– “Este espetáculo nasceu do desejo de transformar lembranças, afetos e relações humanas em movimento. A inspiração veio de memórias que atravessam o tempo e revelam como o amor pode permanecer presente em diferentes formas. A partir disso, buscamos construir uma coreografia sensível, que traduzisse sentimentos como saudade, cuidado, presença e ausência por meio da dança”, explica.
Ao transformar sentimentos íntimos em dança, o processo criativo exigiu revisitar lembranças profundas e traduzir emoções difíceis de serem verbalizadas. A construção do espetáculo também envolveu um trabalho delicado dos bailarinos para compreender não apenas os personagens retratados, mas a essência humana presente naquelas histórias.
“Transformar emoções tão profundas em movimento exigiu um processo muito cuidadoso. Cada gesto, deslocamento e composição em cena foi pensado para revelar sentimentos que muitas vezes não conseguimos expressar com palavras. Os bailarinos mergulharam nessa proposta para construir uma narrativa corporal verdadeira, sensível e aberta à interpretação do público”, afirma a coreógrafa.
Na direção do espetáculo, Chico Neller destaca que uma das forças da obra está justamente na possibilidade de cada espectador enxergar uma história diferente a partir das próprias experiências e memórias afetivas.
“Cartas escritas à mão carregam algo muito íntimo: quem escreve deixa rastros, memórias, silêncios, desejos e despedidas. E quem lê quase sempre completa os vazios com as próprias experiências. O público dificilmente verá apenas uma narrativa linear”, observa.
Em um cenário marcado pela velocidade das relações e pela comunicação digital, o diretor acredita que “Te Amo” surge também como um convite à desaceleração e à escuta emocional.
“Vivemos num tempo muito rápido, onde tudo passa depressa, inclusive os afetos. Este trabalho propõe justamente o contrário: um encontro mais humano, sensível e presente. A dança tem essa potência de fazer as pessoas respirarem um pouco mais devagar e se reconhecerem nas emoções que estão em cena”, pontua.
No palco, os bailarinos foram desafiados a expressar emoções intensas sem o apoio das palavras. Para Arthur Guilherme Justen de Almeida Fernandes, o espetáculo ampliou a compreensão sobre a própria dança e sobre a conexão com o público.
“Participando desse espetáculo, compreendi que dançar é mais do que realizar movimentos complexos com exatidão. Dançar é sentir, se expressar e passar uma mensagem através do nosso corpo. Aprendi que emocionar e se conectar com o público é tão importante quanto demonstrar habilidade e técnica”, afirma.
Já a bailarina Sttefany Karoline Rodrigues Festi destaca o impacto emocional vivido durante a construção das cenas e a necessidade de verdade na interpretação corporal.
“A dança tem esse poder de falar sem precisar de palavras, então tivemos que sentir tudo de verdade para conseguir transmitir ao público apenas com o corpo. Como pessoa, esse espetáculo me fez sentir mais conectada comigo mesma e com tudo aquilo que sinto”, diz.
Mais do que contar uma história específica, “Te Amo” propõe ao público um mergulho em afetos universais, nas relações que resistem ao tempo e nas memórias que continuam existindo mesmo depois das despedidas.
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