sexta-feira, 27 março 2026
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Plataforma inédita que traça rota das aves migratórias nas Américas é lançada na COP15

Atlas das Rotas Migratórias das Américas utiliza ciência cidadã para identificar áreas críticas de conservação, combater ameaças às espécies ameaçadas e fortalecer a cooperação entre países.

A trajetória de 622 espécies de aves migratórias que cruzam as Américas agora pode ser acompanhada com precisão inédita. O Atlas das Rotas Migratórias das Américas foi lançado nesta quinta-feira (26/3), durante a 15ª Conferência das Partes (COP15) da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS, na sigla em inglês), em Campo Grande (MS).

A ferramenta é a primeira dedicada exclusivamente ao continente e promete revolucionar a forma como governos e gestores ambientais planejam a proteção de habitats transfronteiriços.

O presidente da COP15 e secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), João Paulo Capobianco, destacou que o Atlas é um divisor de águas para a cooperação multilateral.

João Paulo Capobianco no lançamento do Altas das Rotas Migratórias das Américas, em Campo Grande (MS). – Foto:Divulgação Ueslei Marcelino (MMA)

– “Presidir a COP15 no Brasil significa impulsionar a cooperação multilateral, que une ciência compartilhada e compromissos conjuntos para o futuro da vida no planeta. O Atlas das Rotas Migratórias das Américas é um marco nessa estratégia porque revela, com precisão e clareza inéditas, as rotas e áreas-chave das quais a sobrevivência das aves migratórias depende. Ao evidenciar esses corredores ecológicos que conectam os biomas das Américas, a plataforma se torna um argumento irrefutável para que mais nações do nosso continente se unam à Convenção. Sem proteger esses pontos de pouso, a vida migratória em todo o hemisfério estará em xeque”, afirmou Capobianco.

Desenvolvido pela CMS em colaboração com o Laboratório de Ornitologia da Universidade de Cornell (que utiliza o conhecimento cidadão de observadores de aves por meio do banco de dados online eBird), o MMA e o USFWS, o Atlas é uma plataforma online que identifica Áreas de Concentração de Aves (ACAs) em diferentes estágios de seus ciclos anuais.

O eBird utiliza dados de milhões de observadores de aves – a chamada ciência cidadã – para mapear onde os animais se reproduzem, os locais pelos quais passam o inverno e por quais corredores migram. Estima-se que, no mundo, existam mais de 2 bilhões de observadores de pássaros que registram aves, tiram fotos e compartilham informações que são transformadas em ciência aplicada à conservação por meio do eBird.

A secretária-executiva da CMS, Amy Fraenkel, destacou o papel estratégico do Brasil nas rotas das aves migratórias. Ela lembra que além das três grandes rotas hemisféricas (Atlântica, Pacífica e Interior), há movimentos no sentido longitudinal e, ao observar as migrações, o Brasil está exatamente no centro das rotas, sendo ponto crucial para as aves.

“Realizar este lançamento no Brasil traz a mensagem clara de que a proteção de aves migratórias requer compartilhamento de responsabilidades, dados e ações ao longo de todas as rotas. Este Atlas vai ajudar os países a priorizar as ações onde é mais necessário”, comentou.

Alerta para espécies em risco

O lançamento traz dados preocupantes: das 622 espécies mapeadas, 33 estão globalmente ameaçadas. O relatório Estado das Espécies Migratórias do Mundo (2024) aponta que 26 espécies de aves migratórias estão sob alto risco de extinção e 18 aves costeiras sofrem forte pressão com declínio severo da população.

O levantamento também indica que 47% das áreas vitais para essas aves ainda não estão protegidas. Espécies como o maçarico-de-peito-amarelo (Calidris subruficollis) e o maçarico-de-bico-virado (Limosa haemastica) são exemplos de aves que sofrem com o declínio populacional severo devido à perda de habitat.

– “Os níveis de ameaça estão aumentando e precisamos entender como enfrentá-los de forma eficaz, garantindo a cooperação entre países e diferentes atores”, explicou o chefe da equipe de espécies de aves da CMS, Iván Ramirez.

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