segunda-feira, 2 março 2026
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Tarifa de 25% de Trump a países que negociarem com Irã vai afetar agro de Mato Grosso do Sul

O anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impondo, com efeitos imediatos, uma tarifa de 25% sobre “qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã”, vai afetar as exportações de produtos do agro de Mato Grosso do Sul. Segundo Trump, estes países terão uma tarifa imediata sobre todas as transações comerciais realizadas com os Estados Unidos, incluindo o Brasil.

“Com efeito imediato, qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã pagará uma tarifa de 25% sobre todas as transações realizadas com os Estados Unidos da América”, anunciou Donald Trump em sua rede social.

-“Esta ordem é definitiva e irrecorrível”, acrescentou.

Exportações de Mato Grosso do Sul

Mato Grosso do Sul exporta, e muito, para o Irã, sendo o país um destino importante para produtos do agronegócio sul-mato-grossense, como milho, carne bovina e soja. O Irã, inclusive, tem sido o principal comprador de milho do estado em períodos recentes.  O milho é um dos destaques, com as exportações para o Irã apresentando um crescimento significativo recentemente, chegando a disparar 214% em volume ou valor em um determinado período de 2025.

Além do milho, a carne bovina e a soja também são exportadas para o mercado iraniano. O Irã é um dos principais parceiros comerciais do estado na região do Oriente Médio, embora o volume total do comércio com o país represente uma fatia modesta do total das exportações sul-mato-grossenses, que são lideradas por celulose e soja em geral. O Irã aparece na lista dos dez mais importantes parceiros comerciais do agronegócio estadual.

As vendas para os iranianos, principalmente de milho, soja e farelo de soja, cresceram 87,6% em 2025 na comparação com o ano anterior. Em 2024 as vendas para o país persa renderam US$ 91 milhões de dólares. No ano seguinte, US$ 171,8 milhões. Os dados são da carta da conjuntura do comércio exterior, divulgados pela Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semadesc).

Destino de 1,73% de tudo aquilo que o Estado exportou no ano passado, o Irã aparece em nono lugar entre os países que mais importaram produtos daqui. O crescimento é resultado de um acordo que o ministério da Agricultura firmou em 2024 com o Irã para facilitar os negócios entre os dois países.

Os Estados Unidos, por sua vez, foram responsáveis por 5,47% daquilo que as empresas daqui exportaram no ano passado. Por conta do tarifaço imposto ao Brasil por Donald Trump, as vendas para os norte-americanos recuaram 19% e renderam US$ 539,5 milhões. Em 2024, haviam rendido US$ 669,5 milhões.

Há um interesse manifestado pelo governo de Mato Grosso do Sul em ampliar ainda mais essa relação comercial, explorando alogística de Porto Murtinho para facilitar o escoamento dos produtos.

Importante parceiro comercial do Brasil

O Irã é um dos principais parceiros comerciais do Brasil no Oriente Médio. Em 2025, as exportações brasileiras com destino a Teerã ultrapassaram os US$ 2,9 bilhões, consolidando o país persa como o quinto maior destino das vendas nacionais na região, segundo dados do governo federal. À frente do Irã, estão Emirados Árabes Unidos, Egito, Turquia e Arábia Saudita.

Para efeito de comparação, as exportações brasileiras ao Irã superaram, no mesmo período, as destinadas à Suíça, África do Sul e Rússia. O agronegócio é o principal motor do comércio entre Brasil e Irã. Dos cinco principais produtos exportados ao país persa, quatro são do setor. A lista é liderada pelo milho, seguido pela soja, açúcares, farelos de soja para animais e petróleo. Os iranianos compraram mais de US$ 1,9 bilhão do milho brasileiro em 2025.

Em abril de 2024, o ministro da Agricultura do Irã esteve no Brasil e se reuniu com o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro. Na ocasião, os dois governos concordaram com a criação de um comitê agrícola e consultivo bilateral, com o objetivo de agilizar pautas de interesse comum e ampliar o intercâmbio técnico.

Durante a visita, o ministro iraniano também demonstrou interesse em instalar uma empresa de navegação do Irã no Brasil, medida que poderia facilitar a logística entre os dois países e impulsionar o comércio bilateral.

O governo brasileiro aguarda a publicação da ordem executiva de Donald Trump para se posicionar sobre a decisão de aplicar tarifas de 25% sobre países que realizarem comércio com o Irã. A informação foi dada pela Tatiana Prazeres, secretária do Comércio.

Segundo Prazeres, a notícia foi recebida pelo governo, que agora espera conhecer os detalhes e parâmetros da medida anunciada pelo governo americano. “Nós recebemos a notícia e vamos aguardar a publicação da ordem executiva que definirá os parâmetros dessa medida. O que eu tenho a dizer nesse momento é que vamos analisar a ordem executiva quando vier a ser publicada”, afirmou.

Imprevisibilidade no comércio internacional

A secretária destacou que a imprevisibilidade e a instabilidade são características marcantes da política comercial mundial nos últimos anos. “A imprevisibilidade, a instabilidade são palavras que marcam a política comercial mundo afora desde 2025 e em 2026 não será diferente”, ressaltou Prazeres.

Para ela, este cenário reforça a importância de acordos comerciais que ofereçam segurança e previsibilidade para empresas e empreendedores brasileiros. “Isso tudo reforça a nossa visão da importância de acordos comerciais que deem segurança, deem previsibilidade para o operador, que permitam que o empreendedor, a empresa brasileira, saiba, afinal de contas, quais os mercados em que ela pode buscar diversificar a sua produção, a sua exportação”, explicou.

A medida anunciada por Trump representa um desafio para o comércio exterior brasileiro, em um momento em que o país busca ampliar suas relações comerciais em diferentes mercados. Segundo a secretária, este é um cenário enfrentado não apenas pelo Brasil, mas por diversos países: “Esse é o grande desafio do comércio exterior, não só no Brasil, mas mundo afora, lidar com tanta incerteza e tanta imprevisibilidade”.

O anúncio da sobretaxação de 25% sobre países que mantêm relações comerciais com o Irã ocorre em um contexto de tensões geopolíticas crescentes e pode impactar diretamente a economia brasileira, dependendo dos termos específicos que serão definidos na ordem executiva.

Protestos

O anúncio de Trump surge no momento em que o regime de Teerã enfrenta uma das maiores ondas de protestos dos últimos anos. Neste domingo (11) e segunda-feira, Teerã registrou também atos pró-regime da República Islâmica e para criticar as manifestações violentas dos últimos dias.

Ontem, o presidente do Irã Masoud Pezeshkian afirmou que protestos pacíficos são tolerados no país, mas que os distúrbios recentes são provocados por “terroristas do estrangeiro”, para justificar uma invasão pelos EUA e por Israel.

Em resposta aos protestos, que já se estendem a todo o país, as autoridades iranianas têm respondido com força letal perante a população. Segundo organizações não-governamentais, há registro de pelo menos 600 mortes.

Nos últimos dias, o presidente estadunidense tem repetido ameaças de intervenção no Irã. Donald Trump afirmou que tem opções “muito fortes”, incluindo a via militar, e adiantou ainda que está em contacto com líderes da oposição iranianos.

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