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Festival de Música Indígena promove oficina sobre elaboração de projetos culturais

A  oficina de escrita de projetos faz parte do Programa Cultivar e foi inserida na programação do Festival. O objetivo da ação é ampliar a autonomia de artistas e produtores — indígenas e não indígenas — em editais.

Transformar uma ideia em projeto cultural exige mais do que criatividade. É preciso compreender editais, organizar objetivos, elaborar cronogramas, construir orçamentos e apresentar uma proposta de forma adequada aos critérios de cada chamada.

É a partir dessa perspectiva que o Casulo – Espaço de Cultura e Arte recebe, de sexta (25) a domingo (27), a oficina de escrita de projetos culturais com a Arado Cultural, encerrando a programação de setembro do IV Festival de Música Indígena.

A oficina é presencial, gratuita, com 20 horas de duração e vagas limitadas, destinadas prioritariamente a estudantes da rede pública de ensino, indígenas, migrantes, pessoas trans e travestis.

A atividade faz parte do bloco de oficinas de curta duração do Programa Cultivar que já ofereceu outros três cursos: iluminação cênica, produção musical e sonoplastia.

A formação será conduzida pelo artista e produtor cultural Marcos Mattos, da Arado Cultural, que, a partir de sua experiência nas artes e na dança em Campo Grande, vai compartilhar caminhos, ferramentas e experiências práticas sobre gestão, produção e elaboração de projetos.

“A proposta é apresentar aos participantes as etapas necessárias para que uma iniciativa cultural saia do campo das ideias e possa ser estruturada como projeto. Entre os conteúdos estão aspectos relacionados à leitura e interpretação de editais, identificação dos requisitos técnicos, elaboração de objetivos e justificativas, planejamento, orçamento, cartas de anuência e demais documentos que costumam integrar uma inscrição”, explica a coordenadora do Casulo, Julia Aissa.

A intenção é que os participantes compreendam o que diferentes editais têm em comum e desenvolvam ferramentas para adaptar suas propostas às especificidades de cada oportunidade.

“Outro ponto que um projeto requer atenção é a elaboração orçamentária visto a demora em alguns editais na liberação de recursos. Então, nesse intervalo, transporte, hospedagem, alimentação e outros custos podem sofrer alterações importantes por causa da inflação. Pensar em como minimizar esses impactos também precisa fazer parte do planejamento. Caso contrário, muitas vezes é o próprio proponente que acaba tendo de tirar dinheiro do bolso para conseguir concluir uma ação que já foi aprovada”, explica Aissa.

A oficina marca a terceira e última etapa da programação de setembro do IV Festival de Música Indígena. A quarta rodada do festival foi organizada em três momentos: a primeira etapa aconteceu no Casulo, em Dourados; a segunda levou atividades para territórios indígenas nas cidades de Amambai e Paranhos; e agora a programação retorna a Dourados com a oficina de projetos culturais.

Nos territórios indígenas, a recepção das comunidades demonstrou interesse pela proposta do festival de valorizar a cultura Guarani Kaiowá. Para Duadino Martines, diretor de uma escola Guarani Kaiowá, receber ações voltadas à valorização da cultura indígena fortalece a identidade e os saberes entre os jovens.

“Para nós é motivo de muito orgulho, porque nossa escola e nossa comunidade são muito abertas para a valorização da nossa cultura. A questão da língua materna e da nossa identidade são coisas muito importantes. Então, ter ações como essas e parceiros que valorizam é de suma importância. E sempre tivemos um olhar especial para nossas crianças. Tem criança que anda de quatro a cinco quilômetros a pé para vir até a escola, então ter um projeto itinerante é de suma importância”, destaca.

Para Algacir Amarilia, coordenador de Prática Inovadora, a presença do festival complementa as ações desenvolvidas pela escola.

“O Festival vem para contemplar tudo o que a gente já realiza na escola, porque complementa as atividades e incentiva ainda mais para que os alunos queiram vir e permanecer na escola”.

A realização da oficina também reforça a integração entre os projetos desenvolvidos pelo Casulo. A atividade é realizada por meio do Programa Cultivar, que mantém uma programação contínua de formação artística e cultural.

“O Casulo tem uma agenda que não para e as atividades estão sempre interligadas. Por uma questão de agenda da casa, decidimos realizar essa oficina do Programa Cultivar dentro das atividades do Festival de Música Indígena, e isso acaba fortalecendo os dois projetos”, explica Julia.

Em 2024, o Cultivar ofereceu 250 vagas gratuitas em oficinas artísticas e, neste ano, contempla modalidades como teatro, artes visuais, capoeira, canto, circo, dança do ventre, espanhol, violão e práticas dramatúrgicas.

A programação integra as ações de formação e democratização do acesso à cultura desenvolvidas pelo Casulo, que também integra a Rede Nacional de Escolas Livres de Arte e Cultura.

Os projetos contam com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, Ministério da Cultura, via FCMS e SETESC, além do apoio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Aty Guasu Geral, Retomada Jovem Indígena (RAJ), E.M. Polo Indígena Mboe Erenda Ypendy, Retomada Tapy’i Kora, Escola Estadual Santiago Benites – extensão Pirajuí e Escola Municipal Prof. Adriano Pires. Informações pelo Instagram @casulodourados.

Serviço

Oficina de Elaboração de Projetos Culturais – Arado Cultural

Programação: sexta (25) a domingo (27)
Sexta-feira (25): 19h às 22h
Sábado (26) e domingo (27): 8h às 18h, com intervalo para almoço

Local: Casulo – Espaço de Cultura e Arte
Endereço: Rua Reinaldo Bianchi, 398, Parque Alvorada, Dourados/MS

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