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domingo, 9 agosto 2026
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Mato Grosso do Sul pode ser beneficiado com Fundo de R$ 1 bi para plantio de eucalipto destinado à indústria da celulose

A iniciativa acompanha uma mudança no perfil de consumo de madeira no país, impulsionada pela instalação de novos projetos industriais ligados ao agronegócio.

O mercado brasileiro de fundo para ativos florestais começa a ganhar espaço entre investidores institucionais, impulsionado pelo aumento da demanda por madeira para abastecer tanto a indústria de celulose quanto segmentos ligados à geração de energia renovável. Embora ainda represente cerca de R$ 10 bilhões em fundos no país, o segmento passa a atrair novas estratégias de investimento voltadas ao cultivo de florestas de eucalipto.

Um dos movimentos nesse sentido é a estruturação de um Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro), de aproximadamente R$ 1 bilhão, com prazo de 15 anos e início da captação previsto para setembro.

O fundo deverá adquirir inicialmente cerca de cinco propriedades, somando aproximadamente 20 mil hectares, destinados ao plantio de eucalipto para fornecimento de madeira à indústria de celulose e, principalmente, para o mercado de bioenergia, que abastece setores como usinas de etanol de milho, esmagadoras de soja e siderúrgicas.

Fundo pode investir em Mato Grosso do Sul

Com o Vale da Celulose em Mato Grosso do Sul em plena expansão, com as obras do projeto Sucuriú da Arauco, em Inocência, o Fundo pode adquirir terras no estado para plantio de florestas de eucalipto.

O Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais foi constituído sob as leis brasileiras, com CNPJ nacional e possui capacidade financeira para adquirir grandes extensões de imóveis rurais no estado, respeitando as normas aplicáveis a qualquer pessoa jurídica brasileira.

O estado é o segundo maior produtor de celulose do Brasil e o líder absoluto nas exportações do setor no país, abriga megafábricas de atuação global e expande rapidamente sua capacidade industrial e área de cultivo de eucalipto.

Atualmente são 4 fábricas de celulose em operação (3 em Três Lagoas e uma em Ribas do Rio Pardo), e uma grande unidade adicional (da Arauco) em fase avançada de construção em Inocência, totalizando 5 megaprojetos formalizados no estado.

Madeira como Fonte de Energia

“O Brasil vem recebendo novos projetos industriais ligados ao agronegócio que passaram a consumir madeira como fonte de energia. Isso criou uma nova perspectiva para regiões onde antes havia basicamente soja, milho e pecuária”, afirmou Paulo Mesquita, cofundador da Riza Asset e responsável pela área de agronegócio.

Segundo o executivo, o avanço do consumo de biomassa ampliou o interesse por regiões próximas a polos de processamento de grãos e de produção de etanol de milho. A estratégia prioriza áreas de pastagens degradadas, que ainda apresentam preços inferiores aos das regiões tradicionais de silvicultura. Enquanto áreas consolidadas para o cultivo de eucalipto em Mato Grosso do Sul chegam a cerca de R$ 35 mil por hectare, outras regiões ainda registram valores próximos de R$ 18 mil por hectare.

“A ideia é usar nossa expertise em terras agrícolas para a aquisição dos ativos e para a implantação das florestas”, comenta ele, que cita seu fundo de terras Riza Terrax, listado na B3 desde 2020, com R$ 1,85 bilhão em valor de mercado.

Além da comercialização da madeira, a estratégia prevê receitas com créditos de carbono e com a valorização das propriedades ao longo do ciclo de investimento. Como o corte do eucalipto ocorre, em média, a cada sete anos, parte do capital deverá ser devolvida aos investidores nesse período, enquanto a liquidação final está prevista para o fim do prazo de 15 anos.

O movimento também reflete o aumento da procura de investidores institucionais internacionais por ativos reais de longo prazo, especialmente aqueles associados a projetos com atributos ambientais. Caso haja boa demanda, a expectativa é que novos fundos com foco em ativos florestais sejam lançados nos próximos anos.

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