Entre os exemplos citados pelo presidente da Abag estão Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Tocantins e Paraná, além de áreas do Matopiba — fronteira agrícola formada por partes de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — e outras regiões baianas.
O crescimento observado em Mato Grosso do Sul é notável, não apenas pelos números, mas também pela resiliência e inovação dos produtores que têm adotado práticas sustentáveis e tecnológicas que impulsionam ainda mais a produtividade.
O movimento está por trás de um conceito que ele define como “pumas tropicais”, que se refere a regiões com potencial agrícola significativo que, com o suporte adequado e a implementação de políticas públicas, podem se transformar em grandes centros de produção e inovação.
A expressão é usada para identificar estados e regiões que, na avaliação da Abag, conseguiram manter um ciclo prolongado de expansão econômica associado à produção agropecuária, ao empreendedorismo e a investimentos estruturantes. Esses estados têm se destacado por suas estratégias de desenvolvimento sustentável e por criar um ambiente propício para novos negócios e inovações tecnológicas.
“São regiões brasileiras, estados ou regiões, que têm um crescimento, já por vários anos, superior ao da China, que têm um crescimento de classe média e investimentos por mais de 30 anos”, afirmou Plöger à reportagem. O presidente destacou que essa dinâmica não se resume apenas ao aumento da produção, mas também à melhoria da qualidade de vida das pessoas que habitam essas regiões, que experimentam um aumento no acesso a serviços essenciais e infraestrutura.
Crescimento Econômico em Mato Grosso do Sul
A avaliação é que o avanço da produção agropecuária nessas áreas passou a produzir efeitos que vão além da porteira. A diversificação da produção tem sido uma estratégia que permite aos agricultores não apenas mitigar riscos, mas também explorar novas oportunidades de mercado, como a exportação de produtos orgânicos e sustentáveis, que têm ganhado espaço no mercado internacional.
A expansão do setor movimenta cadeias de serviços, comércio, logística e infraestrutura e, segundo Plöger, ajuda a criar uma dinâmica econômica de longo prazo nas regiões produtoras. Esta interconexão entre os setores tem promovido um crescimento sinérgico, onde o aumento na produção agropecuária gera demanda por serviços de transporte, armazenamento e comercialização, beneficiando toda a economia local.
Para o presidente da Abag, uma das características desses polos é justamente a capacidade de planejar investimentos para além dos ciclos de curto prazo. Essa visão a longo prazo é essencial para a sustentabilidade do crescimento, pois garante que os recursos sejam alocados de maneira a maximizar o retorno econômico e social para a comunidade.
“Eles demonstram que têm uma visão de longo prazo da sua região e de seu estado e estão fazendo uma diferença gigantesca, porque estão trazendo o empreendedorismo que supera o assistencialismo”, disse.
Apesar do avanço desses polos, Plöger avalia que a dinâmica ainda não alcança o território brasileiro de maneira uniforme. Parte do Norte e do Nordeste permanece fora desse processo de crescimento mais acelerado, segundo ele. Essas regiões enfrentam desafios específicos, como a falta de infraestrutura básica e acesso limitado a serviços financeiros, que dificultam o desenvolvimento econômico.
O desafio, na visão da Abag, é criar condições para que o desenvolvimento observado nas regiões classificadas como “pumas tropicais” possa alcançar outras áreas do país, especialmente por meio de investimentos e da ampliação da atividade produtiva. O fortalecimento de políticas públicas que incentivem a formação de cooperativas e associações também pode ser um caminho para potencializar o desenvolvimento nessas regiões.
“Nós temos que fazer um esforço para levar essa pujança brasileira a esses estados”, destacou Plöger. Ele enfatizou a importância de unir esforços entre governo, setor privado e sociedade civil para criar um ambiente propício ao investimento e à inovação, crucial para a promoção de um desenvolvimento mais equilibrado.
Na percepção do presidente da Abag, falta uma visão a longo prazo para “replicar” os modelos de desenvolvimento de municípios agrícolas, ao mesmo tempo, também falta aproveitar “a vocação” de fornecedor de alimentos que o Brasil tem para determinar os fluxos comerciais. O Brasil tem uma posição estratégica no mercado global, e capitalizar essa vocação pode ser um diferencial competitivo significativo.
As duas discussões colocam o desenvolvimento regional no centro do debate para a solidez econômica e robustez do agronegócio, inferiu Plöger. Essa robustez é vital não apenas para a economia local, mas também para a segurança alimentar do país e para sustentar um crescimento econômico inclusivo e sustentável.
Depois de décadas de expansão da produção e abertura de novas fronteiras agrícolas, a avaliação da Abag é que o próximo passo passa também pela capacidade de transformar o crescimento do setor em renda, infraestrutura e atividade econômica de longo prazo nas diferentes regiões do país. O investimento em educação e capacitação profissional é fundamental para garantir que a força de trabalho esteja preparada para os desafios do futuro, especialmente em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo.
Mato Grosso do Sul, portanto, representa não apenas um modelo de crescimento, mas também um exemplo de como o planejamento estratégico e a visão de longo prazo podem transformar desafios em oportunidades. O futuro promete ser ainda mais promissor, com a continuidade dos investimentos e a busca por inovações que possam solidificar sua posição no cenário econômico brasileiro e internacional.
Por fim, a troca de experiências e informações entre as regiões que estão prosperando e aquelas que estão em desenvolvimento pode acelerar o processo de aprendizado e adaptação, permitindo que soluções eficazes sejam implementadas rapidamente.
Além disso, é essencial que haja uma maior integração entre os diferentes setores da economia, como agropecuária, indústria e serviços, para que o crescimento seja abrangente e beneficie todos os segmentos da sociedade. Políticas públicas que incentivem a inovação e a pesquisa também são cruciais para que o Brasil se mantenha competitivo no cenário global.


