A UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), inaugurou o Laboratório Modular Copa H2, espaço voltado ao desenvolvimento de pesquisas sobre a mistura de hidrogênio verde com GLP (Gás Liquefeito de Petróleo) para aplicação industrial, com foco na redução de emissões de poluentes e no aumento da eficiência energética.
O laboratório é fruto de parceria entre a UFMS e a Copa Energia, conta com o apoio do Governo do Estado, por meio da Fundect e deve impulsionar o desenvolvimento de uma solução inédita no Brasil para utilização industrial de combustíveis mais limpos. A expectativa é que, até o fim de 2026, a tecnologia esteja em operação em clientes da companhia.
Representando a Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), o secretário-executivo de Ciência, Tecnologia e Inovação, Ricardo Senna, destacou o papel da integração entre universidades, setor produtivo e governo na transformação do conhecimento científico em inovação aplicada.

– “É possível aproximar universidade e mercado. Existem instrumentos como acordos de confidencialidade, e estamos criando uma trilha de apoio aos Núcleos de Inovação Tecnológica, como a Aginova da UFMS. A universidade precisa estar preparada: com advogados para contratos, economistas para planos de negócios e equipes técnicas para apresentar projetos”, afirmou Senna. Também participaram da inauguração o diretor de biometano e inovação da Copa Energia, Luiz Felipe Pellegrini; a reitora da UFMS, Camila Ítavo; e o diretor-científico da Fundect, Saulo Moreira.
O laboratório será utilizado em pesquisas para desenvolvimento de uma mistura menos poluente entre GLP e hidrogênio verde, combustível produzido a partir da água com uso de energia renovável. O objetivo é reduzir emissões de gás carbônico (CO₂) e óxidos de nitrogênio (NOx), gases associados ao efeito estufa e a problemas respiratórios.
Coordenador da pesquisa, o professor do Instituto de Física da UFMS, Cauê Alves Martins, explicou que o projeto envolveu cerca de 20 pesquisadores e profissionais ao longo de 20 meses de estudos. A tecnologia utiliza um equipamento chamado MixOby (“oby” significa verde em tupi-guarani), desenvolvido pela própria universidade. “Esse equipamento produz hidrogênio renovável a partir da água e é usado com energia solar. Depois, o hidrogênio é diretamente injetado, em tempo real, na linha de GLP do cliente Copa Energia”, explicou o pesquisador.
A proposta é oferecer uma alternativa mais sustentável para setores industriais como alimentos e produção de vidros planos, reduzindo a pegada de carbono sem comprometer a capacidade energética.
Para Ricardo Senna, o laboratório reforça o protagonismo de Mato Grosso do Sul em soluções alinhadas à meta de neutralidade de carbono e à nova economia verde. “A inauguração desse laboratório é estratégica para o Mato Grosso do Sul e para o Brasil. Vamos apoiar para que ele ajude a tornar o Estado carbono neutro e crie competitividade para o setor empresarial na energia. Universidades são o lugar onde se constrói o futuro”, finalizou.


