HomeCotidianoCorpo de Bombeiros capacita militares para atendimento a mulheres vítimas de violência

Corpo de Bombeiros capacita militares para atendimento a mulheres vítimas de violência

A medida considera as particularidades das ocorrências atendidas pelos bombeiros militares, que frequentemente chegam antes de outros profissionais ao local.

O reconhecimento de sinais de violência, a avaliação de riscos e o acolhimento adequado das vítimas integram procedimentos que orientam a atuação do CBMMS (Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul) no atendimento a mulheres em situação de violência.

Para fortalecer essas ações, a corporação, com apoio da Escolagov (Fundação Escola de Governo de Mato Grosso do Sul), promove capacitação – POP Procedimento Operacional Padrão – que estabelece diretrizes para o atendimento, desde o primeiro contato até o encaminhamento aos serviços competentes.

Situações inicialmente registradas como quedas, acidentes ou outras emergências podem envolver contextos de violência não identificados de imediato, exigindo atenção ao ambiente, às condições da vítima e a possíveis sinais de risco.

Segundo o diretor de Ensino, Instrução, Pesquisa e Educação (DEIPE) do CBMMS, coronel Waldemir Moreira Junior, o protocolo amplia a capacidade de identificação dessas situações e orienta a resposta dos profissionais.

“O POP orienta as equipes a reconhecer esses indícios, avaliar os riscos e prestar um atendimento técnico, seguro e humanizado, integrado à rede de proteção”, afirma.

O protocolo estabelece orientações para diferentes etapas do atendimento, desde o recebimento da chamada pelo telefone 193 até o registro da ocorrência e a transferência do cuidado.

Entre as diretrizes estão a escuta acolhedora, a preservação da privacidade, a realização apenas das perguntas necessárias ao socorro e a prevenção de questionamentos repetitivos que possam causar constrangimento ou sofrimento adicional.

A atuação também envolve a avaliação da segurança da vítima, dos profissionais e de terceiros, a solicitação de apoio policial quando necessária e o registro objetivo das informações relevantes. A preservação de vestígios deve ocorrer sem comprometer as medidas de socorro, enquanto o transporte precisa seguir a regulação de urgências, garantindo segurança e privacidade.

A continuidade da assistência depende da articulação com os serviços da rede de proteção, que pode envolver saúde, segurança pública, assistência social e atendimento especializado à mulher. Nos casos que envolvem meninas, o protocolo prevê linguagem adequada à idade, atenção às necessidades específicas de proteção e acionamento do Conselho Tutelar quando necessário.

Coronel Waldemir Moreira Junior destaca a importância da capacitação

Formação para reconhecer sinais de violência

A capacitação busca transformar as diretrizes do protocolo em condutas aplicáveis à rotina operacional. O conteúdo aborda a avaliação de fatores de risco, a comunicação com a vítima, a preservação de informações relevantes e os procedimentos para encaminhamento aos órgãos competentes.

Um dos pontos centrais é compreender que a ausência de um relato explícito não afasta a possibilidade de violência. A observação do contexto e uma postura atenta podem contribuir para identificar situações que exigem medidas adicionais de proteção, respeitando os limites de atuação do Corpo de Bombeiros.

O diretor da DEIPE, coronel Waldemir, destaca a importância da parceria com a Escolagov para a formação continuada dos militares.

“A parceria com a Escolagov contribui para ampliar o acesso a esse conhecimento e fortalecer a educação continuada no CBMMS. Nosso objetivo é transformar esse aprendizado em condutas concretas, para que cada mulher ou menina atendida encontre uma equipe preparada para acolher, proteger e contribuir para a continuidade da assistência”, afirma.

Para o sargento Michel Angelo Tingo Melin, do CBMMS, a capacitação ampliou a compreensão sobre a importância de observar as circunstâncias de cada ocorrência.

“Para mim, o mais importante foi aprender a olhar para essas situações com mais atenção e sensibilidade. Como atuo no Serviço Motossocorro, muitas vezes somos os primeiros bombeiros a chegar ao local de uma ocorrência e a ter contato com a vítima”, destaca.

Segundo o militar, essa proximidade reforça a importância de estar atento a possíveis sinais de violência, que nem sempre são percebidos de imediato.

“O curso me fez perceber que, além de prestar o atendimento necessário, precisamos estar atentos ao que acontece ao redor e entender que pode existir uma situação de violência que nem sempre é percebida de imediato”, relata.

Na prática, a atuação exige escuta sem julgamentos, respeito à vítima e cumprimento dos procedimentos estabelecidos. Diante de indícios de violência, cabe aos profissionais preservar a segurança e buscar o apoio dos órgãos competentes, conforme as circunstâncias identificadas.

O sargento ressalta a importância da abordagem humanizada. “Acredito que nosso trabalho não é apenas chegar rápido e prestar o atendimento, mas também tratar cada pessoa com humanidade, respeito e dignidade, especialmente em um momento de tanta vulnerabilidade”.

A integração entre procedimentos padronizados e formação profissional orientam a atuação do CBMMS para além da resposta imediata à emergência, contemplando também a proteção da vítima e a continuidade da assistência.

A capacitação permanece disponível na plataforma da Escolagov, em formato EAD autoinstrucional, ampliando o acesso dos militares da Capital e do interior à qualificação técnica e à atualização dos procedimentos operacionais, em conformidade com as diretrizes estabelecidas.

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