spot_img
sábado, 13 junho 2026
HomeBioeconomiaPesquisa mostra descompasso entre percepção da economia circular e comportamento

Pesquisa mostra descompasso entre percepção da economia circular e comportamento

Segundo o levantamento, entre os principais motivos para não comprar reciclados estão a preferência por produtos novos(34%) e dúvidas sobre a durabilidade dos itens reciclados (30%).

Para 72% da população brasileira, é positivo que empresas invistam em práticas de economia circular, embora 43 % ainda expresse resistência em relação ao consumo de produtos reciclados independentemente do valor, mostra pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Davi Bomtempo, superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, avalia que, além da oferta de soluções sustentáveis, a transição para uma economia circular passa pelo fortalecimento da confiança do consumidor.

– “Existe interesse da sociedade por práticas mais sustentáveis, mas ainda há barreiras relacionadas à informação, percepção de qualidade e acesso. Isso reforça a necessidade de ampliarmos o debate sobre economia circular e criarmos condições para que escolhas mais sustentáveis façam parte do cotidiano dos brasileiros”, afirma.

Segundo a CNI, esse cenário reforça a importância da aprovação do Projeto de Lei 1874/2022, que cria a Política Nacional de Economia Circular (PNEC). Para a entidade, a proposta pode estimular investimentos, ampliar a competitividade e incentivar práticas sustentáveis de consumo.

Não entende e não pratica

O levantamento também mostra descompasso entre percepção ambiental e comportamento.

Apenas 13% dos brasileiros afirmam conhecer profundamente o conceito de economia circular, enquanto 56% dos entrevistados não percebe relação direta entre seus hábitos de consumo e as emissões de gases de efeito estufa.

A pesquisa mostra ainda que 84% dos brasileiros não costumam devolver (logística reversa) itens para seus pontos de origem, como pilhas, baterias e eletrônicos. Entre os principais obstáculos apontados estão a falta de informação(33%) e a distância dos pontos de coleta (24%).

Apesar dos desafios, a pesquisa identifica práticas já incorporadas ao cotidiano da população.

Cerca de 58% afirmam consertar produtos antes de substituí-los. Entre eles, metade aponta a economia financeira como principal motivação. Apenas 10% relacionam essa decisão à preocupação ambiental.

*A pesquisa de opinião pública foi realizada pela Nexus e entrevistou presencialmente 2.019 pessoas em todas as regiões do país entre 11 e 13 de fevereiro.

NOTÍCIAS RELACIONADAS

ÚLTIMAS NOTÍCIAS