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Em Mundo Novo, Eldorado e Caarapó, Riedel caminha ao lado das prefeitas e destaca investimentos

Moradoras e gestoras relatam impactos em áreas como proteção às mulheres, saúde, assistência social e infraestrutura. Entre os exemplos estão a 51ª Sala Lilás, instalada em Mundo Novo, e investimentos realizados com participação estadual em municípios que enfrentam limitações orçamentárias para executar projetos sozinhos.

Isaura Stocker Sversut vive em Mundo Novo há 52 anos. Foi ali que cresceu, formou a família e construiu a vida ao lado do marido, José Pedro Sversut. Depois de mais de cinco décadas acompanhando as mudanças do município, ela aponta uma transformação que pode parecer pequena para quem olha apenas para a estrutura do Estado, mas que ganha outra dimensão quando vista pelos olhos de uma mulher vítima de violência.

“Pra chegar numa delegacia e fazer um depoimento, pode ficar meio constrangida. Tendo mulheres pra atender, ela fica mais à vontade”, explica.

Isaura se refere à estrutura de atendimento especializado que passou a funcionar na Delegacia de Polícia Civil de Mundo Novo. O município recebeu a 51ª Sala Lilás implantada em Mato Grosso do Sul, espaço destinado ao atendimento humanizado de mulheres e crianças vítimas de violência doméstica ou sexual.

Para ela, a existência de um ambiente preparado para esse acolhimento representa mais do que uma mudança física dentro da delegacia.

“As mulheres precisam ser protegidas. É uma política pública de proteção que está funcionando aqui”, afirma.

Foi em Mundo Novo que o governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, iniciou uma agenda que passou também por Eldorado e Caarapó. Os três municípios têm necessidades diferentes, mas compartilham uma característica: são administrados por mulheres e mantêm parcerias com o Governo do Estado para investimentos e políticas públicas.

Em Mundo Novo, a própria estrutura de atendimento mencionada por Isaura é um exemplo dessa presença estadual. A coordenadora municipal de Políticas Públicas para as Mulheres, Elizete Soares, considera que a Sala Lilás atende a uma demanda que até pouco tempo não encontrava estrutura semelhante no município.

“A Sala Lilás é um avanço na política pública de proteção às nossas mulheres. Ela é necessária para o atendimento às vítimas de violência no município e veio atender essa necessidade”, afirma.

Mas a parceria entre Estado e município vai além da política de proteção às mulheres.

Quando o município não consegue investir sozinho

A prefeita de Mundo Novo, Rosária de Fátima Lucca Andrade (PSDB), chama atenção para uma dificuldade comum principalmente às cidades menores: depois de pagar as despesas necessárias para manter a máquina pública e os serviços funcionando, sobra pouco espaço no orçamento municipal para grandes investimentos.

É nesse ponto, segundo ela, que a participação do Governo do Estado ganha importância.

“A mão do Governo dentro do município pequeno é fundamental. Hoje, o dinheiro que os municípios têm está apertado, dando para manter o custeio. Qualquer tipo de investimento, os municípios pequenos não estão conseguindo fazer”, afirma.

Na avaliação da prefeita, o modelo municipalista adotado pelo Governo permite que investimentos em infraestrutura e outras áreas cheguem também às cidades de menor porte.

Para quem acompanha essas políticas a partir da prestação direta de serviços à população, o impacto aparece em situações mais concretas.

Cheila Mara Galina nasceu em Mundo Novo e vive no município há 52 anos. Há 15 anos atua na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), entidade que hoje preside. Do cotidiano da instituição, ela diz ter percebido mudanças particularmente na assistência social e na saúde destinadas às pessoas atendidas.

“Melhorou muito a questão da assistência social e da saúde para os nossos assistidos”, relata.

É uma perspectiva diferente daquela observada nos gabinetes. Para Cheila, políticas públicas não aparecem apenas na forma de obras ou programas anunciados pelo poder público, mas na capacidade de uma entidade conseguir oferecer melhores condições a quem depende diariamente desses serviços.

Mulheres à frente das cidades

A agenda de Riedel seguiu de Mundo Novo para Eldorado, onde a prefeitura também é comandada por uma mulher.

A prefeita Fabiana Lorenci (PP) afirma que a relação direta com o Governo do Estado ajuda municípios pequenos a apresentar demandas e buscar soluções para projetos que dificilmente poderiam executar sozinhos.

“Esse contato que ele tem com os gestores, com as prefeitas de todo o Estado e com a população faz toda a diferença”, diz.

