A nutrição do gado de corte brasileiro pode ser alterada para atender às novas exigências da União Europeia (UE). O bloco restringe o uso de antimicrobianos como promotores de crescimento (melhoradores de desempenho). O Ministério da Agricultura publicou portarias proibindo essas substâncias para assegurar o acesso a esse mercado.
Para que o setor continue exportando a dieta e o manejo nutricional nos sistemas de confinamento e semi-confinamento vão precisar se adaptar. As exportações do setor para a UE chegam à casa de US$ 1,8 bilhão.
Confira as Principais Adequações:
Substituição de Aditivos: O uso de antibióticos de amplo espectro, como virginiamicina e monensina – comuns na prevenção de distúrbios ruminais e aceleração do ganho de peso- está na mira do veto europeu. A nutrição está migrando para aditivos naturais, como leveduras, óleos essenciais, taninos e probióticos, para manter a eficiência alimentar sem o uso de antimicrobianos.
Rastreabilidade e Segregação: As dietas que utilizam ingredientes de origem controlada e livre de antibióticos precisam estar perfeitamente documentadas, exigindo que as fazendas de ciclo completo e confinamentos mantenham lotes específicos destinados apenas ao mercado europeu.
Uso de BR-CORTE e Formulações: A formulação de dietas precisará seguir rigorosamente as tabelas de exigências nutricionais para garantir ganho de peso sem o auxílio químico, maximizando a qualidade das pastagens e da ensilagem (reduzindo micotoxinas) para otimizar a imunidade natural do rebanho.
Brasil vai se Adequar
O ministro da Agricultura, André de Paula, informou que a reunião entre o embaixador do Brasil junto à União Europeia, Pedro Miguel da Costa e Silva, em Bruxelas, tratou das exigências do bloco para importação de carne brasileira. O titular da pasta disse que o Brasil tomará as medidas necessárias para se adequar às normas do bloco europeu.
– “O embaixador do Brasil na União Europeia esteve numa reunião importante, na primeira reunião com a autoridade sanitária da União Europeia, a DG SANTE. E lá, dados alguns pontos, ainda incipientes: primeiro, de que nós vamos seguir tendo reuniões muito importantes; que nós vamos ter mais clareza sobre o que aconteceu; de que nós vamos tomar todas as medidas que o governo brasileiro e o setor privado precisarem de tomar para nos adequarmos a essas exigências”, declarou o ministro da Agricultura, André de Paula.
Segundo a União Europeia, o Brasil não apresentou garantias suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos na pecuária.
Além da carne brasileira, produtos como ovos, peixes e animais vivos destinados à alimentação poderão deixar de entrar no mercado europeu.
Em abril, o governo brasileiro publicou uma portaria proibindo parte dos antimicrobianos utilizados como melhoradores de desempenho animal. Mesmo assim, a União Europeia avalia que ainda faltam garantias adicionais.
O Brasil já possui um sistema de defesa sanitária robusto e está em negociações com a Comissão Europeia para demonstrar o controle total da cadeia de ponta a ponta. Produtores, indústrias (via Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) e o Ministério da Agricultura seguem trabalhando na adaptação dos protocolos privados de nutrição e rastreabilidade para mitigar impactos na cadeia produtiva


