O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães (PT-CE), saiu em defesa do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), após o parlamentar ser alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (18/6).
Em agenda em Sergipe, Guimarães afirmou que o senador terá “todo o direito e a proteção” do governo para apresentar sua versão sobre os fatos, mas ressaltou que as investigações envolvendo o Banco Master devem prosseguir “doa a quem doer”.
Segundo o ministro, a orientação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é garantir transparência nas apurações. “Nós queremos que tudo seja apurado ao rigor da lei, com direito ao contraditório e à autodefesa, mas não vamos botar nada para debaixo do tapete”, declarou.
Guimarães acrescentou que a administração federal recebe com “absoluta naturalidade” a nova fase da operação e defendeu a autonomia da Polícia Federal.
O chefe da articulação política do Planalto também afirmou que eventuais facilidades concedidas ao Banco Master no Congresso não tiveram relação com orientações do Executivo.
“O governo não tem nada a ver com projetos que tramitaram na Câmara ou no Senado. Se eventuais facilidades foram feitas, não foram orientação do nosso governo. Nossa posição é clara: apura-se tudo, doa a quem doer”, disse.
Ao comentar a situação de Jaques Wagner, Guimarães afirmou ter confiança no senador e evitou discutir uma eventual saída do petista da liderança do governo no Senado.
Segundo ele, essa é uma decisão que cabe exclusivamente ao presidente Lula. “Jaques Wagner é um companheiro em quem tenho a maior confiança e terá todo o direito de se explicar e apresentar a sua versão”, afirmou
De acordo com a Polícia Federal, Wagner teria atuado em temas de interesse do Banco Master no Congresso, incluindo discussões sobre crédito consignado, Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e a aquisição da instituição pelo Banco de Brasília (BRB).
As suspeitas constam da decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso, que autorizou mandados de busca e apreensão no âmbito da investigação.
Na decisão, Mendonça reproduziu informações da PF segundo as quais conversas por telefone e mensagens trocadas entre Jaques Wagner e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, indicariam que o senador não atuava apenas como “destinatário passivo” de informações, mas como “interlocutor relevante em temas sensíveis ao grupo econômico investigado”.
Apesar das suspeitas, Guimarães afirmou que o foco do governo permanece na votação de pautas prioritárias no Congresso, como a PEC da Segurança Pública, o debate sobre a jornada de trabalho 6×1 e o projeto sobre terras raras e minerais críticos.


