A bioenergia é o tipo de energia renovável produzida a partir da biomassa. No caso de Mato Grosso do Sul a produção se concentra em 22 usinas ativas.
As principais empresas e grupos do setor no estado produzem etanol, açúcar e bioeletricidade a partir da cana-de-açúcar e do milho que geram eletricidade, calor ou combustíveis.
Mato Grosso é o líder isolado em produção de etanol de milho (cerca de 62% a 70% do mercado nacional) e ocupa a segunda posição geral no ranking de produção de etanol do Brasil, ficando atrás apenas de São Paulo. O estado também se destaca como uma das maiores potências na produção de biodiesel no país.
Bioenergia no centro dos debates em Campo Grande
Campo Grande estará no centro das discussões sobre energias renováveis durante quatro dias consecutivos em setembro. A capital recebe, entre os dias 15 e 16, o Bio Energy Summit 2026 e, logo depois, em 17 e 18, o Fórum Regional de Geração Distribuída Centro-Oeste. Os dois encontros são promovidos pelo Grupo FRG Mídias & Eventos.
A programação reunirá especialistas, empresários, investidores, autoridades, acadêmicos e representantes da indústria e do agronegócio. Enquanto o primeiro evento concentrará os debates em biogás, biometano e biocombustíveis, o segundo abordará o mercado de geração distribuída, com destaque para energia solar, regulamentação, financiamento e desempenho das usinas.
A realização dos encontros em sequência busca aproximar diferentes segmentos envolvidos na transição energética e ampliar as oportunidades de negócios no setor. Mato Grosso do Sul foi escolhido por reunir uma produção agropecuária diversificada, disponibilidade de biomassa e expansão dos investimentos em fontes renováveis.
Diretor do Grupo FRG Mídias & Eventos, Tiago Fraga afirma que os eventos foram planejados para conectar o potencial produtivo do Estado às empresas, tecnologias e fontes de financiamento necessárias para transformar projetos de energia limpa em novos empreendimentos.
– “Mato Grosso do Sul reúne condições para avançar em diferentes frentes da transição energética, desde o aproveitamento de resíduos do agronegócio para a produção de biogás e biometano até a expansão da geração solar. Ao realizar os dois eventos em sequência, queremos integrar essas cadeias, aproximar quem desenvolve tecnologia de quem investe e produz e criar um ambiente capaz de transformar conhecimento em projetos e negócios”, destaca.
Bio Energy Summit
O Bio Energy Summit 2026 discutirá o aproveitamento de resíduos agroindustriais, a produção de combustíveis renováveis em escala, a modernização do mercado energético e as possibilidades de investimento abertas pelo processo de descarbonização da economia.
Entre os principais assuntos estão a produção de biogás e biometano a partir de resíduos da suinocultura, avicultura e do setor sucroenergético, além do avanço dos biocombustíveis derivados da cana-de-açúcar e do milho. A proposta é mostrar como materiais antes tratados como passivos ambientais podem ser utilizados para gerar energia, reduzir emissões e criar novas fontes de receita.
Segundo dados da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás), o Brasil possui potencial teórico para produzir 120 milhões de metros cúbicos de biogás por dia e já conta com mais de 1,6 mil plantas em operação. A expectativa do setor é de expansão do biometano, combustível obtido a partir da purificação do biogás e que pode substituir fontes fósseis em veículos pesados, máquinas e processos industriais.
O Bio Energy Summit conta com o apoio da Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul (Biosul) e do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso do Sul (Crea-MS). Além dos painéis técnicos, haverá espaços destinados ao relacionamento entre empresas, investidores e produtores.
32º Fórum GD Centro-Oeste
Nos dias 17 e 18 de setembro, o Fórum Regional de Geração Distribuída Centro-Oeste dará continuidade à agenda energética. O encontro será voltado aos desafios e às oportunidades do mercado de energia solar e de outras fontes renováveis, com palestras, painéis e debates entre profissionais que atuam em diferentes etapas da cadeia.
A programação abordará a nova regulamentação da geração distribuída no Brasil, os critérios para financiamento de sistemas solares, a eficiência e a manutenção de usinas fotovoltaicas, a segurança das instalações e o uso de tecnologias de armazenamento de energia.
Também serão discutidos o número de conexões e o potencial instalado em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal, além do papel da engenharia e da responsabilidade técnica no crescimento do setor.
Outros painéis tratarão da integração entre licenciamento ambiental e transição energética, da adoção de fontes renováveis no agronegócio e das estratégias comerciais para empresas que atuam na geração distribuída e no mercado livre de energia.
O evento terá a participação de representantes de instituições públicas, entidades profissionais, universidades, empresas de tecnologia, instituições financeiras e organizações ligadas ao setor solar. A programação inclui ainda debates sobre sustentabilidade, mobilidade, sistemas híbridos de geração, armazenamento por baterias e profissionalização do mercado.
Para Tiago Fraga, a sequência dos encontros permite analisar a transição energética de maneira mais ampla, reunindo desde a produção de combustíveis renováveis até a geração de energia no local de consumo.
– “Não basta discutir apenas a tecnologia. O mercado precisa compreender as regras, encontrar financiamento, qualificar profissionais e construir parcerias para que os projetos avancem. A proposta é oferecer conteúdo técnico e, ao mesmo tempo, criar conexões que ajudem empresas e investidores a tomar decisões mais seguras em um setor que passa por mudanças rápidas”, completa.


