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segunda-feira, 25 maio 2026
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Botafogo e Eagle selam paz na Justiça e clube já tem proposta de US$ 105 milhões para nova SAF

O imbróglio que envolve o comando do Botafogo ganhou um capítulo importante no fim de semana. Depois de o Superior Tribunal de Justiça (STJ) definir o Tribunal Arbitral como o órgão competente para julgar a disputa entre a SAF e a Eagle, as partes selaram um acordo de paz na esfera judicial e arbitral.

A decisão abre caminho para um novo investidor. O acordo entre o Botafogo social e a Eagle/Ares é pauta nos bastidores há mais de um ano, mas o cenário nunca foi simples.

A possibilidade se tornou mais viável entre o fim do ano passado e o início deste ano, quando John Textor começou a perder prestígio interno. O ex-CEO Thairo Arruda era um dos defensores do acordo e tomou a frente das negociações com a Ares por divergências com o americano.

No entanto, em fevereiro, Thairo deixou o clube por não concordar com as decisões de Textor, principalmente em relação ao empréstimo feito pela GDA para pagar o transfer ban de Thiago Almada. Nos bastidores, o americano passou a tratar o ex-CEO como “traidor”.

Logo depois, o presidente do associativo, João Paulo Magalhães, que antes estava alinhado a Textor, passou a discordar de decisões, tratou o acordo como uma boa saída e negociou diretamente com a Ares. Ele chegou a fazer viagens para os Estados Unidos para se encontrar com representantes do fundo.

No dia 23 de abril, Textor foi afastado do comando do Botafogo por decisão do Tribunal Arbitral da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Desde então, o americano não retornou ao poder e, nos bastidores, é considerado por muitos “carta fora do baralho”. Durcesio Mello foi nomeado o diretor interino até a Assembleia Geral, que nomeou Eduardo Iglesias como diretor definitivo.

O objetivo principal deste acordo de “cessar-fogo” é chegar a um acordo definitivo e oficializar a saída do Botafogo da Eagle. Desta forma, o associativo teria de volta os 90% das ações que pertencem à empresa.

Mas, para isso, o Botafogo entende que há a necessidade da entrada de capital devido às consequências dos trâmites do “caixa único” da rede multi-clubes de Textor.

É importante destacar que o Botafogo possui dívida com o Lyon, e o clube francês possui dívida com os alvinegros, tudo em função das transações feitas pelo americano. No entanto, a Eagle tem interesse em permanecer com o Lyon e admite pagar um valor como reembolso ao clube carioca, principalmente porque se livraria da dívida de cerca de R$ 2 bilhões.

O valor do montante que seria pago ainda está em discussão. Em uma das rodadas de negociação, feita há alguns meses, foi levantada a possibilidade de chegar até 80 milhões de dólares (R$ 400 milhões na cotação atual) com a maior parte paga à vista. Além disso, estava prevista a ida de Montoro para o Lyon ao fim da temporada de 2026, como forma de o Lyon ser recompensado.

A decisão do STJ, favorável à Eagle, abriu espaço para que o acordo se tornasse viável para as partes. Nos bastidores, a Eagle também colocou na mesa a possibilidade de negociar diretamente com o novo possível investidor. O discurso de pessoas envolvidas é de encontrar uma solução boa e interessante para a SAF Botafogo.

GDA com Vantagem

A GDA é a favorita para comprar os 90% da SAF Botafogo, seja via venda direta da Eagle ou por uma venda feita pelo associativo, caso haja o acordo final com a Eagle e o clube recupere as ações. De toda forma, a proposta tem de ser apresentada no Conselho Deliberativo e aprovada pelos conselheiros.

A GDA, no entanto, não é a única interessada. Há, inclusive, uma proposta do próprio Textor para recomprar.

A proposta da GDA está na casa dos 105 milhões de dólares (cerca de R$ 525 milhões) e, apesar de a empresa ter chegado ao Botafogo via Textor, não há envolvimento do americano.

A negociação começou diretamente com o presidente João Paulo Magalhães, mas, nos bastidores, o fundo admite negociar com a Eagle se for necessário.

O Botafogo se tornou SAF em 2022 e foi comprado por John Textor por R$ 400 milhões.

Desde então, o clube conquistou dois títulos — Libertadores e Brasileirão em 2024 — e passou por momentos turbulentos, com a dívida alcançando o patamar de R$ 2 bilhões. No balanço divulgado no início do mês, as obrigações a curto prazo (até um ano) superam R$ 1,3 bilhão.

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