A internacionalização, segundo o diretor geral Dannon Lacerda, nasce de um processo orgânico de escuta e amadurecimento do festival.
– “A internacionalização não surge como um movimento oportunista, mas como consequência direta de um processo de escuta e observação curatorial. Já na primeira edição, identificamos um interesse espontâneo de realizadores estrangeiros, que inscreveram suas obras mesmo sem previsão regulamentar. Isso revelou não apenas uma demanda reprimida, mas também um potencial de inserção do festival em um circuito mais amplo”.
Para além do gesto curatorial, a decisão também dialoga com a posição estratégica de Mato Grosso do Sul no mapa cultural sul-americano.
– “Do ponto de vista geopolítico e cultural, Mato Grosso do Sul ocupa uma posição estratégica na América do Sul, fazendo fronteira com países como Paraguai e Bolívia, o que naturalmente favorece trocas culturais. Na prática, a internacionalização amplia o horizonte curatorial do festival, transformando-o em um espaço de circulação de olhares, estéticas e narrativas diversas”.
Serão quatro mostras competitivas: Curta Brasil, Curta MS, Curta Doc e a inédita Curta Internacional. Assim, o festival reforça que a abertura ao exterior não desloca o olhar para o território local, mas o amplia.
– “A internacionalização não substitui, mas expande. As mostras Curta MS e Curta Brasil permanecem como eixos estruturantes do festival. A ideia é colocar essas obras em relação, permitindo que o cinema produzido em Mato Grosso do Sul seja visto dentro de um contexto mais amplo, sem perder sua especificidade”.
O crescimento do festival também reflete aprendizados das edições anteriores, especialmente no que diz respeito à experiência do público e à criação de espaços de encontro.
– “O principal aprendizado foi compreender que um festival de cinema não se constrói apenas pela sua programação, mas também pelo modo como ele articula encontros. A experiência do espectador envolve contexto, debate e pertencimento, e é isso que buscamos aprofundar nesta terceira edição”.
Fiel à sua proposta desde a criação, o Curta Campo Grande segue dedicado exclusivamente ao curta-metragem, formato que, para Dannon, permanece essencial para o cinema contemporâneo.
– “O curta-metragem é o espaço mais radical de invenção dentro do cinema. É onde a linguagem se tenciona, onde o risco é possível e onde o realizador pode experimentar sem as amarras de uma lógica industrial mais rígida. Como lembrava o cineasta iraniano Abbas Kiarostami, muitas vezes é no curta que reside o espaço de maior liberdade criativa”.
Podem se inscrever filmes brasileiros e internacionais finalizados em 2025 ou 2026, com duração de até 30 minutos. As obras selecionadas disputarão o Troféu Tuiuiú em categorias técnicas e artísticas, além do voto popular, que segue como uma das marcas do festival.
Com a expansão para o cenário internacional, o Festival Curta Campo Grande amplia seu papel como ponto de conexão entre o cinema brasileiro e a produção sul-americana e global.
O festival conta com apoio da Fundtur (Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul) e do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul. Outras informações pelo Instagram (@festivalcurtacampogrande).
Serviço
Festival Curta Campo Grande
Inscrições: 1º de maio a 30 de junho de 2026
Realização: 26 a 31 de outubro de 2026 – Campo Grande (MS)
Site: www.festivalcurtacampogrande.
Redes sociais: @festivalcurtacampogrande


