De acordo com informações do Projeto SIGA/MS, executado pela Aprosoja/MS, com recursos do Fundems/Semadesc, na primeira safra 2025/2026, foram mapeados mais de 68 mil hectares irrigados em Mato Grosso do Sul.
Ainda de acordo com informações do Projeto, mais de 35 mil hectares de soja foram irrigados na safra de verão, seguidos por arroz, pastagem e cana-de-açúcar.
A diferença nas áreas irrigadas, já é percebida nos dados de produtividade, como explica o coordenador técnico da Aprosoja/MS, Gabriel Balta.
– “As regiões Leste e Cone Sul de Mato Grosso do Sul apresentam grande potencial para a ampliação da irrigação, principalmente pela disponibilidade de áreas agrícolas e pelas condições favoráveis para o desenvolvimento de sistemas irrigados. Três Lagoas demonstra como a irrigação pode impactar diretamente os resultados da lavoura. Apesar da pequena área cultivada com soja, o município alcançou elevada produtividade graças ao uso da tecnologia. Esse cenário reforça o potencial de expansão da irrigação”.
Dados recentes do MS Irriga mostram que, além da cultura da soja, a irrigação também é uma alternativa para assegurar a estabilidade produtiva do milho e driblar irregularidades de chuvas, elevando a produtividade. A irrigação é uma garantia para o produtor, que deixa de depender das condições climáticas e assume o controle da produção.
O produtor rural e diretor da Aprosoja/MS, Luis Alberto Moraes (Mandi) aponta que a irrigação permite a diversificação de culturas e até uma terceira safra em sua propriedade no município de Maracaju.
– “A irrigação é importante ferramenta para a gestão do risco climático. Além disso, não menos importante, a irrigação proporciona novas alternativas para diversificação de culturas. Através da irrigação, hoje conseguimos fazer uma terceira safra. Mas é importante dizer que temos dificuldades também, o alto custo do investimento inicial e também o alto custo da energia elétrica”, pondera.
Em um cenário de eventos climáticos cada vez mais frequentes, investir em irrigação representa não apenas um ganho de produtividade, mas também uma forma de garantir a continuidade e a estabilidade da produção agrícola ao longo dos anos.
Homenagem no Senado
Nesta segunda-feira (15) foi comemorado o Dia da Agricultura Irrigada, atividade que encontra um grande potencial de desenvolvimento em Mato Grosso do Sul, devido à abundante oferta de recursos hídricos.
A contribuição dos produtores e das tecnologias de irrigação para o desenvolvimento da agricultura brasileira foram celebrados nesta segunda-feira (15) em Plenário.
O Senado promoveu sessão especial pelo Dia Nacional da Agricultura Irrigada, celebrado anualmente nessa data. Durante a solenidade, senadores e convidados ressaltaram o papel da irrigação para ampliar a produtividade agrícola, fortalecer a segurança alimentar, impulsionar o desenvolvimento regional e promover a sustentabilidade no campo.
Autor do requerimento para a realização da sessão (RQS 321/2026), o senador Eduardo Gomes (PL-TO) destacou a importância da agricultura irrigada.
– “O perímetro de irrigação tratado com sustentabilidade, com boa engenharia e dando acesso direto às pessoas para que esses recursos sirvam como produção de riqueza é a saída não só para o Tocantins, mas para um Brasil que precisa tratar bem os seus recursos hídricos e fazer com que a força econômica desse resultado financie as questões de sustentabilidade, de educação ambiental, de todo um ecossistema que precisa funcionar para a geração de riqueza com qualidade de vida”, afirmou.
Segundo Giuseppe Serra Seca Vieira, secretário nacional de Segurança Hídrica, a agricultura irrigada deve ser compreendida como política pública estratégica para o desenvolvimento nacional.
– “Poucas agendas possuem a capacidade de conectar simultaneamente segurança hídrica, segurança alimentar, geração de emprego e renda com desenvolvimento regional, com adaptação às mudanças climáticas e com inclusão produtiva”, declarou, ao destacar o caráter colaborativo da agricultura irrigada.


