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Riedel defende equilíbrio fiscal, emprego e transformação social

O governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, defendeu a continuidade de um projeto baseado em equilíbrio fiscal, eficiência, investimentos e geração de emprego e renda. Destacou avanços em competitividade, saúde regionalizada, infraestrutura e mobilidade social.

Também apontou como prioridades ampliar o combate à pobreza extrema, fortalecer municípios, enfrentar o crime organizado e aprimorar a rede de proteção às mulheres nos próximos quatro anos.

Da estrada que permite ao caminhão chegar à indústria ao hospital que reduz a necessidade de viajar centenas de quilômetros em busca de atendimento, o governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, sustenta que Mato Grosso do Sul atravessa uma transformação construída sobre uma combinação que pretende manter pelos próximos quatro anos: equilíbrio fiscal, eficiência do Estado, investimento público e geração de emprego e renda.

A declaração foi feita durante entrevista aos jornalistas Carmen Cestari, Bem Hur Ferreira e Marcos Faria, do programa Tribuna Livre, da Capital 95 FM. Riedel afirmou que pretende concluir um projeto iniciado no atual mandato e que, segundo ele, já produziu mudanças na economia, na infraestrutura e na prestação dos serviços públicos.

O ponto de partida, afirmou, é manter as contas públicas organizadas para que o Estado conserve capacidade de investir. Na avaliação do governador, responsabilidade fiscal e política social não são objetivos opostos.

“Responsabilidade fiscal é premissa para a gente conseguir atender o social”, afirmou, relacionando a qualidade do gasto público à capacidade de estimular uma transformação sustentada principalmente pelo emprego e pela renda.

Crescimento para chegar à vida das pessoas

Riedel citou indicadores de competitividade para argumentar que essa estratégia começa a produzir resultados. Segundo os dados mencionados durante a entrevista, Mato Grosso do Sul passou da 16ª para a 10ª posição em solidez fiscal e da 9ª para a 5ª colocação em eficiência da máquina pública. O governador também destacou a segunda posição nacional em capital humano e a liderança do Centro-Oeste em inovação.

Para Riedel, esses indicadores ganham importância quando se traduzem em empresas, empregos e renda.

O Estado, afirmou, tem registrado crescimento anual entre 4% e 7% nos últimos anos e chegou a 13% em 2023. Também vive, segundo ele, a menor taxa de desemprego de sua história e alcançou a quinta maior renda média do país.

A proposta para um eventual segundo mandato é preservar esse ambiente mesmo diante de uma conjuntura econômica nacional que, na avaliação do governador, permanece pressionada por juros altos, inflação e endividamento das famílias.

“Não tem bala de prata. É trabalho, trabalho, trabalho”, resumiu Riedel ao defender continuidade dos projetos de infraestrutura, educação e inclusão social.

Confiança, indústria e empregos

A atração de investimentos privados aparece como outro pilar desse modelo. Riedel explicou que o Estado concentrou esforços especialmente em cadeias ligadas à segurança alimentar e à transformação industrial da produção agropecuária.

Soja, milho, amendoim, laranja, leite, pescado, suínos, aves e bovinos integram esse movimento, mas o objetivo, segundo o governador, não é apenas produzir matéria-prima: é industrializar e agregar valor dentro de Mato Grosso do Sul.

Para isso, Riedel apontou dois instrumentos principais: segurança para o investimento de longo prazo e infraestrutura.

Como exemplo, relatou a pavimentação de uma rodovia destinada a atender uma grande unidade produtora de ovos na região de Nova Casa Verde. A empresa, que segundo ele trabalha com uma produção de cerca de quatro milhões de ovos por dia, precisava eliminar um trecho de estrada de terra que dificultava a circulação de caminhões.

O episódio, para Riedel, resume uma política baseada na confiança entre poder público e iniciativa privada: o empreendimento investe e gera empregos; o Estado responde com infraestrutura e condições para que a atividade econômica se consolide.

O governador também voltou a defender a política de incentivos fiscais. Segundo ele, o benefício não representa simplesmente abrir mão de uma receita existente, porque parte dos empreendimentos não estaria instalada no Estado sem condições competitivas para investir.

Na sua avaliação, além dos empregos diretos, novas indústrias movimentam fornecedores, serviços e outras empresas que passam a recolher tributos, ampliando a atividade econômica.

Combate à pobreza com busca ativa

Riedel vinculou o crescimento econômico àquela que considera uma das principais metas sociais de Mato Grosso do Sul: ampliar a mobilidade das famílias mais pobres.

Segundo ele, o Estado alcançou a primeira posição nacional em mobilidade social em levantamento do Centro de Liderança Pública (CLP), indicador que mede, entre outros aspectos, as possibilidades de filhos de famílias pobres conseguirem superar a condição econômica dos pais ao longo do tempo.

O próximo passo, afirmou, é intensificar o combate à pobreza extrema.

Na entrevista, Riedel disse que aproximadamente 1,6% da população ainda permanece nessa condição e defendeu uma atuação mais precisa do Estado, baseada em cruzamento de informações, busca ativa e presença das equipes de assistência social junto às famílias.

Para ele, o enfrentamento da pobreza extrema não pode ficar restrito à transferência de renda. Precisa reunir alimentação, moradia, educação, saúde, saneamento, infraestrutura e qualificação para o trabalho.

“É possível eliminar a pobreza extrema desse Estado”, afirmou.

Riedel reconheceu que o esforço precisará alcançar também populações que vivem em regiões de acesso mais difícil, incluindo comunidades ribeirinhas e indígenas. “Nós temos que chegar lá com política pública”, declarou.

