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Reinaldo transforma PL em poderosa máquina política sem precedentes na história de Mato Grosso do Sul

Comandado por Reinaldo Azambuja, PL sai das urnas com as maiores bancadas de Mato Grosso do Sul na Assembleia e na Câmara Federal, conquista as duas vagas ao Senado e pode ampliar seu poder político com Flávio Bolsonaro na Presidência da República, caso ele vença o 2º turno contra Lula.

As eleições de 2026 produziram mais do que vencedores e derrotados em Mato Grosso do Sul. O resultado das urnas redesenhou o mapa político do Estado e colocou o Partido Liberal (PL), comandado regionalmente pelo ex-governador e agora senador eleito Reinaldo Azambuja, no centro de uma estrutura de poder com poucos precedentes na política sul-mato-grossense.

O tamanho dessa nova força pode ser medido pelos números. O PL elegeu nove dos 24 deputados estaduais, conquistando 37,5% das cadeiras da Assembleia Legislativa; fez três dos oito deputados federais de Mato Grosso do Sul e ficou com as duas vagas ao Senado disputadas neste ano, com Reinaldo Azambuja e Capitão Contar.

O partido ainda entra no segundo turno da eleição presidencial com Flávio Bolsonaro disputando o Palácio do Planalto contra o presidente Lula. Flávio terminou o primeiro turno nacional à frente, com aproximadamente 47% dos votos válidos, contra cerca de 45% do petista.

Em Mato Grosso do Sul, a vantagem foi bem maior: o candidato do PL alcançou 58,60%, enquanto Lula obteve 34,68%.

Caso Flávio Bolsonaro vença o segundo turno em 25 de outubro, o grupo comandado por Reinaldo Azambuja em Mato Grosso do Sul poderá reunir algo raro na história recente do Estado: forte presença no Legislativo estadual, maior bancada sul-mato-grossense na Câmara, duas cadeiras no Senado e alinhamento direto com o presidente da República.

Reinaldo transforma PL em máquina política

Ex-prefeito, ex-deputado estadual, ex-deputado federal, governador por dois mandatos e agora eleito para oito anos no Senado, Reinaldo assumiu o comando estadual do PL com uma estratégia diferente de simplesmente transformar a legenda em abrigo de uma corrente ideológica.

A opção foi ampliar a estrutura partidária, atrair deputados, prefeitos, vereadores e lideranças municipais e, ao mesmo tempo, preservar a aliança política com o governador Eduardo Riedel.

Durante a montagem das chapas, o próprio ConecteMS mostrou que uma das condições defendidas por Reinaldo para assumir o PL no Estado era justamente a manutenção do apoio à reeleição de Riedel.

Na ocasião, o dirigente já projetava eleger as maiores bancadas estadual e federal, conquistar as duas vagas ao Senado e trabalhar pela eleição de Flávio Bolsonaro à Presidência.

As urnas confirmaram praticamente toda a estratégia estadual.

Riedel foi reeleito governador no primeiro turno com 67,07% dos votos válidos, enquanto Reinaldo recebeu 903.554 votos para o Senado e Capitão Contar conquistou 856.045 votos.

A dobradinha ao Senado também confirmou uma tendência que vinha sendo registrada durante a campanha. O ConecteMS acompanhou o crescimento dos dois candidatos e, na reta final, mostrou Reinaldo e Contar isolados nas duas primeiras posições.

Nove deputados mudam a correlação de forças na Assembleia

Na Assembleia Legislativa, o tamanho do PL altera diretamente a correlação de forças a partir de 2027.

Serão nove deputados em um plenário de 24 cadeiras. O PT terá quatro; PSDB e PP, três cada; Republicanos, dois; MDB, União Brasil e Avante terão um representante cada.

O PL, portanto, ficará sozinho com mais de um terço da Assembleia.

Isso não significa maioria automática — são necessários outros partidos para controlar votações que exigem maioria absoluta ou quóruns qualificados —, mas transforma a legenda em peça praticamente obrigatória nas grandes negociações legislativas.

Peso na escolha da Mesa Diretora

O partido terá peso na escolha da Mesa Diretora, presidência e composição das comissões, relatorias de projetos importantes, votação do orçamento e construção das maiorias necessárias ao Governo do Estado.

Como o PL não emerge das urnas como oposição ao governador, cria-se um desenho no qual Riedel inicia o segundo mandato tendo ao seu lado justamente o maior partido da Assembleia, além daqueles que formaram a coligação que sustentou sua campanha ao Governo.

PL também lidera bancada de MS na Câmara

O avanço chegou igualmente à Câmara dos Deputados.

Das oito cadeiras de Mato Grosso do Sul, três serão ocupadas pelo PL: Marcos Pollon, Mara Caseiro e Rodolfo Nogueira. O Republicanos elegeu dois deputados, enquanto PT, União Brasil e PP ficaram com uma cadeira cada.

