A alta nos preços da celulose deve contribuir para a melhora dos resultados das empresas do setor de papel e celulose no trimestre. No entanto, a valorização do real, o aumento dos custos operacionais e as paradas para manutenção devem limitar os ganhos das companhias.
Segundo o Banco Safra, Suzano, Klabin e Dexco devem reportar resultados superiores aos registrados no trimestre anterior. Apesar da expectativa de melhora sequencial, as projeções permanecem abaixo do consenso do mercado.
Para a Suzano, o Safra estima alta de 3% no lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), para R$ 4,7 bilhões. De acordo com os analistas, o avanço deve ser impulsionado pelo negócio de celulose, com preços médios estimados em US$ 600 por tonelada.
A Klabin, por sua vez, deve apresentar crescimento de 16% no Ebitda em relação ao trimestre anterior. Além dos preços mais elevados da celulose, o desempenho deve refletir a recuperação dos volumes de embalagens e cartão revestido.
Já a Irani deve registrar aumento de 14% no Ebitda, alcançando R$ 130 milhões, segundo estimativas do Itaú BBA. A projeção considera uma base de comparação mais fraca, após as paradas para manutenção realizadas no trimestre anterior. Ainda assim, a dinâmica do mercado de papelão ondulado permanece resiliente, com expectativa de redução de 5% nos custos de caixa por tonelada.
Apesar das perspectivas de melhora, o Banco Safra avalia que o setor ainda está distante de um cenário amplamente positivo. A inflação de custos, especialmente com diesel, frete, energia e produtos químicos, continua pressionando as margens. A manutenção industrial e a volatilidade cambial também devem impactar os balanços.
Real Valorizado
Para a XP Investimentos, o fortalecimento do real pode ser um dos principais pontos negativos para os resultados das companhias. A instituição estima queda de 7,9% na receita do setor e recuo de 19,5% no lucro operacional. Para o lucro líquido, a projeção é ainda mais negativa, de queda de 95,2%.
Embora os preços da celulose estejam mais altos na comparação trimestral, os analistas da XP avaliam que a valorização do real, as paradas de manutenção e o aumento dos custos de insumos devem manter os resultados pressionados.
No caso da Suzano, a expectativa é de resultados praticamente estáveis em relação ao trimestre anterior. Os preços mais elevados da celulose e volumes ligeiramente maiores devem compensar os efeitos negativos do câmbio e dos custos.
A Klabin, por outro lado, deve apresentar melhora sequencial, sustentada pelos preços mais altos da celulose e pela resiliência das operações de papel e embalagens.


