas são consideradas itens essenciais e, neste período do ano, os países islâmicos ampliam as compras em função do Ramadã, quando há maior consumo de alimentos após o pôr do sol”, informou à CNN Brasil.
Em entrevista ao CNN Money, o especialista em agronegócio e professor do Insper Agro Marcos Jank, os efeitos da escalada dos conflitos não se restringem ao Irã, mas atingem também países que mantêm forte relação comercial com o Brasil, como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos.
Segundo ele, os impactos ainda não são imediatos, mas podem se tornar mais relevantes caso a instabilidade se prolongue, especialmente para o setor de carnes, que depende diretamente da fluidez logística e da estabilidade dos mercados da região.
Os países árabes vêm ampliando os investimentos na produção própria de proteína animal, movimento que tem impulsionado as exportações brasileiras de insumos estratégicos para essa cadeia.
O secretário ainda destaca que muitos países do Golfo operam com estoques reguladores para garantir o abastecimento interno e manter sua atividade de reexportação, o que ajuda a evitar uma interrupção abrupta no comércio.


