agronegócio
Verruck alerta que tarifa chinesa sobre a carne bovina impacta toda cadeia em Mato Grosso do Sul
A decisão da China de impor uma tarifa adicional de 55% sobre a carne bovina importada acima das cotas por país traz impactos diretos para o Brasil e, de forma muito concreta, para Mato Grosso do Sul, um dos principais polos pecuários e exportadores do país.
O secretário da Semadesc, Jaime Verruck, comentou nas redes sociais o impacto da decisão. “O Estado tem papel estratégico na cadeia da carne bovina, com planta frigorífica habilitada para o mercado chinês, elevada produtividade e forte integração com o comércio exterior. Qualquer restrição adicional ao acesso ao principal destino das exportações brasileiras afeta não apenas o volume exportado, mas também preços, investimentos, renda e empregos ao longo da cadeia produtiva”, disse Verruck em uma publicação no Linkedin.
O que muda no cenário para MS?
- Maior pressão sobre a competitividade da carne sul-mato-grossense no mercado chinês
- Necessidade de gestão rigorosa das cotas e do fluxo de exportação
- Reforço à estratégia de diversificação de mercados internacionais
- Importância da diplomacia comercial e da atuação coordenada entre governo, setor produtivo e indústria Em um ambiente global cada vez mais marcado por medidas protecionistas e disputas comerciais, Mato Grosso do Sul precisa continuar apostando em sanidade animal, rastreabilidade, sustentabilidade, eficiência logística e segurança jurídica como diferenciais competitivos.
Na publicação o titular da Sermadesc diz ainda que o momento exige estratégia, diálogo e inteligência comercial, para preservar mercados, abrir novas oportunidades e garantir previsibilidade ao setor que é pilar da economia estadual. “Essa medida a rigor estabelece um teto para exportação. Temos que buscar novos mercados, a estimativa é de perda de três bilhões de dólares em exportação para china, esse é vó tamanho do esforço para busca de novos mercados, ou teremos uma pressão negativa de preços no mercado interno. Nos preocupa o tempo de ajuste entre a oferta e a queda de demanda pela china, decorrente da tarifa adicional e cota”, comentou.
Cota
Segundo o Ministério do Comércio chinês, a cota total de importações em 2026 será de 2,7 milhões de toneladas — volume inferior ao registrado nos primeiros 11 meses de 2025 e abaixo do recorde histórico de 2,87 milhões de toneladas compradas em 2024. A expectativa é de que esse teto aumente gradualmente nos anos seguintes.
O Brasil terá a maior fatia da cota em 2026, com 1,1 milhão de toneladas autorizadas. No entanto, o número representa uma queda de 27% em relação ao volume exportado ao país asiático até novembro de 2025, que somou 1,52 milhão de toneladas, conforme dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec)
Além das cotas, o governo chinês introduziu uma tarifa adicional de 55% sobre qualquer volume que ultrapasse os limites estabelecidos. A sobretaxa afetará especialmente países da América Latina — incluindo Brasil, Argentina e Uruguai — e também outros grandes exportadores como Austrália e Estados Unidos.
Outros países latino-americanos sofrerão restrições importantes: a Argentina deverá ter uma cota equivalente à metade da brasileira, enquanto o Uruguai poderá exportar até 324 mil toneladas. A divisão por país ainda pode ser ajustada nos anos seguintes, conforme a demanda e acordos bilaterais. A medida chinesa também coloca em debate a dependência do Brasil em relação ao mercado chinês.

