Vacinação nas Escolas amplia proteção à infância em Mato Grosso do Sul

Na gestão de Eduardo Riedel, candidato à reeleição pelo Progressistas, o programa Aluno Imunizado aplicou 122.837 doses no primeiro semestre de 2025 em centenas de escolas.

0
A estratégia integra vacinação, orientação às famílias e busca ativa de estudantes, aproximando saúde, educação e rede de proteção - Foto: Reprodução

Quando Joaquim ainda era pequeno, uma bronquiolite transformou a rotina de cuidados de Jaqueline com o filho. Foram consultas, acompanhamento médico e uma atenção ainda maior à prevenção de doenças respiratórias. Desde então, ela procura manter rigorosamente em dia a caderneta de vacinação do menino, aluno de um Centro Integrado de Educação Infantil de Maracaju.

“Passei muito transtorno com ele porque teve bronquiolite muito novo. Precisamos procurar médicos e acompanhar tudo de perto”, recorda. Hoje, a vacinação faz parte dessa rotina de prevenção. “Desde que ele começou com as vacinações, sempre vou ao posto para fazer o acompanhamento. As vacinas dele estão em dia e isso é muito importante.”

A experiência de Jaqueline ajuda a explicar uma estratégia ampliada na gestão do governador Eduardo Riedel, candidato à reeleição pelo Progressistas: aproximar os serviços públicos dos lugares onde crianças e famílias já estão.

No caso da vacinação, isso significa levar equipes de saúde para dentro das escolas, diminuindo obstáculos como jornada de trabalho dos pais, distância dos postos, transporte e dificuldade para acompanhar calendários de imunização.

Somente no primeiro semestre de 2025, o programa Aluno Imunizado aplicou 122.837 doses em Mato Grosso do Sul. A ação chegou a 460 escolas municipais e 175 estaduais, numa parceria entre as secretarias estaduais de Saúde e Educação e as prefeituras, com atividades realizadas duas vezes ao ano.

Para famílias como a de Joaquim, a escola também se tornou um espaço de orientação. Jaqueline conta que os profissionais reforçam a importância de manter as doses atualizadas. “As meninas sempre comentam sobre a vacinação e explicam a importância dela para as crianças”, relata.

A vacina vai até onde a criança está

A lógica do Aluno Imunizado inverte uma relação tradicional entre população e serviço público. Em vez de depender exclusivamente de que cada família procure espontaneamente uma unidade de saúde, as equipes chegam ao ambiente frequentado diariamente pelas crianças e adolescentes.

Nas escolas, profissionais conferem as cadernetas, identificam doses pendentes, orientam os responsáveis e aplicam os imunizantes autorizados. A estratégia também facilita o acesso de adolescentes, grupo em que a procura espontânea pelos serviços de vacinação costuma ser menor.

O esforço contribuiu para que Mato Grosso do Sul encerrasse 2025 com mais de 2,5 milhões de doses aplicadas e alcançasse 100 pontos no indicador de cobertura vacinal do Ranking de Competitividade dos Estados.

Entre as crianças, dados divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde apontaram cobertura de 104,68% para BCG, 96,23% para pneumocócica 10-valente, 93,51% para rotavírus e 96,28% para a primeira dose da tríplice viral.

Percentuais superiores a 100%, como ocorreu com a BCG, podem ser resultado de diferenças entre as estimativas populacionais e o número efetivo de crianças vacinadas, além da aplicação de doses em pessoas residentes em outros municípios. Por isso, não significam que a totalidade do público esteja protegida.

Para a psicóloga da Secretaria Municipal de Educação de Maracaju Débora Soares Mendes Norriler, a integração entre saúde e educação ajuda justamente a superar uma dificuldade cotidiana das famílias: encontrar tempo para procurar os serviços.

“A escola é o lugar de aprender e de conviver, mas, por causa dessa proximidade entre os alunos, também é onde os vírus circulam mais rápido. Nós sabemos da correria do dia a dia dos pais. Quando a equipe de saúde vai até o ambiente escolar, facilitamos o acesso à vacina e evitamos que uma criança fique desprotegida por falta de tempo da família”, afirma.

Débora também destaca um efeito que ultrapassa os muros da escola. Ao ampliar a imunização infantil, segundo ela, a estratégia ajuda a proteger irmãos, avós e outras pessoas que convivem com as crianças.

Da caderneta à frequência escolar

Na política adotada pelo Estado, a aproximação entre educação e proteção social não termina na vacinação. A mesma escola que pode identificar uma dose atrasada acompanha diariamente outra informação capaz de revelar dificuldades na vida de uma criança: sua presença em sala de aula.

Quando faltas começam a se repetir, direção, coordenação e professores podem procurar a família para entender o que está acontecendo. É a lógica da Busca Ativa Escolar, que associa monitoramento da frequência, contato com responsáveis, visitas domiciliares e, quando necessário, atuação de outros serviços públicos.

Por trás de uma carteira vazia podem existir problemas muito diferentes: doença, falta de transporte, insegurança alimentar, bullying, violência doméstica, trabalho infantil, gravidez na adolescência ou a necessidade de cuidar de irmãos.