O PL passa, assim, a deter 37,5% da representação sul-mato-grossense na Câmara Federal.

Nacional

E essa bancada estadual fará parte de uma estrutura nacional ainda maior.

O partido elegeu 121 dos 513 deputados federais, tornando-se a maior bancada da Câmara a partir de 2027.

Na prática, os três parlamentares do PL de Mato Grosso do Sul chegam a Brasília vinculados ao partido com maior peso numérico na Casa, aumentando seu potencial de participação em comissões, relatorias, negociações orçamentárias e articulações com o Executivo.

Reinaldo e Contar na maior bancada do Senado

Talvez o resultado politicamente mais relevante tenha ocorrido no Senado.

Reinaldo Azambuja e Capitão Contar conquistaram as duas vagas disponíveis e deram ao PL uma vitória completa na disputa majoritária de Mato Grosso do Sul.

Mas os dois não chegam isolados a Brasília.

O PL elegeu 19 senadores em todo o Brasil e deverá iniciar 2027 com uma bancada de 28 dos 81 integrantes do Senado, a maior da Casa. O PT deverá ter nove e o MDB, oito.

Esse dado amplia consideravelmente o peso político dos dois novos senadores de Mato Grosso do Sul.

O Senado decide sobre indicações para o Supremo Tribunal Federal, tribunais superiores, agências reguladoras e outras instituições, além de votar reformas constitucionais, projetos estratégicos e processos envolvendo autoridades.

Reinaldo chega, portanto, não apenas como senador de primeiro mandato, mas como presidente estadual de uma legenda que terá a maior bancada nas duas Casas do Congresso.

Vitória de Flávio Bolsonaro

Uma vitória de Flávio Bolsonaro colocaria o PL simultaneamente no comando do Poder Executivo federal e à frente das maiores bancadas da Câmara e do Senado. Isso não significaria controle automático do Congresso — alianças continuariam indispensáveis —, mas daria ao partido uma posição excepcionalmente forte na negociação da agenda nacional.

Para Mato Grosso do Sul, o efeito seria ainda mais direto.

Reinaldo Azambuja e Capitão Contar estariam no Senado como integrantes da legenda presidencial. Marcos Pollon, Mara Caseiro e Rodolfo Nogueira integrariam a maior bancada da Câmara.

Na Assembleia, nove deputados dariam sustentação territorial ao partido, enquanto dezenas de prefeitos, vereadores e lideranças manteriam a estrutura política espalhada pelo Estado.

Além disso, o governador Eduardo Riedel foi reeleito sustentado por uma aliança da qual o PL participou.

Estaria formada, portanto, uma ponte política ligando Palácio do Planalto, Congresso Nacional, Governo do Estado, Assembleia Legislativa e municípios.

O que muda na política de Mato Grosso do Sul?

A primeira mudança é o centro de gravidade partidário.

Durante décadas, diferentes ciclos da política estadual foram organizados em torno de MDB e, posteriormente, do PSDB. A eleição de 2026 aponta para uma nova fase, na qual o PL ocupa o espaço de principal estrutura partidária do Estado.

A segunda mudança é a dimensão do poder de articulação de Reinaldo Azambuja.

O ex-governador deixa de ser apenas uma liderança estadual e passa a operar simultaneamente em dois ambientes: Brasília, onde terá mandato até 2035, e Mato Grosso do Sul, onde preside o maior partido da Assembleia e da bancada federal.

A terceira consequência deverá aparecer nas eleições municipais de 2028. Com nove deputados estaduais, três federais, dois senadores e uma estrutura organizada nos municípios, o PL terá condições de montar chapas competitivas para prefeituras e câmaras municipais e ampliar ainda mais sua capilaridade.

E existe uma quarta consequência, talvez ainda mais importante: 2030 começa a entrar no radar muito antes do previsto.

O segundo mandato de Eduardo Riedel termina naquele ano sem possibilidade de nova reeleição consecutiva. Quem controlar a maior estrutura partidária, possuir bancadas fortes e estiver presente nos municípios terá enorme vantagem para participar da definição de sua sucessão.

Nesse cenário, o PL passa a ter não apenas força eleitoral, mas poder para influenciar quem será o próximo candidato do grupo político ao Governo do Estado.

O tamanho conquistado nas urnas, porém, também aumenta a responsabilidade.

O PL deixou de ser apenas um partido competitivo em Mato Grosso do Sul. Saiu das urnas como a maior força parlamentar do Estado.

E nao é exagero afirmar que Reinaldo é um dos grandes vencedores, senão o maior, das eleições em Mato Grosso do Sul.


Por Ulysses Cosenza, jornalista/publicitário e CEO do Grupo UCRcom com sede em Brasília e que edita o website Conectems em Campo Grande/MS.


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