Ao lado dela está a vice-prefeita Simoni Palonis da Silva (PP). A eleição das duas representou uma situação inédita para Eldorado: pela primeira vez, duas mulheres passaram a ocupar simultaneamente os cargos de prefeita e vice-prefeita.

Para Simoni, a parceria institucional ganha ainda outra dimensão diante das dificuldades que as mulheres ainda encontram ao ocupar espaços tradicionalmente dominados por homens.

“Como mulher, a gente tem que provar todo dia que tem capacidade. E a gente tendo esse apoio e reconhecimento, isso nos fortalece muito”, afirma.

A presença feminina nos comandos municipais também se repete em Caarapó.

O município é administrado pela prefeita Maria Lurdes Portugal (PL), ao lado da vice-prefeita Jéssica Duarte Valério (PL). Maria Lurdes aponta obras de infraestrutura, escolas, unidades de saúde e o hospital do município entre os exemplos de investimentos realizados com participação do Estado.

Para a prefeita, essa relação interfere diretamente na capacidade de planejamento das administrações municipais.

“Ter esse conforto de saber que você tem um governador parceiro faz toda a diferença. Dá segurança para continuar investindo e ser gestor de verdade, com responsabilidade”, afirma.

O Hospital Beneficente São Mateus, citado pela prefeita, foi inaugurado neste ano a partir de uma parceria que reuniu município, Governo do Estado, Câmara Municipal e direção da instituição.

Já a vice-prefeita Jéssica Duarte resume essa relação como uma divisão de responsabilidades entre Estado e município.

“O segredo do sucesso é essa parceria. Desde a nossa eleição, o governador Eduardo Riedel sempre abriu as portas para a gente, sempre nos acolheu, sempre esteve disposto a nos ajudar”, afirma.

Do município para o Estado

Ao passar pelas três cidades, Riedel defendeu que essa aproximação com as prefeituras não seja tratada como uma política restrita às administrações politicamente alinhadas ao Governo.

Segundo o governador, a estratégia adotada nos últimos anos é trabalhar em conjunto com os 79 municípios de Mato Grosso do Sul, principalmente em áreas nas quais as demandas locais exigem capacidade de investimento superior à disponível nas prefeituras.

“A gente vem cultivando essa relação com os municípios e, acima de tudo, entregando essas transformações. Nossa linha continua sendo trabalhar com os municípios, continua sendo o avanço nessa nova arquitetura da saúde, com a regionalização, e o fortalecimento da nossa educação”, afirmou.

Riedel reconheceu também que o crescimento econômico do Estado cria novas pressões sobre os serviços públicos.

Mais empresas e empregos significam também cidades que recebem novos moradores e passam a exigir mais habitação, segurança, infraestrutura, escolas, unidades de saúde e serviços públicos.

O governador definiu esse processo como uma “dor do crescimento”.

“O crescimento nos impõe desafios. Isso traz desafios na habitação, na segurança pública, na infraestrutura. Mas, se a gente gerir bem essa estrutura pública, com responsabilidade fiscal e com responsabilidade com a máquina pública, a gente vai superando os desafios”, disse.

Entre os indicadores citados por Riedel está o mercado de trabalho. Mato Grosso do Sul encerrou 2025 com taxa anual de desemprego de 3%, uma das menores do país, segundo o IBGE. Para o governador, a atração de investimentos privados e a agregação de valor às cadeias produtivas são parte desse processo.

“O principal ativo que foi construído ao longo desses anos se chama confiança e credibilidade com o mercado. As empresas estão vindo para cá, agregando valor à nossa cadeia produtiva, gerando emprego e renda”, afirmou.

Mas a passagem por Mundo Novo, Eldorado e Caarapó mostra também que os grandes indicadores estaduais só ganham sentido quando chegam ao município.

Podem aparecer na forma de uma obra que uma prefeitura pequena não conseguiria financiar sozinha, de um hospital construído por diferentes instituições, de melhores condições para os assistidos de uma Apae ou de um espaço reservado dentro de uma delegacia para que uma mulher consiga relatar uma violência sem se sentir ainda mais vulnerável.

Para Isaura, que observa Mundo Novo há mais de meio século, essa última mudança é especialmente concreta. A estrutura física pode ocupar apenas uma sala dentro de uma delegacia. Para quem precisa atravessar a porta e contar uma história de violência, porém, o significado é muito maior.

É justamente nessa distância entre a política pública anunciada e a política pública vivida que estará um dos desafios dos próximos anos: fazer com que o crescimento do Estado continue chegando aos municípios e, dentro deles, às pessoas que dependem dos serviços públicos no cotidiano.

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