Saúde muda de endereço e avança para o interior

Na saúde, o governador apontou a regionalização como uma das maiores mudanças estruturais realizadas durante seu mandato.

A lógica é reduzir a concentração dos atendimentos mais complexos em Campo Grande e fortalecer uma rede regional capaz de resolver parte cada vez maior das demandas perto de onde as pessoas vivem.

Riedel citou os hospitais regionais de Ponta Porã, Três Lagoas e Dourados, além da reformulação do Hospital Regional de Campo Grande. Também anunciou a continuidade do projeto para Corumbá.

Em Campo Grande, uma parceria público-privada já começou a operar e, segundo o governador, deverá resultar em mais 250 leitos no novo prédio do Hospital Regional.

Paralelamente, o Estado apoia mais de 45 hospitais de média complexidade no interior. O modelo adotado associa parte da remuneração à produtividade das unidades, estratégia que Riedel relaciona novamente à busca pela eficiência no gasto público.

Dourados, cuja nova estrutura começou a funcionar neste ano, deverá ampliar gradualmente a oferta de especialidades e serviços até atingir sua capacidade plena.

“A mudança estrutural da saúde faz diferença”, afirmou o governador.

Governo para os 79 municípios

A relação com as prefeituras também entrou na entrevista como parte da estratégia de desenvolvimento.

Riedel afirmou que mantém apoio aos 79 municípios independentemente das alianças firmadas nas eleições municipais.

“Tem prefeito que eu não apoiei e estou ajudando. Tem prefeito que eu apoiei e estou ajudando. Para mim passou a eleição, eu viro a página”, declarou.

Segundo ele, essa parceria tem permitido ampliar investimentos locais em infraestrutura e saneamento. O governador afirmou que Mato Grosso do Sul chegou a aproximadamente 80% de cobertura de saneamento básico e destacou obras de pavimentação em diferentes municípios.

Em Campo Grande, mencionou intervenções no Nova Lima, Itamaracá e Moreninhas, incluindo a ligação com a Avenida Guaicurus.

A lógica, segundo Riedel, é que competitividade não depende apenas dos grandes projetos estaduais. Ela também começa na rua pavimentada, no saneamento e na infraestrutura disponível onde as pessoas vivem e as empresas trabalham.

Inteligência contra o crime organizado

Na segurança pública, o governador apontou o avanço das organizações criminosas como um dos problemas que exigirão articulação cada vez maior entre os estados e o governo federal.

A estratégia defendida por Riedel está centrada principalmente em inteligência policial, identificação das lideranças das facções e integração das forças de segurança.

O governador relatou episódios em que organizações criminosas tentaram estabelecer domínio sobre pequenos municípios e extorquir comerciantes mediante cobrança por suposta “proteção”. Segundo ele, a orientação às forças estaduais é impedir a ocupação desses territórios.

A posição geográfica de Mato Grosso do Sul torna o desafio ainda maior.

Riedel informou que somente no primeiro semestre deste ano foram apreendidas 309 toneladas de drogas no Estado. A pressão do tráfico internacional também se reflete no sistema prisional, que, de acordo com os números apresentados por ele, reúne aproximadamente 24 mil detentos.

Para o governador, enfrentar essa estrutura exige integração permanente das forças estaduais e federais, sobretudo na extensa faixa de fronteira sul-mato-grossense.

Violência contra a mulher exige rede antes do crime

Ao abordar o feminicídio, Riedel reconheceu a gravidade dos indicadores estaduais e sustentou que o enfrentamento não pode começar apenas quando a violência chega à delegacia.

Segundo ele, o feminicídio costuma ser o ponto extremo de uma escalada que pode começar com violência psicológica, patrimonial ou contra familiares.

Por isso, afirmou, profissionais de escolas, unidades de saúde, assistência social, delegacias e demais serviços públicos precisam estar preparados para reconhecer sinais de violência e encaminhar as vítimas antes que as agressões se agravem.

O governador destacou ainda mudanças adotadas no atendimento às mulheres vítimas de violência, envolvendo Executivo, Judiciário, Ministério Público e Defensoria Pública.

Na Casa da Mulher Brasileira, segundo ele, o depoimento passou a ser digitalizado e compartilhado em tempo real entre os órgãos responsáveis, reduzindo a repetição do relato pela vítima e agilizando o processo. Riedel informou ainda que 80 policiais militares foram preparados para auxiliar no cumprimento de medidas determinadas pela Justiça, reduzindo o tempo entre a decisão e sua execução.

Riedel também afirmou que Mato Grosso do Sul opta por registrar os casos de maneira explícita quando caracterizados como feminicídio, em vez de ocultar o problema em classificações genéricas.

“Não vamos jogar para debaixo do tapete”, disse.

Para ele, reconhecer a dimensão da violência é condição necessária para fortalecer a rede de proteção e impedir que agressões ocorridas dentro de casa avancem até situações irreversíveis.

Um projeto em busca de mais quatro anos

Ao longo da entrevista, Riedel conectou áreas aparentemente distintas — indústria, assistência social, hospitais, pavimentação, saneamento e segurança — a uma mesma ideia de governo: construir capacidade financeira para investir e fazer o crescimento econômico chegar ao cotidiano da população.

É esse projeto que o governador pretende apresentar ao eleitor na disputa por mais quatro anos.

Para Riedel, o primeiro mandato criou as bases de uma transformação que ainda está em andamento. A aposta para o próximo ciclo é aprofundar a regionalização da saúde, ampliar infraestrutura e educação, manter o ambiente de investimentos e concentrar esforços sobre quem ainda permanece à margem das oportunidades econômicas.

“Eu gostaria muito de concluir esse ciclo”, afirmou.

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