Frigoríficos de Mato Grosso do Sul e do restante do país atingiram a cota de exportação de carnes para a China de forma integral neste fim de semana.
O cálculo é da consultoria Safras & Mercado, baseado na evolução dos embarques com base nos dados oficiais da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). De janeiro até 30 de junho, o Brasil enviou 100,06% da proteína animal aos chineses.
Isso corresponde a um volume limitado a 1,106 milhão de toneladas para embarques sem tarifa adicional. O mercado já sinalizava que este volume ficou abaixo do ritmo recente das vendas brasileiras ao principal destino da proteína, o que acendeu o alerta no setor para um possível esgotamento antecipado da cota ao longo do ano.
Mato Grosso do Sul
A China é o pais que lidera a compra de carne bovina de Mato Grosso do Sul.
Segundo o Ministério da Indústria e Comércio, entre janeiro e maio deste ano em relação ao mesmo período de 2025, Mato Grosso do Sul registrou aumentos na receita, no volume exportado, no número de parceiros e no preço médio do Kg da carne vendida ao país asiático.
Na receita o crescimento foi de 46,8% e saltou de US$ 631,4 milhões para US$ 927 milhões. Já o volume exportado do Estado aumentou 23,1% e passou de 129,7 mil toneladas para 159,7 mil toneladas.
O número de parceiros comerciais avançou de 68 para 78 países, um aumento de 14,7%, enquanto o preço médio da carne vendida, passou de US$ 4,87 por quilo para US$ 5,80 por quilo.
Com o limite de cotas atingido, a China terá que arcar com uma sobretaxa de 55% sobre o excedente, o que tende a reduzir a competitividade do produto e forçar frigoríficos a redirecionar parte da produção para outros mercados.
A partir de agora, a atenção do mercado se volta para as exportações de julho, que serão imprescindíveis para entender como funcionará a dinâmica dos embarques de carne bovina para outros parceiros comerciais que não a China.
Alto Desempenho do Brasil
Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, só em junho, foram enviadas 158,36 mil toneladas de carne bovina brasileira para a China, marcando um ritmo muito acelerado de exportação.
Os números do sexto mês do ano representam 14,32% da cota total disponibilizada pela China na última virada de ano, delineando o esgotamento oficial da cota brasileira, uma vez que o volume embarcado no último bimestre de 2025 precisa ser considerado.
– “O que chama a atenção é a lentidão da China em emitir os alertas de preenchimento da cota em relação ao Brasil, apenas o gatilho de 50% foi acionado até o momento e com vendas tão aceleradas em abril e principalmente em maio a expectativa é que o alerta do MOFCOM já deveria ter sido acionado para 80% de preenchimento da cota”, explica o relatório da consultoria gaúcha.
A demora se justificaria pelos gargalos de internalização do produto por parte das autoridades chinesas.


