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A sete dias das urnas, Lula abre pacote de medidas populares e oposição vê ofensiva eleitoral

Especialistas veem governo tratando questões urgentes de maneira "açodada", trazendo maior insegurança jurídica ao cenário brasileiro.

A apenas sete dias do primeiro turno, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) colocou na rua duas medidas de forte alcance popular: a proibição das bets e a terceira etapa do Desenrola Brasil. O momento escolhido para os anúncios levou a oposição a acusar o Planalto de intensificar uma agenda de apelo eleitoral às vésperas da votação.

As duas medidas provisórias foram editadas na sexta-feira (25), quando a campanha presidencial já havia entrado em sua última semana.

O Desenrola 3.0 poderá alcançar até 15 milhões de brasileiros endividados. A União poderá comprar carteiras de débitos inadimplidos em leilões e transferir aos devedores os descontos obtidos nas negociações. Até R$ 150 bilhões em dívidas poderão ser elegíveis ao programa, segundo estimativas divulgadas pelo governo.

O anúncio ocorre antes da eleição, mas boa parte da execução ficará para depois das urnas. O cronograma prevê etapas de negociação a partir de novembro e início dos contratos e repasses dos descontos em 2027.

Bets entram na mira

No mesmo dia, Lula editou medida provisória proibindo a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa no Brasil, atingindo bets esportivas e jogos on-line.

A decisão representa uma mudança importante na política federal para o setor, que havia sido regulamentado durante o próprio governo Lula. A proximidade da eleição levou adversários do presidente a questionarem por que uma medida dessa dimensão foi adotada justamente na reta final da campanha.

O governo sustenta que a proibição responde aos impactos econômicos, sociais e de saúde pública provocados pela expansão das apostas.

Política pública ou estratégia eleitoral?

É justamente o timing que transforma as medidas em munição para a disputa política.

Programas de renegociação de dívidas e restrições às apostas podem produzir efeitos concretos independentemente da eleição. Mas, anunciados praticamente às portas das urnas e com potencial para atingir milhões de brasileiros, passaram inevitavelmente a integrar as narrativas eleitorais de governo e oposição.

Enquanto o Planalto apresenta as iniciativas como proteção à renda e às famílias, adversários enxergam uma ofensiva para ocupar os últimos dias da campanha com medidas de grande repercussão popular.

Com a votação marcada para 4 de outubro, Lula chega à semana decisiva colocando a caneta presidencial no centro do debate político — e abrindo uma disputa sobre onde termina a ação de governo e onde começa a estratégia eleitoral.

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