O Brasil reforça seu pioneirismo na transição energética global. Ao demonstrar na prática como é possível substituir derivados de petróleo e criar uma matriz limpa e cada vez mais autossuficiente, o País assume a vanguarda de um movimento que hoje pauta as maiores economias do mundo.
Os próximos saltos tecnológicos e industriais dessa liderança nacional serão o foco das discussões na Fenasucro & Agrocana e do espaço de conferência do evento, FenaBio, entre 11 e 14 de agosto de 2026, no Centro de Eventos Zanini, em Sertãozinho/SP.
O destaque brasileiro vai além da pauta ambiental e se sustenta em uma realidade econômica sólida. O setor produtivo, hoje, atua amparado por diretrizes, como a Lei do Combustível do Futuro, que trouxe a previsibilidade jurídica necessária para destravar cerca de R$ 260 bilhões em investimentos privados até 2037.
Esse cenário comprova a maturidade da indústria, que trabalha ativamente para modernizar biorrefinarias, reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados e blindar o mercado interno contra oscilações internacionais.
Para o diretor da Fenasucro & Agrocana, Paulo Montabone, o contexto atual consolida uma evolução histórica que coloca o Brasil à frente do mercado mundial.
– “Se formos voltar um pouco na história, o Proálcool foi criado justamente como resposta à crise do petróleo de 1973, num plano nacional de independência oficializado em 1975. Hoje, entendemos que essas grandes ofertas de biocombustíveis, que começaram com a cana, passaram pelo biodiesel e agora recebem o complemento do milho, vão, num curto espaço de tempo, fazer com que a gente ‘limpe’ os combustíveis fósseis por meio da mistura. Eles vão agredir menos o meio ambiente, prolongando a vida deles”, destaca.
Expectativa pelo E32 e B16
É justamente na estratégia de ‘limpar’ a matriz fóssil apontada por Montabone que se apoia a expectativa de ampliação das misturas nos combustíveis. A expectativa do setor é pela ampliação do etanol anidro na gasolina para 32% (E32) e do biodiesel no diesel fóssil para 16% (B16), ainda no primeiro semestre de 2026.
Segundo o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, esse avanço tem o potencial de reduzir em aproximadamente 500 milhões de litros por mês a necessidade de importação de combustíveis fósseis.
RenovaBio e o motor financeiro
Para sustentar essa vanguarda, a produção encontra suporte financeiro no RenovaBio, política nacional que consolida os Créditos de Descarbonização (CBIOs). Para 2026, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) estabeleceu a meta de aquisição de 48,09 milhões de CBIOs.
– “Na prática, eles funcionam como um ativo financeiro atrelado ao desempenho ambiental, transformando eficiência e sustentabilidade em receita adicional, instrumento indispensável para alavancar inovações tecnológicas no setor”, explica Montabone.
Ainda de acordo com ele, é fato que os CBIOs se consolidaram como uma das principais engrenagens de financiamento da transição energética brasileira, acelerando investimentos em eficiência, automação e expansão da capacidade produtiva das biorrefinarias.


