A presença feminina no agronegócio brasileiro avança ano após ano, tanto na gestão de propriedades quanto na atuação técnica e estratégica dentro das cadeias produtivas. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que aproximadamente 19% dos estabelecimentos agropecuários do país são dirigidos por mulheres, o que representa cerca de 1,7 milhão de propriedades sob liderança feminina.
Para a senadora Tereza Cristina, uma das principais vozes do setor no Congresso Nacional, esse movimento é fruto de uma combinação entre competência e resiliência. Em mensagem de reconhecimento ao setor, a parlamentar enfatizou o impacto social e econômico dessa liderança: “Quero fazer um reconhecimento especial às mulheres do agro. Mulheres que, com coragem, dedicação e talento, mostram todos os dias a presença e a liderança feminina no campo, à frente de empresas, produzindo alimentos e contribuindo para o desenvolvimento do nosso país”, afirmou a senadora.
Ela reforçou ainda a união da categoria: “Tenho certeza de que, juntas, somos ainda mais capazes de superar desafios e abrir novos caminhos”.
Além da gestão, as mulheres ampliam sua participação na força de trabalho rural, assumindo funções técnicas, administrativas e operacionais, com presença crescente em áreas como planejamento produtivo, comercialização, gestão financeira e sucessão familiar.
Mato Grosso do Sul acompanha esse avanço
No cenário estadual, os números refletem essa transformação. Informações do IBGE indicam que Mato Grosso do Sul tem mais de 134 mil mulheres vivendo na área rural, representando 46% da população do campo. Em cadeias estratégicas como soja, milho e pecuária, a participação feminina na população economicamente ativa ganha espaço gradualmente, impulsionada pela modernização do setor e pela sucessão familiar.
A diretora da Aprosoja/MS, Malena May, é um exemplo prático dessa mudança estrutural. Engenheira agrônoma por formação, ela destaca que a sensibilidade feminina se traduz em eficiência produtiva. “A mulher tem uma dedicação, um capricho mais fino. É muito delicada nesse afinco que tem com o que faz. O mercado está sendo redesenhado para essas mulheres estarem onde estão”, observa Malena.
A trajetória de Malena May exemplifica o desafio da sucessão. Neta e filha de produtores, ela enfrentou a resistência inicial do pai, que desejava poupar as filhas da “lida pesada” após anos de safras difíceis. Malena chegou a cursar Arquitetura, mas a vocação falou mais alto.
“Cursei Agronomia, que é meu sonho de menina. Quando eu tinha um dinheirinho na infância, ia comprar planta”, recorda. Hoje, ela é a responsável técnica por propriedades em Ponta Porã e Paranhos, gerenciando quatro culturas distintas: soja, milho, mandioca e sorgo.
Liderança que gera resultado
O avanço não é apenas uma questão de representatividade, mas de resultados práticos no negócio rural. Para o presidente da Aprosoja/MS, Jorge Michelc, “o reconhecimento da capacidade técnica e da visão estratégica feminina fortalece a governança e a rentabilidade das propriedades”.
Para Malena May, o futuro já está sendo semeado nas próximas gerações. “Tenho sobrinhos, dois meninos e uma menina. A gente planta o amor pelo que fazemos com o exemplo no coração deles. Tenho certeza que teremos mais uma mulher no agro daqui a alguns anos”, finaliza.


