O mercado brasileiro de fundo para ativos florestais começa a ganhar espaço entre investidores institucionais, impulsionado pelo aumento da demanda por madeira para abastecer tanto a indústria de celulose quanto segmentos ligados à geração de energia renovável. Embora ainda represente cerca de R$ 10 bilhões em fundos no país, o segmento passa a atrair novas estratégias de investimento voltadas ao cultivo de florestas de eucalipto.
Um dos movimentos nesse sentido é a estruturação de um Fiagro de aproximadamente R$ 1 bilhão, com prazo de 15 anos e início da captação previsto para setembro. O fundo deverá adquirir inicialmente cerca de cinco propriedades, somando aproximadamente 20 mil hectares, destinados ao plantio de eucalipto para fornecimento de madeira à indústria de celulose e, principalmente, para o mercado de bioenergia, que abastece setores como usinas de etanol de milho, esmagadoras de soja e siderúrgicas.
“O Brasil vem recebendo novos projetos industriais ligados ao agronegócio que passaram a consumir madeira como fonte de energia. Isso criou uma nova perspectiva para regiões onde antes havia basicamente soja, milho e pecuária”, afirmou Paulo Mesquita, cofundador da Riza Asset e responsável pela área de agronegócio.
Segundo o executivo, o avanço do consumo de biomassa ampliou o interesse por regiões próximas a polos de processamento de grãos e de produção de etanol de milho. A estratégia prioriza áreas de pastagens degradadas, que ainda apresentam preços inferiores aos das regiões tradicionais de silvicultura. Enquanto áreas consolidadas para o cultivo de eucalipto em Mato Grosso do Sul chegam a cerca de R$ 35 mil por hectare, outras regiões ainda registram valores próximos de R$ 18 mil por hectare.
“A ideia é usar nossa expertise em terras agrícolas para a aquisição dos ativos e para a implantação das florestas”, comenta ele, que cita seu fundo de terras Riza Terrax, listado na B3 desde 2020, com R$ 1,85 bilhão em valor de mercado.
Além da comercialização da madeira, a estratégia prevê receitas com créditos de carbono e com a valorização das propriedades ao longo do ciclo de investimento. Como o corte do eucalipto ocorre, em média, a cada sete anos, parte do capital deverá ser devolvida aos investidores nesse período, enquanto a liquidação final está prevista para o fim do prazo de 15 anos.
O movimento também reflete o aumento da procura de investidores institucionais internacionais por ativos reais de longo prazo, especialmente aqueles associados a projetos com atributos ambientais. Caso haja boa demanda, a expectativa é que novos fundos com foco em ativos florestais sejam lançados nos próximos anos.


