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Autocine da UFMS reabre após quase 37 anos e celebra nova fase com documentário sobre Roberto Higa

Espaço histórico de Campo Grande volta a receber público e inclui na programação “Higa Ke – Olho por Olho”, filme que recupera a trajetória do fotógrafo que documentou mais de quatro décadas de transformações da Capital

Depois de permanecer quase 37 anos fechado, o Autocine da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) voltou a receber o público em Campo Grande e inicia uma nova fase dedicada ao cinema, à cultura e à convivência.

Entre os destaques que marcaram a retomada está a exibição do documentário “Higa Ke – Olho por Olho”, sobre a vida e a obra do fotógrafo Roberto Higa, um dos principais responsáveis por registrar em imagens as transformações da Capital sul-mato-grossense ao longo de mais de quatro décadas.

A reabertura do histórico espaço integra o Festival Mais Cultura UFMS 2026, realizado no Autocine revitalizado. Além de devolver à cidade um endereço que fez parte da memória cultural de diferentes gerações, a programação reforça a proposta de transformar o local em um novo polo permanente de atividades culturais e de audiovisual.

O documentário sobre Roberto Higa, dirigido por Conrado Roel e Débora Bah, levou mais de dez anos para ser concluído. A produção percorre a trajetória do fotógrafo e, por meio de seu acervo e de sua história, recupera também parte da memória visual de Campo Grande.

O filme ganhou neste ano o prêmio de melhor filme sul-mato-grossense pelo júri popular em Bonito, ampliando o reconhecimento de uma produção dedicada a um personagem profundamente ligado à história da Capital.

A programação cinematográfica também reservou espaço para outra personalidade sul-mato-grossense. A Mostra Autocine incluiu “Jardim de Pedra – Vida e Morte de Glauce Rocha”, documentário dedicado à atriz campo-grandense que se projetou nacionalmente e hoje dá nome ao Teatro Glauce Rocha, no campus da UFMS.

Um cinema de volta à vida

A retomada do Autocine ocorre depois de décadas sem funcionamento regular. Considerando o período informado de quase 37 anos, o espaço deixou de operar como cinema por volta do fim da década de 1980 e início dos anos 1990.

A revitalização é resultado de uma parceria envolvendo a UFMS, TV Morena, Sistema Comércio MS, Sebrae/MS e Governo de Mato Grosso do Sul, segundo informações divulgadas pela universidade.

Antes da definição sobre a nova utilização do espaço, a UFMS realizou uma consulta pública para ouvir a população. Conforme os dados divulgados pela instituição, 93,5% dos participantes apontaram o cinema e o audiovisual como a principal vocação para o Autocine. Música, cultura, artes, gastronomia e empreendedorismo também apareceram entre as atividades sugeridas.

A universidade, entretanto, não informou o número total de participantes da consulta, nem detalhou o período de realização ou a metodologia utilizada. Sem esses dados, não é possível dimensionar o universo representado pelos 93,5% registrados no levantamento.

Espaço já passou por testes com grandes eventos

Antes da programação cultural que marcou a reabertura, o Autocine já havia recebido dois eventos utilizados também como testes para a estrutura revitalizada: o Arraiá UFMS 2026 e o Festival Mais Esporte da UFMS.

De acordo com a universidade, as duas programações reuniram, juntas, mais de 5 mil pessoas.

Os eventos permitiram avaliar pontos considerados fundamentais para a utilização permanente do local, como circulação de pessoas, acessibilidade, segurança, alimentação e diferentes possibilidades de ocupação do terreno.

Autocice: Cultura, música, economia criativa e inovação

A retomada do Autocine não ficou restrita às sessões de cinema. O Festival Mais Cultura reuniu uma programação diversificada, com apresentações musicais, dança, moda, cultura geek, economia criativa e atividades voltadas à inovação.

Entre as atrações estiveram o grupo de K-pop Clover, Feira de Economia Criativa, Feira Geek, Batalha de Random Play Dance, apresentação de Moda Autoral, Flash Mob e show de Jonavo.

A programação também contou com a Maratona de Inovação “Autocine em Comunidade”, denominada Urban Hacking UFMS 2026 e desenvolvida em parceria com o Sebrae/MS. A iniciativa convidou estudantes e moradores a apresentarem propostas para desafios relacionados à ocupação e ao futuro do espaço, com premiação para as três melhores ideias.

As atrações musicais incluíram ainda apresentações de Os Alquimistas e Pilotos do Oeste.

Mais do que simplesmente reabrir um cinema que permaneceu fechado por décadas, a proposta coloca novamente em circulação um espaço que pertence à memória cultural de Campo Grande.

E a presença de “Higa Ke – Olho por Olho” nessa retomada acrescenta um significado especial: enquanto o Autocine recupera seu lugar na história da cidade, as imagens de Roberto Higa ajudam a lembrar justamente a Campo Grande que mudou diante de suas lentes ao longo de mais de 40 anos.

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