Após registrar prejuízo de quase R$ 1,064 bilhão no primeiro trimestre deste ano — 160,7% acima das perdas registras no período de 2025, de R$ 408 milhões — , o grupo Casas Bahia atrasou a divulgação do balanço do segundo trimestre de 12 para 14 de agosto, com teleconferência agendada para segunda-feira, dia 17.
Contudo, a companhia não havia publicado o resultado trimestral na página da instituição. A assessoria da companhia informou que o balanço deverá ser divulgado nesta segunda-feira (17).
Nos últimos dias, a companhia fechou 298 lojas em todo o país, o que corresponde a 28,5% das 1.042 unidades da rede contabilizadas no fim de 2025, deixando os trabalhadores preocupados. E os sindicatos se manifestaram sobre as demissões que somam quase 2 mil.
Em Mato Grosso do Sul, foram fechadas pelo menos cinco lojas. O encerramento das atividades ocorreu em Nova Andradina, Ponta Porã, Campo Grande, no Shopping Bosque dos Ipês e em Dourados com duas lojas.
Casas Bahia registrou prejuízos
Conforme informações publicadas pelo jornal Valor Econômico, a rede teria planejado, neste mês, cortar 30% do quadro e vem adiando pagamentos a lojistas do marketplace e buscando estender prazos com a indústria para melhorar o ciclo financeiro. A medida faz parte de uma reestruturação ampla do grupo, que busca reduzir despesas, reorganizar a operação e melhorar o fluxo de caixa após prejuízos bilionários nos últimos trimestres.
No acumulado em 12 meses até março de 2026, o prejuízo somava R$ 3,6 bilhões, enquanto o patrimônio líquido do grupo havia encolhido de R$ 2,1 bilhões para R$ 1,8 bilhão, conforme dados do último balanço do grupo companhia.
Em relatório divulgado no fim de julho, o Itaú BBA informou que retomou a cobertura do grupo Casas Bahia e avaliou que as parcerias da rede com grandes marketplaces, como Mercado Livre, Amazon e Shopee, são vistas como uma oportunidade de melhorar a rentabilidade da rede no comércio on-line.
“Em poucos meses, estimamos que essas parcerias já representem mais de 5% do volume bruto de mercadorias (GMV) total e 10% do GMV on-line, o equivalente a cerca de R$ 2 bilhões por ano”, destacou o banco, que fez uma recomendação neutra e preço-alvo de R$ 1 para as ações ordinárias do grupo para o fim de 2027 — alta de 51% sobre o fechamento de sexta-feira, de R$ 0,66.
O documento ainda destacou que a carteira de crédito ao consumidor, de R$ 6,3 bilhões, foi reestruturada, com redução da taxa de novas emissões de 150% para 120% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI). “Vemos espaço limitado para uma expansão mais acelerada no curto prazo, diante de um ambiente macroeconômico mais desafiador e do aumento do risco de inadimplência, especialmente nas regiões Norte e Nordeste”, ressaltou.
Embora avalie que a geração de valor operacional da varejista é sustentável, o banco ainda segue com uma visão mais cautelosa diante do cenário macroeconômico, já que a empresa continua exposta a categorias de bens duráveis e de maior valor, que dependem de crédito ao consumidor.
“Um período prolongado de juros elevados pode limitar a demanda e aumentar os custos de financiamento da operação de crédito, o que dificulta uma aceleração mais forte das vendas”, acrescentou o relatório do Itaú BBA.


