Cresce dentro do PSD a possibilidade de o partido concorrer a disputa presidencial com uma chapa puro-sangue.
O presidente do partido, Gilberto Kassab, admitiu ontem a hipótese de tornar-se o vice de Ronaldo Caiado, num movimento que pretende afastar a campanha do discurso naturalmente radical antipetista de Flávio Bolsonaro (PL), mas que vem sendo adotado também por Romeu Zema (Novo).
A ideia é que uma eventual dobradinha Caiado-Kassab continue representando o espectro da direita, com a com a possibilidade de agregar votos de centro que buscam uma alternativa ao discurso extremista.
O presidente do PSD divulgou uma nota na qual admite que pode se lançar na disputa com o ex-governador de Goiás, mas que só o faria com a aquiescência do partido.
– “Sinto-me muito honrado com as manifestações dos companheiros Jorge Bornhausen e Heráclito Fortes indicando meu nome para vice de Ronaldo Caiado. (…) Como presidente e militante do PSD, coloco-me à disposição para ouvir e acatar qualquer decisão coletiva, sabendo, de antemão, que ela será a melhor para o futuro do nosso projeto. Obviamente, a palavra final deve ser do nosso candidato, depois de ouvidas todas as instâncias partidárias e o conjunto de nossas forças apoiadoras”, afirmou Kassab, em publicação nas redes sociais.
Em abril, Kassab afirmara que a escolha do vice “não estava sendo discutida” por acreditar que o partido tinha tempo para articulações. A ideia inicial era definir o segundo nome da chapa mais perto das convenções. Mas o cenário mudou na semana passada com o “fator Daniel Vorcaro”.
No primeiro caso, o desgaste de Flávio Bolsonaro por conta dos diálogos mantidos com o dono do Banco Master para o financiamento do filme Dark Horse, que conta a trajetória do pai rumo a Presidência da República. No segundo, a ação da Polícia Federal (PF) pela oitava fase da Operação Carbono Oculto contra o ex-governador fluminense Cláudio Castro (PL).
Para aumentar ainda mais o desgaste das hostes bolsonaristas no Rio de Janeiro, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou, na sexta-feira, o pedido da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) para que o deputado Douglas Ruas (PL), presidente da Casa, assumisse interinamente o governo do estado.
A negativa reforça a pré-campanha de Eduardo Paes (PSD) ao Palácio Guanabara e dá a Caiado um palanque forte no estado, que é o berço político do clã Bolsonaro.
A hipótese de uma chapa puro-sangue do PSD também passou a ser avaliada depois da conversa entre Caiado e Zema, na segunda-feira, quando tomarfam café da manhã no escritório do ex-governador goiano em São Paulo.
A ideia era atrair o ex-governador de Minas Gerais aproveitando o fato de que as críticas que fez a Flávio Bolsonaro causaram incômodo em setores do partido Novo, que pretendem se atrelar ao PL em alguns estados a fim de reforçar a bancada da extrema-direita no Senado, a partir da próxima legislatura.
Zema, porém, deixou claro que pretende levar o projeto presidencial até o fim e, em tom bem humorado, perguntou por que em vez de uma chapa Caiado-Zema não seria melhor uma dobradinha Zema-Caiado.


