O anúncio do Plano Safra 2026/2027 vai acontecer na manhã da terça-feira (30), em Brasília. O Plano Safra oferece linhas de crédito, incentivos e políticas agrícolas para produtores rurais. No âmbito do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), estão o crédito rural e os programas destinados a médios e grandes produtores.
Também na terça, no período da tarde, será lançado o Plano Safra da Agricultura Familiar, um conjunto de medidas voltadas à geração de renda no campo e à produção de alimentos que vão à mesa de todas as famílias brasileiras.
Previsão
Embora o valor total, as taxas de juros por linha e o desenho do novo seguro rural só venham a ser conhecidos com a publicação oficial do pacote, parte da base regulatória do novo ciclo já está posta. Em 25 de junho, o Conselho Monetário Nacional (CMN) publicou duas resoluções com vigência a partir de 1º de julho.
As propostas dos ministérios somam cerca de R$ 652 bilhões, aproximadamente 10% acima do ciclo atual. As estimativas apontam algo em torno de R$ 550 a R$ 570 bilhões para médios e grandes produtores e cerca de R$ 82 bilhões para a agricultura familiar.
No ciclo 2025/26, a agricultura empresarial contou com R$ 516,2 bilhões, com juros de custeio entre 10% e 14% ao ano; para 2026/27, discute-se corte de até 2 pontos percentuais, em meio a forte restrição fiscal.
Em perspectiva histórica, o crédito para a agricultura empresarial saiu de R$ 222,7 bilhões em 2019/20 para R$ 364,2 bilhões em 2023/24, R$ 400,6 bilhões em 2024/25 e R$ 516,2 bilhões em 2025/26 — neste último ciclo já com a incorporação das Cédulas de Produto Rural (CPR) ao cômputo do plano.
O que mais pesa no anúncio do Plano Safra
O que mais pesa no Plano Safra é a parcela subsidiada. Mais do que o tamanho global do plano, o que define o custo real do financiamento é a fatia subsidiada.
O crédito rural divide-se entre recursos controlados — com juros fixos, sustentados pela equalização bancada pelo Tesouro — e recursos livres, contratados a taxas de mercado, próximas à Selic.
Nos últimos ciclos, o volume controlado manteve-se praticamente estável, em torno de R$ 189 bilhões, enquanto o total cresceu à custa dos recursos livres: em 2024/25 eram R$ 189 bilhões controlados para R$ 211,5 bilhões livres; em 2025/26, os mesmos R$ 189 bilhões controlados ante R$ 327 bilhões livres.
O custo da equalização do ciclo atual foi estimado por analistas do setor em torno de R$ 58 bilhões. Por isso, num momento de endividamento elevado — com o governo discutindo a renegociação de cerca de R$ 82 bilhões em dívidas do setor — e de maior risco climático, o que de fato importa ao produtor é quanto será reservado às linhas com juros equalizados e à subvenção do seguro rural. Recursos livres ampliam o número total anunciado, mas chegam ao campo a taxas de mercado; a parcela subsidiada e o seguro subvencionado é que determinam o custo efetivo do crédito.
Recursos controlados × livres — agricultura empresarial (R$ bilhões)
| CICLO | CONTROLADOS | LIVRES | TOTAL |
|---|---|---|---|
| 2024/25 | 189,1 | 211,5 | 400,6 |
| 2025/26 | 189,0 | 327,0 | 516,2 |
| Variação | estável | +54,6% | +28,9% |
Entre os dois ciclos, todo o crescimento do crédito empresarial veio dos recursos livres, contratados a taxas de mercado; a parcela controlada, com juros subsidiados, manteve-se praticamente estável — parte desse avanço também reflete a incorporação das Cédulas de Produto Rural (CPR) ao cômputo do plano em 2025/26.
Agricultura familiar – Pronaf
O Plano Safra da Agricultura Familiar, conduzido pelo MDA, segue lógica semelhante, mas com juros bem mais baixos e quase integralmente subsidiados.
No ciclo 2025/26, o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) ofertou R$ 78,2 bilhões em crédito — parte de um pacote de R$ 89 bilhões que inclui ainda seguro, compras públicas e assistência técnica —, com taxas de 0,5% a 8% ao ano: 3% para a produção de alimentos da cesta básica e 2% para orgânicos e agroecológicos.
Para 2026/27, a expectativa do MDA é de aumento de cerca de 5%, para R$ 82 bilhões, com manutenção das taxas (faixa de 2% a 6%, e de 6,5% a 8% em itens específicos).
A forte demanda reforça a relevância do programa: até maio, já haviam sido acessados R$ 60,9 bilhões, quase 80% do total disponibilizado. Por concentrar recursos equalizados e juros reais baixos — em alguns casos negativos —, o Pronaf é o exemplo mais nítido de que, no crédito rural, o que de fato pesa para o produtor é a parcela subsidiada.
Agricultura familiar — crédito do Pronaf (R$ bilhões)
| CICLO | PRONAF |
|---|---|
| 2024/25 | 76,0 |
| 2025/26 | 78,2 |
| 2026/27 (esperado) | ~82,0 |
Diferentemente do crédito empresarial, dominado por recursos livres, o Pronaf é quase totalmente subsidiado, com juros reais baixos — em alguns casos negativos — para a produção de alimentos. Os valores de 2026/27 são expectativa e dependem da publicação oficial.


