O amor como ferramenta de resistência, autocuidado e fortalecimento da identidade será o tema central da roda de conversa “Vamos Falar de Amor”, promovida pelo Grupo TEZ (Trabalhos e Estudos Zumbi), como ação do Pontão de Cultura Egbé TEZ, neste sábado, 18 de julho, a partir das 16h, no Jardim Secreto, localizado na Rua Barão do Melgaço, 180, Centro, em Campo Grande.
O encontro integra a programação do Julho das Pretas e propõe um espaço de acolhimento, escuta e compartilhamento de experiências entre mulheres negras, pretas e pardas.
A programação começa às 16h com apresentação musical da cantora Marta Cell. Em seguida, às 16h20, a presidente do Grupo TEZ, Bartolina Catanante (Bartô), falará sobre a importância do programa Cultura Viva como instrumento de fortalecimento das comunidades e da identidade negra.
Às 16h40, a Profª. Dra. Irineia Lina Cesario, assessora técnica da Subsecretaria de Políticas Públicas para a Promoção da Igualdade Racial, conduzirá uma reflexão sobre o tema “Ser Mulher”, seguida por uma roda aberta para que o público compartilhe suas vivências.
Para Irineia, discutir o amor entre mulheres negras é também discutir permanência, dignidade e reconhecimento. “
– Falar de amor é falar de resistência, de autocuidado, principalmente para nós que historicamente cuidamos dos outros. É falar de afeto, de dignidade e também de pertencimento a um povo que lutou e luta pelo direito de existir. É também reconhecer e valorizar a história e a potência das mulheres negras em uma sociedade que ainda nos invisibiliza”, afirma.
Ela destaca que o fortalecimento das mulheres negras acontece tanto nas trajetórias individuais quanto nas experiências coletivas.
– “Nos fortalecemos contando nossas histórias, compartilhando as diferentes formas de enfrentar as adversidades, construindo identidades raciais positivas, buscando conhecimento sobre nossa ancestralidade, praticando o autocuidado e conquistando autonomia econômica e financeira”, ressalta.
Segundo Bartô, criar espaços como esse faz parte da missão histórica do Grupo TEZ de promover encontros que fortaleçam a autoestima, a identidade e o protagonismo da população negra.
– “O amor também é uma forma de resistência. Quando mulheres negras se reúnem para falar de suas histórias, de seus afetos e de suas conquistas, elas reafirmam o direito de existir plenamente e constroem caminhos para que outras mulheres também reconheçam sua força e seu lugar na sociedade”.
A literatura também ocupa um papel essencial nessa construção. Para Irineia, escritoras como Conceição Evaristo, Carolina Maria de Jesus e a sul-mato-grossense Maria Carol demonstram que assumir a própria narrativa é um ato de transformação.
– “A literatura, a cultura e a valorização da nossa ancestralidade ampliam nossa compreensão sobre o mundo e sobre nós mesmas. As nossas narrativas, passadas e presentes, são combustível para construirmos o futuro que desejamos”.
Aberto ao público, o encontro convida mulheres negras, pretas e pardas, além de toda a comunidade interessada, para uma tarde de diálogo, música e fortalecimento coletivo, reafirmando que falar de amor é também celebrar a vida, a memória e a potência das mulheres negras.
O Pontão de Cultura Egbé TEZ conta com investimento da PNAB (Política Nacional Aldir Blanc).


