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Exportações de soja atingem 107,4 milhões de toneladas, enquanto milho perde ritmo em 2026

As exportações brasileiras de soja alcançaram 107,4 milhões de toneladas entre janeiro e outubro de 2026, acima das 101,5 milhões de toneladas registradas no mesmo período do ano anterior.

O milho seguiu na direção oposta: os embarques somaram 25,1 milhões de toneladas, diante de 29,6 milhões de toneladas nos dez primeiros meses de 2025.

Os dados do informativo de outubro da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC) mostram cenários distintos para as principais commodities agrícolas do país. Enquanto a soja mantém crescimento nas vendas externas, o milho encontra maior absorção no mercado doméstico, reduzindo a disponibilidade para exportação.

Para novembro, a programação portuária indica embarques de aproximadamente 6 milhões de toneladas de milho e 3,3 milhões de toneladas de soja. Esses volumes ainda estão em formação e podem sofrer revisões, não representando exportações já realizadas.

Exportações de soja crescem no ano

O Brasil exportou 6 milhões de toneladas de soja em outubro, volume inferior às 6,4 milhões de toneladas embarcadas no mesmo mês de 2025. Mesmo com essa desaceleração mensal, o desempenho acumulado permanece acima do registrado no ano anterior.

A ANEC mantém a estimativa de 114 milhões de toneladas de soja exportadas em 2026. A evolução dos embarques nos últimos meses do ano será determinante para o cumprimento dessa projeção.

No mercado internacional, a demanda chinesa pela nova safra brasileira ganhou força na segunda metade de outubro. A melhora das margens de processamento e a competitividade do produto nacional estimularam negócios para embarques no primeiro e no segundo trimestres de 2027.

O movimento ocorreu após um início de mês com menor participação dos compradores chineses, em razão do feriado prolongado no país.

Produção pode chegar a 181,6 milhões de toneladas

O levantamento apresentado no relatório aponta que a semeadura da soja 2026/27 atingiu 54,3% da área prevista, acima da média de 51,8% dos últimos cinco anos.

A estimativa inicial da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indica produção de 181,6 milhões de toneladas, aproximadamente 1 milhão de toneladas acima da temporada anterior.

A área cultivada está projetada em 49,3 milhões de hectares, crescimento de 1,4%. O avanço do plantio e as condições climáticas durante o desenvolvimento das lavouras seguem como fatores centrais para a confirmação desse potencial produtivo.

Milho perde espaço nas exportações

Os embarques brasileiros de milho totalizaram 5,6 milhões de toneladas em outubro, ligeiramente abaixo das 5,7 milhões de toneladas registradas um ano antes.

A diferença é mais expressiva no acumulado de janeiro a outubro, com redução de aproximadamente 4,6 milhões de toneladas frente a 2025.

O relatório relaciona esse desempenho à maior absorção do cereal pelo mercado doméstico. Com o consumo interno ganhando participação, diminui o excedente disponível para atender aos compradores internacionais.

Nesse cenário, a projeção de exportação de 41 milhões de toneladas em 2026 deverá passar por ajuste até o encerramento do ano, conforme a avaliação apresentada no informativo.

Para a safra 2026/27, a Conab estima produção brasileira de 148 milhões de toneladas de milho e demanda interna de 104,8 milhões de toneladas.

O mercado de milho também registrou redução das cotações ao longo de outubro. As referências acompanhadas pela S&P Global Energy mostram queda em importantes regiões produtoras.

Em Sorriso (MT), o preço passou de R$ 47,60 para R$ 45,40 por saca de 60 quilos entre os dias 2 e 30 de outubro. Em Rio Verde (GO), recuou de R$ 58,00 para R$ 51,80. Já em Maringá (PR), caiu de R$ 63,10 para R$ 58,90.

No mercado externo, a referência Platts para o milho FOB Santos encerrou outubro em US$ 215,24 por tonelada, desvalorização de 6,5% no mês.

O câmbio permanece relevante para a comercialização. A valorização do dólar pode favorecer a receita das exportações em reais, mas também encarece insumos importados. O resultado para o produtor depende ainda dos prêmios, do frete e das condições de negociação.

Farelo de soja amplia embarques em outubro

As exportações de farelo de soja atingiram 2,19 milhões de toneladas em outubro, avanço de aproximadamente 26,7% sobre as 1,73 milhão de toneladas embarcadas no mesmo mês de 2025.

A programação de novembro aponta mais 2,23 milhões de toneladas, volume sujeito a alterações conforme a confirmação das operações.

Com a soja em crescimento no acumulado, o farelo ampliando os embarques mensais e o milho mais direcionado ao consumo doméstico, o encerramento de 2026 será marcado pelo equilíbrio entre demanda internacional, necessidades da indústria brasileira e disponibilidade logística.

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