Em São Paulo, o mercado físico do boi gordo encerrou fevereiro/26 com negócios entre R$ 350/@ e R$ 355/@, cenário visto pela última vez em novembro de 2024, quando a demanda esteve acelerada e a oferta de boiadas foi relativamente menor”, destaca o analista, acrescentando que mercado paulista aproxima-se do recorde nominal de preços. “Com alta acumulada de 6,5% na média de preçosl de fevereiro/26, este foi o mês de maior variação nominal em relação a janeiro desde 1999”, diz Fabbri.
Ritmo forte dos embarques como grande aliado
A exportação de carne bovina in natura segue aquecida e colaborando com a sustentação dos preços físicos do boi gordo. Os dados parciais de exportação, até a terceira semana de fevereiro/26, já indicam recorde mensal: 192,7 mil toneladas de carne bovina in natura foram enviadas ao exterior, acima das 190,4 mil toneladas exportadas em 2025, melhor mês da história até então.
“O cenário global de carne bovina mais apertado deverá manter a demanda por carne bovina brasileira aquecida ao longo do ano, com atenção, sim, à cota chinesa imposta no começo do ano”, que, por ora, elevou a demanda local pela nossa carne”, afirma Fabbri.
Além disso, continua o zootecnista, espera-se que Japão e Coreia do Sul realizem visitas ao Brasil ao longo deste ano, podendo abrir seus mercados à carne nacional. “São dois dos cinco maiores importadores globais de carne e ótimos pagadores”, diz Fabbri.
Abates recuam, com fêmeas perdendo participação
Do lado da oferta, o ritmo de abates de bovinos no País perde força, informa o analista da Scot. “Os preços do bezerro, que atingiram a máxima no Brasil, segundo indicador Cepea/Esalq, têm estimulado uma presença menor de fêmeas nas câmaras frias dos frigoríficos em relação a um passado não muito distante (fev/2025)”, observa Fabbri.
Os abates totais sob Sistema de Inspeção Federal recuaram 11,3% em janeiro/26, na comparação anual.
Na parcial de fevereiro (até 25/2), foram 1,6 milhão de cabeças abatidas, volume 31,7% menor que os abates de fevereiro de 2025. “Ainda há dados a serem contabilizados, mas a dinâmica de mercado tem indicado uma oferta menor”, ressalta Fabbri.
Boi no pasto e mais dinheiro no bolso
As chuvas no Centro-Norte do País seguem ajudando os produtores. “Com pasto bom, o pecuarista não precisa correr para vender; ele consegue segurar o gado, negociar em lotes menores, fracionar as vendas e trabalhar com mais poder de barganha”, relata a consultoria Agrifatto em boletim enviado aos seus assinantes.
Segundo a consultoria, com oferta enxuta de animais, o volume negociado não tem sido suficiente para esticar as escalas de abate, que seguem, na média nacional, entre (apenas) 4 e 5 dias.


