O mês de setembro é dedicado à música, à oralidade, à memória e às diferentes formas de expressão dos povos indígenas de Mato Grosso do Sul no Casulo – Espaço Cultural e Arte, em Dourados.
A partir deste sábado (12), das 9h às 13h30, o espaço recebe a primeira etapa da 4ª rodada do Festival de Música Indígena – Festival da Palavra Cantada, Contada e Dançada, realizada em conjunto com a 6ª MOCCA – Mostra Cênica Casulo.
A programação segue no domingo (13), das 9h às 17h30, com oficinas, teatro, música, contação de histórias e encontros entre artistas indígenas e não indígenas. A entrada é gratuita.
Ao longo de setembro, a quarta rodada do Festival terá formato itinerante, com atividades em diferentes territórios indígenas das cidades de Dourados, Amambai e Paranhos.
“A programação foi pensada em três etapas complementares. A primeira acontece no Casulo e promove encontros interculturais entre teatro, cinema, música e as palavras cantada e contada. A segunda realiza uma circulação pelos territórios indígenas de Amambai, Tapy’i Kora e Pirajuí, tendo como eixo a memória, o território e a transmissão de saberes. A terceira é voltada à formação de indígenas no âmbito de gestão e produção cultural na Escola Municipal Francisco Meirelles, em Dourados”, explica a coordenadora do Casulo, Júlia Aissa.
No sábado (12), a programação começa às 9h com as “Oficinas Teatrais Clandestinas: exercícios, práticas e criações para adiar o fim do mundo”, do Coletivo Clandestino, ministradas por Karla Neves e Igor Schiavo, com inscrições gratuitas e vagas limitadas. Às 18h30, a Pupa Filosófica promove o encontro “Experiências Interculturais de Atuação no Teatro e no Cinema”, com Rossandra Cabreira, Karla Neves, Abrísio Pedro e Ademilson Verga. Às 19h30, o público acompanha a apresentação de Jhonis DJ.
No domingo (13), as atividades iniciam às 9h, com continuidade das oficinas teatrais, desta vez ministradas por Adriano Paes. Às 15h, o grupo Ñandesy – “Nossas Mães”, da aldeia Panambizinho se apresenta.
“A presença das Ñandesy é muito importante porque traz para o Festival a palavra cantada como uma forma de expressão, mas também como uma maneira de transmitir conhecimentos, memórias e experiências. A proposta é reconhecer essas diferentes formas de conhecimento e colocá-las em circulação, respeitando os territórios e os próprios modos indígenas de fazer e compartilhar cultura”, afirma Júlia.
A programação de domingo segue às 15h30, com a contação de histórias “Luma e a Estrela Mágica”, do Itan Grupo de Teatro. Às 16h, tem o espetáculo “Estorvos! Se essa rua fosse nossa!”, do Coletivo Clandestino; e às 17h30 o encerramento fica com “Palavra Contada e Cantada” pela artista indígena Anarandá.
Para Abrísio Pedro, da etnia Guarani Kaiowá e integrante da produção do Festival, o trabalho amplia a visibilidade de artistas indígenas que nem sempre encontram espaço nos circuitos tradicionais do Estado.
“Os povos indígenas têm muitas pessoas com talento artístico em várias áreas. O Festival de Música Indígena é um dos caminhos para divulgar esses talentos que muitas vezes não tiveram oportunidade de mostrar seu potencial. A diferença é que o Festival procura fazer isso do jeito que os próprios indígenas querem divulgar e mostrar seu talento”, destaca ele que vê “a qualidade de artistas como Deivid, forrozeiro do Tekoha Tey’i Kue, em Caarapó, que é Guarani Kaiowá e toca forró na língua Kaiowá”.
Mais Cultura
A segunda etapa do Festival acontece de 14 a 17 de setembro, nos territórios indígenas de Amambai e Paranhos, incluindo a Retomada Tapy’i Kora e a Aldeia Pirajuí. Já a terceira etapa será realizada nos dias 25, 26 e 27 de setembro, com formação em gestão e produção cultural na Escola Municipal Francisco Meirelles, em Dourados.
Além das atividades artísticas e formativas, o projeto prevê registros e sistematização das experiências realizadas, contribuindo para a preservação e circulação de histórias, memórias e conhecimentos, sob consentimento dos indígenas.
“Parte dos resultados e dos registros autorizados vai contribuir com o projeto de Identificação de Referências Culturais dos Povos Kaiowá e Guarani, desenvolvido em articulação com o Iphan. É uma forma de documentar e fortalecer a valorização e preservação cultural”, argumenta Júlia.
A 4ª rodada da IV edição do Festival de Música Indígena – Festival da Palavra Cantada, Contada e Dançada e a 6ª MOCCA – Mostra Cênica Casulo são realizadas pelo Casulo – Espaço Cultural e Arte, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), Ministério da Cultura, por meio da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), Setesc.
Além do apoio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), da Aty Guasu Geral, Retomada Jovem Indígena (RAJ), escolas municipais Polo Indígena Mboe Erenda Ypyendy Retomada Tapy’i Kora e Prof. Adriano Pires e da Escola Estadual Santiago Benites – Extensão Pirajuí. Informações pelo Instagram @casulodourados.
Serviço
4ª rodada da IV edição do Festival de Música Indígena e 6ª MOCCA – Mostra Cênica Casulo
Data: sábado (12), das 9h às 18h, e domingo (13), das 9h às 17h30
Local: Casulo – Espaço Cultural e Arte
Endereço: Rua Reinaldo Bianchi, 398 – Parque Alvorada, Dourados
Classificação livre e entrada gratuita
Inscrições pelo Instagram @casulodourados


