Realizados no Centro de Convenções de Bonito, os encontros reúnem gestores públicos, pesquisadores, especialistas e representantes da sociedade civil para discutir os impactos das mudanças climáticas, estratégias de adaptação e a construção de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável.
A abertura contou com a presença do secretário-adjunto da Semadesc, Alex Melotto; da secretária-executiva de Meio Ambiente da Semadesc, Ana Cristina Trevelin; da vice-prefeita de Bonito, Juliana Salvatore; do secretário municipal de Meio Ambiente, Tiago Sabino; e do vice-presidente do Instituto das Águas da Serra da Bodoquena (IASB), Lucas Alves.
Segundo a secretária-executiva de Meio Ambiente da Semadesc, Ana Cristina Trevelin, o objetivo do fórum é aproximar a produção científica, as ferramentas de gestão pública e as experiências vivenciadas pelos municípios.
– “Quando reunimos pessoas que estudam, pesquisam e atuam diretamente nos territórios, criamos um ambiente muito rico para a troca de experiências. O propósito é trazer grandes discussões para a realidade do nosso Estado, entendendo os desafios que enfrentamos e construindo soluções conjuntas. Vamos debater temas como a revisão da Política Estadual de Pesca, o enfrentamento aos impactos causados pelo javali e os desafios das mudanças climáticas sob a ótica dos municípios”, destacou.
O Fórum Estadual de Mudanças Climáticas chega à sua quarta edição consolidado como um espaço estratégico para o debate de ações voltadas à mitigação e adaptação aos efeitos do aquecimento global. Entre seus objetivos estão contribuir para que Mato Grosso do Sul alcance a meta de Estado Carbono Neutro até 2030, promover a redução das emissões de gases de efeito estufa (GEEs) e fortalecer iniciativas de conservação ambiental.
Durante a abertura, o secretário-adjunto da Semadesc, Alex Melotto, destacou Bonito como exemplo nacional de desenvolvimento sustentável.

– “É um privilégio discutir esses temas em Bonito. O município demonstra que é possível conciliar atividades econômicas, conservação ambiental e qualidade de vida. Ao longo dos anos, acompanhamos o crescimento do turismo, a evolução da agricultura e da pecuária e a valorização dos ativos ambientais da região. Bonito mostra ao Brasil que, com diálogo e maturidade, é possível construir um modelo de desenvolvimento sustentável”, afirmou.
Integração e inovação para enfrentar os desafios climáticos
Entre as iniciativas apresentadas durante o evento está o projeto CEP Rural, desenvolvido pelo Governo do Estado para ampliar a integração entre as comunidades rurais e os serviços públicos.
A ferramenta permitirá que propriedades rurais tenham um endereço oficial e padronizado, facilitando a comunicação e o acesso a serviços essenciais, especialmente em situações de emergência e eventos climáticos extremos.
“A propriedade rural passará a ter um endereço semelhante ao que temos nas áreas urbanas. Isso permitirá que informações importantes cheguem com mais rapidez aos produtores e às autoridades responsáveis. São ações que fortalecem a integração e melhoram a entrega dos serviços públicos ao cidadão”, explicou Melotto.
O secretário-adjunto ressaltou ainda que Mato Grosso do Sul apresenta realidades ambientais bastante distintas, exigindo políticas públicas adaptadas às características de cada região.
– “Os impactos das mudanças climáticas são sentidos de maneiras diferentes pelas comunidades. Uma estiagem pode beneficiar determinados setores, como o turismo em Bonito, mas representar prejuízos para a agropecuária. O grande desafio deste fórum é justamente construir propostas que considerem essa diversidade e permitam respostas eficientes para cada realidade”, acrescentou.
Ciência, gestão pública e experiências municipais
Um dos diferenciais da programação é a conexão entre conhecimento técnico e aplicação prática. A agenda foi estruturada para aproximar pesquisadores, gestores públicos e representantes municipais, fortalecendo a tomada de decisão em áreas como clima, saneamento, fiscalização, regulação e licenciamento ambiental.
A proposta integra três dimensões fundamentais da política ambiental: a ciência, representada por universidades e instituições de pesquisa; a gestão pública, voltada ao planejamento e execução das políticas; e as experiências municipais, que trazem soluções concretas para os desafios enfrentados no dia a dia das cidades.
Entre os destaques da programação estão as apresentações dos trabalhos da Câmara Técnica da Política Estadual de Pesca, conduzida pelo pesquisador da Embrapa Pantanal, Agostinho Carlos Catella, e da Câmara Técnica de Enfrentamento ao Javali, apresentada pelo médico-veterinário Walfrido Moraes Tomas, também da Embrapa Pantanal.
Com uma agenda integrada, o IV Fórum Estadual de Mudanças Climáticas e o III Encontro de Secretarias Municipais de Meio Ambiente reforçam o compromisso de Mato Grosso do Sul com a sustentabilidade, a adaptação às mudanças climáticas e o fortalecimento da gestão ambiental nos municípios, aproximando o conhecimento técnico da formulação de políticas públicas e promovendo soluções cada vez mais eficazes para a proteção dos recursos naturais e a qualidade de vida da população.


