A Índia está deixando de ser apenas um mercado promissor para se tornar uma das principais apostas do agronegócio brasileiro e de Mato Grosso do Sul no cenário internacional.
Com economia em expansão, crescimento da renda da população e uma classe média cada vez maior, o país asiático surge como destino estratégico para produtos como açúcar e etanol; biocombustíveis; algodão; óleo de soja e outros óleos vegetais, além de genética bovina e pode impulsionar uma nova fase das exportações sul-mato-grossenses.
Margem Ampla para Novos Negócios
As exportações de Mato Grosso do Sul atingiram o recorde histórico de US$ 10,7 bilhões em 2025 e somaram US$ 3,83 bilhões no primeiro semestre de 2026, impulsionadas principalmente pela celulose, soja e pelo complexo frigorífico.
Os dados oficiais são monitorados pela Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) e consolidados via ComexStat.
No fluxo específico com a Índia, as negociações do ciclo de 2025 e o andamento de 2026 mostram dinâmicas de consolidação de mercado
Já o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) projeta que as vendas do agronegócio brasileiro para a Índia saltem dos atuais US$ 2,8 bilhões para cerca de US$ 9 bilhões até 2030, praticamente triplicando o volume comercial entre os dois países.
Além de ampliar negócios, a aproximação fortalece a estratégia de reduzir a dependência de mercados tradicionais e abrir espaço para produtos de maior valor agregado.
Economia em crescimento impulsiona demanda
Com mais de 1,4 bilhão de habitantes, a Índia já figura entre as maiores economias do planeta e registra crescimento consistente do consumo interno. O aumento da renda da população vem elevando a demanda por alimentos, fibras, biocombustíveis e tecnologias voltadas à produção agropecuária.
Para especialistas, o país reúne características semelhantes às apresentadas pela China nas últimas décadas, quando o avanço econômico transformou o gigante asiático em um dos principais compradores de commodities agrícolas do mundo.
Setores com espaço para crescer
Entre os segmentos que concentram maior potencial de expansão nas relações comerciais entre Brasil e Índia estão:
- açúcar e etanol;
- biocombustíveis;
- algodão;
- óleo de soja e outros óleos vegetais;
- genética bovina;
- feijões e pulses, considerados mercados emergentes com grande potencial de crescimento.
Parceria no etanol gera ganhos para os dois países
Um dos exemplos mais bem-sucedidos da cooperação bilateral está na cadeia sucroenergética. Brasil e Índia passaram de concorrentes no mercado internacional de açúcar para parceiros na expansão da indústria de etanol.
A experiência brasileira contribuiu para que a mistura de etanol à gasolina na Índia avançasse de cerca de 2% para aproximadamente 20%. Além de reduzir a dependência do açúcar como principal destino da cana-de-açúcar, a iniciativa diminui excedentes da commodity no mercado internacional, contribuindo para maior equilíbrio dos preços.
Exportações de algodão disparam
O algodão brasileiro também vive um momento de forte expansão no mercado indiano. A previsão é de que os embarques alcancem aproximadamente 300 mil toneladas na safra 2025/26, frente às cerca de 8 mil toneladas exportadas em 2023.
O crescimento é resultado da valorização da fibra brasileira, do fortalecimento das relações comerciais e da cooperação técnica desenvolvida com a indústria têxtil da Índia.
Brasil amplia presença no mercado de óleo de soja
O Brasil ocupa atualmente a posição de segundo maior fornecedor de óleo de soja para a Índia, respondendo por cerca de 39,5% das importações do produto.
Como o mercado indiano consome entre 15 e 16 milhões de toneladas de óleos vegetais por ano — sendo aproximadamente 4 milhões de toneladas de óleo de soja —, especialistas apontam amplo espaço para o aumento da participação brasileira.
Genética bovina abre nova frente de negócios
A pecuária também ganhou protagonismo na agenda comercial entre os dois países.
Em 2024, o Brasil realizou a maior exportação de material genético bovino para a Índia, enviando 40 mil doses de sêmen da raça Gir Leiteiro para Mumbai.
Maior produtor e consumidor de leite do mundo, a Índia também negocia a importação de embriões e tecnologias de melhoramento genético, criando uma nova frente de negócios para empresas brasileiras.
Acordo comercial ainda limita potencial
Apesar do avanço nas relações bilaterais, especialistas defendem a ampliação do acordo de preferência comercial firmado entre Mercosul e Índia em 2009.
O tratado contempla atualmente cerca de 450 linhas tarifárias, número considerado insuficiente diante da dimensão econômica dos dois mercados. A expansão do acordo poderá reduzir barreiras comerciais, ampliar a competitividade dos produtos brasileiros e acelerar o crescimento das exportações.
Diversificação reduz riscos
O fortalecimento da parceria com a Índia representa uma oportunidade estratégica para o agronegócio brasileiro ampliar sua presença internacional e reduzir a concentração das exportações em poucos mercados.
Com uma economia em rápida expansão e demanda crescente por alimentos, fibras e tecnologias agropecuárias, o país asiático tende a ocupar posição cada vez mais relevante na pauta exportadora do Brasil, consolidando uma relação comercial de longo prazo capaz de gerar investimentos, inovação e maior competitividade para o setor.


