O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou que é falsa a informação de que a China teria criado, neste mês, uma nova taxação sobre as importações brasileiras de carnes.
A pasta esclareceu que a tarifa adicional de 55% anunciada pelo governo chinês no fim do ano passado está vinculada a uma medida de salvaguarda aplicada a todos os países exportadores e só incide sobre volumes que ultrapassarem as cotas estabelecidas.
No caso brasileiro, a cota definida pela China é de 1,106 milhão de toneladas de carne bovina, a maior entre os países fornecedores. Dentro desse limite, permanece vigente a tarifa de importação de 12%, aplicada também às cotas destinadas aos demais exportadores.
Segundo a atualização mais recente do Ministério do Comércio da China (MOFCOM), o Brasil utilizou 80% da cota destinada ao país. Dessa forma, a sobretaxa de 55% ainda não se aplica às exportações brasileiras, pois o volume embarcado permanece dentro do limite estabelecido.
Mato Grosso do Sul
Frigoríficos de Mato Grosso do Sul anunciaram, na sexta-feira (24), férias coletivas e redução no abate de bovinos após o Brasil atingir 80% da cota estipulada pela China para 2026, além de interromper novos embarques para o país asiático a partir deste mês. A informação é do Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados de Mato Grosso do Sul (Sicadems).
A China é o pais que lidera a compra de carne bovina de Mato Grosso do Sul.
Segundo o Ministério da Indústria e Comércio, entre janeiro e maio deste ano em relação ao mesmo período de 2025, Mato Grosso do Sul registrou aumentos na receita, no volume exportado, no número de parceiros e no preço médio do Kg da carne vendida ao país asiático.
Na receita o crescimento foi de 46,8% e saltou de US$ 631,4 milhões para US$ 927 milhões. Já o volume exportado do Estado aumentou 23,1% e passou de 129,7 mil toneladas para 159,7 mil toneladas.
O número de parceiros comerciais avançou de 68 para 78 países, um aumento de 14,7%, enquanto o preço médio da carne vendida, passou de US$ 4,87 por quilo para US$ 5,80 por quilo.
Com o limite de cotas se aproximando, a China terá que arcar com uma sobretaxa de 55% sobre o excedente, o que tende a reduzir a competitividade do produto e forçar frigoríficos a redirecionar parte da produção para outros mercados ou interromper a produção.
Exportações de carne bovina desaceleram com menor ritmo de embarques
Apesar dos preços internacionais favoráveis, o desempenho das exportações brasileiras de carne bovina apresenta sinais de desaceleração. “O ritmo de embarques vem apresentando arrefecimento semana após semana, com o esgotamento precoce da cota chinesa”, destaca o analista.
A China continua como principal destino da carne bovina brasileira, mas a redução do ritmo dos embarques influencia as estratégias dos frigoríficos e limita uma valorização ainda maior dos preços.
De acordo com o analista Fernando Iglesias da Safras & Mercados, o anúncio de férias coletivas é uma forma que alguns frigoríficos encontraram para ajustar a produção ao atual cenário de mercado.
Salvaguarda
A salvaguarda adotada pela China não é exclusiva ao Brasil e incide apenas sobre volumes de carne bovina que ultrapassarem as cotas anuais estabelecidas para cada país. A cobrança adicional de 55% será aplicada somente a partir do terceiro dia após o volume alcançar 100% do limite. Portanto, não houve nova taxação imediata sobre as exportações brasileiras.
Produtores e profissionais do setor acompanham dados de exportação e exigências sanitárias que influenciam o acesso da carne brasileira aos mercados internacionais. Crédito: Imagem gerada por IA
Tratativas com a União Europeia
Em outra nota, o Mapa informou que a União Europeia ainda não apresentou resposta conclusiva à documentação enviada pelo governo brasileiro sobre os controles de antimicrobianos na produção animal. As tratativas abrangem cadeias como carne bovina, carne de aves, ovos, mel e pescado.
As exigências europeias passam a ser aplicadas em 3 de setembro de 2026. As normas proíbem, nos produtos destinados ao bloco, o uso de antimicrobianos para promoção de crescimento ou aumento de rendimento, além de substâncias reservadas ao tratamento de determinadas infecções humanas.
O Mapa afirma que não solicitou flexibilização das regras e defende que seu sistema de fiscalização, rastreabilidade e certificação permite liberar apenas produtos conformes. O ministério também argumenta que a adaptação ocorre progressivamente, conforme os ciclos produtivos de cada cadeia.
Para os exportadores, os dois temas exigem acompanhamento: na China, pelo avanço da utilização da cota; na União Europeia, pela definição sobre as garantias apresentadas pelo Brasil antes da entrada em vigor das novas condições.
A medida chinesa faz parte de um mecanismo de salvaguarda para controlar o aumento das importações de carne bovina. A regra prevê a cobrança adicional apenas sobre o volume que exceder a cota anual definida para cada país exportador.
O Mapa reforçou que publicações que circulam nas redes sociais apresentam a informação de forma incorreta ao indicar uma nova tarifa específica contra a carne brasileira. Segundo o ministério, não houve alteração recente nas condições de acesso da carne bovina do Brasil ao mercado chinês.