“É nesse ponto que a frequência deixa de ser apenas um indicador educacional. A escola procura a família, mas pode precisar acionar assistência social, unidade de saúde, conselho tutelar ou outros integrantes da rede de proteção”, explica Riedel.

Em 2025 e 2026, as atribuições da coordenação pedagógica da rede estadual mantiveram a responsabilidade de fiscalizar diariamente a frequência e, em conjunto com as direções, realizar a busca ativa dos estudantes faltosos.

A estratégia contribuiu para reduzir o abandono e levou algumas escolas a alcançar índices próximos ou iguais a zero.

Campanhas ampliam a procura por quem ficou para trás

A vacinação nas escolas integra uma rede mais ampla. Em outubro de 2025, Mato Grosso do Sul participou da Campanha Nacional de Multivacinação para crianças e adolescentes menores de 15 anos. A mobilização envolveu 77 dos 79 municípios no Dia D. Dourados e Mundo Novo não participaram dessa etapa específica, mas mantiveram a atualização das cadernetas durante o mês.

A campanha ofereceu os imunizantes previstos no Calendário Nacional de Vacinação, incluindo vacinas contra hepatite B, poliomielite, meningites, sarampo, influenza, Covid-19 e febre amarela, entre outras. Mesmo sem a caderneta física, o histórico podia ser consultado nos sistemas de saúde.

Para Riedel, a combinação de escola, unidades de saúde e campanhas municipais é necessária porque bons índices dependem de atuação contínua.

“Não basta abrir salas e aguardar a procura. É necessário localizar territórios com menor cobertura, organizar horários alternativos e encontrar quem ainda não completou o esquema”, afirma o pré-candidato.

Essa vigilância ganha peso adicional em Mato Grosso do Sul por sua extensa faixa de fronteira e pela circulação permanente de pessoas entre municípios, estados e países.

Diante do risco de reintrodução do sarampo, por exemplo, o Estado passou a ofertar a chamada dose zero para bebês de seis a 11 meses e 29 dias. A aplicação é uma proteção adicional e não substitui as doses regulares previstas a partir dos 12 meses.

A estratégia estadual combina vacinação, vigilância epidemiológica, apoio técnico aos municípios, distribuição de doses, capacitação das equipes e articulação entre escolas e unidades básicas de saúde.

Bons números não encerram o problema

Os resultados gerais não significam que todas as vacinas alcancem a população com a mesma facilidade.

A campanha contra a influenza mostrou essa dificuldade. Diante da baixa adesão inicial, o Governo do Estado destinou R$ 825 mil a um plano emergencial de apoio aos municípios. Com a intensificação das ações, 77.774 pessoas foram vacinadas.

O episódio evidencia um dos desafios permanentes da imunização: cobertura elevada não é uma conquista definitiva. Ela depende da disponibilidade de vacinas, registros confiáveis, equipes capacitadas, campanhas frequentes e capacidade de chegar à população.

Parte das doses atrasadas pode decorrer de resistência à vacinação, mas outra parcela está relacionada a obstáculos bastante concretos: pais que trabalham durante o horário de funcionamento das unidades, famílias que vivem longe dos postos, dificuldades de transporte ou dúvidas sobre um calendário que varia conforme idade e imunizante.

É justamente nesse ponto que a escola ganha importância como ponte entre o serviço e a família.

“Professores, diretores e profissionais da saúde podem orientar e aproximar o serviço público de quem dificilmente chegaria até ele sozinho”, afirma Riedel.

Uma rede organizada em torno da criança

Vacinação e frequência escolar pertencem a áreas diferentes da administração pública, mas se encontram na vida da mesma criança.

Uma dose atrasada pode indicar dificuldade de acesso à saúde. Faltas sucessivas podem revelar doença ou algum tipo de vulnerabilidade. Uma visita à família pode descobrir a necessidade de assistência social, atendimento médico ou atuação de outros integrantes da rede pública.

A política adotada pela gestão Riedel procura fazer com que essas estruturas conversem entre si antes que o problema se agrave.

Mato Grosso do Sul avançou ao levar a vacinação a centenas de escolas e incorporar a busca ativa à rotina das equipes educacionais. Entre os desafios de continuidade está aprimorar a avaliação dos resultados: saber quantos estudantes tiveram a caderneta efetivamente atualizada, quantos foram localizados depois de faltas reiteradas e quais encaminhamentos produziram resultado.

Para Jaqueline, porém, essa política também cabe numa cena muito mais simples: acompanhar a saúde de Joaquim e tentar evitar que o filho enfrente novamente as dificuldades que viveu quando teve bronquiolite.

“A vacina da gripe, por exemplo, é muito importante. É uma proteção para eles”, diz.

Ao aproximar saúde e educação da rotina das famílias, a escola deixa de ser apenas o lugar onde a criança aprende. Passa a ser também o espaço onde uma ausência pode ser percebida, uma vacina atrasada pode ser identificada e uma família pode encontrar uma porta de entrada para a rede pública.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here