Representantes do agronegócio brasileiro participaram da rodada de audiências públicas realizada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) nesta segunda-feira (6/7), em Washington, para discutir sobre a aplicação de tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
O USTR tem até o dia 15 para tomar a sua decisão final com base na investigação da Seção 301.
De acordo com representantes do agronegócio brasileiro, as críticas mais duras dos americanos foram feitas em relação ao setor de carnes e de etanol. Uma das acusações é de que o agronegócio brasileiro estaria avançando sobre áreas de desmatamento ilegal.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que foi representada por Fernanda Maciel Carneiro, rebateu que o desmatamento ilegal está concentrado em uma área isolada e não representa a agropecuária brasileira. A CNA apresentou dados indicando que o desmatamento na Amazônia Legal reduziu 56% entre 2011 e 2025.
No segmento de biocombustíveis, o governo americano acusa o Brasil de prejudicar o comércio de etanol com aplicação de tarifas. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) alegou que a tarifa brasileira sobre o etanol importado segue a regra de Nação Mais Favorecida da OMC e que não se trata de uma retaliação aos Estados Unidos.
A União Nacional do Etanol de Milho (Unem), por sua vez, defendeu que o etanol americano perdeu espaço no Brasil por causa do câmbio, dos custos logísticos e da expansão acelerada da indústria de etanol de milho no mercado doméstico.


