O déficit primário de R$ 53,257 bilhões é puxado em grande parte por despesas que não são obrigatórias — as chamadas despesas discricionárias. Os dados revelam um descompasso preocupante entre receitas e gastos públicos.
Apenas no mês de maio, a receita do governo cresceu 5,5%, enquanto as despesas avançaram 9,4%. As despesas não obrigatórias, por sua vez, registraram um crescimento expressivo de 128%, a maioria inseridas em pacotes de bondades oferecidos pelo governo.
Está em andamento uma evolução muito importante das despesas do governo que não estão sendo compensadas pela arrecadação, que está batendo em nível recorde.
A evolução das despesas totais também chamou atenção: saíram de R$ 2,39 trilhões para R$ 2,63 trilhões no período analisado. Para ampliar a arrecadação e bancar esse nível de gastos, o governo precisa cobrar mais impostos, o que impacta diretamente o setor produtivo e a população.
Risco de desaceleração agrava o cenário
Um ponto adicional de preocupação levantado por Lucinda diz respeito à política monetária em curso. Com esse nível de taxa de juros, o que o Banco Central pretende é justamente puxar o freio, trazer uma desaceleração.
Na medida em que a economia desacelerar, o ritmo de arrecadação tende a cair, tornando ainda mais difícil sustentar o atual patamar de despesas.
No fechamento do mercado desta segunda-feira, o Ibovespa registrou queda de 0,05%, com volume de negócios em torno de R$ 10 bilhões — aproximadamente metade do que costuma ser movimentado em um dia normal.
O dólar subiu levemente, encerrando o dia cotado a R$ 5,17. Para os próximos dias, Lucinda destacou que o mercado estará atento aos dados do mercado de trabalho, que podem influenciar as apostas em torno de um possível corte de juros de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Banco Central.


