O Ibovespa encerrou a terça-feira (6) em queda, com os investidores fazendo movimentos de ajustes de posições após o forte rali da véspera, quando o índice atingiu máximas históricas em meio à euforia nos mercados locais com o resultado do primeiro turno da eleição presidencial, que mostrou Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O índice de referência do mercado acionário brasileiro caiu 0,52%, a 205.835,29 pontos, após marcar 204.725,23 na mínima e 209.522,60 na máxima do dia.
O economista e consultor financeiro da Manchester Investimentos, Leonardo Mendes, destacou que o movimento nos mercados domésticos representa uma continuidade da reprecificação dos ativos brasileiros, “mas naturalmente em uma intensidade bem menor depois do movimento excepcional de ontem”.
“Depois de uma valorização tão forte em um único pregão é natural vermos realização e bastante volatilidade”, disse Mendes.
O volume financeiro no pregão desta segunda-feira somava R$ 53,7 bilhões antes dos ajustes finais.
No mercado de câmbio, o dólar voltou a cair e atingiu a menor cotação em quase cinco meses, acompanhando o movimento da bolsa paulista e sob influência do resultado do primeiro turno das eleições presidenciais. No exterior, a moeda norte-americana também recuou ante boa parte das principais divisas.
O dólar à vista fechou em baixa de 0,55%, a R$ 4,9745 na venda.
Às 17h06, o dólar futuro para novembro cedia 0,51% na B3, aos R$ 4,9995.
Na véspera, o Ibovespa disparou e atingiu novos recordes históricos, batendo 209,6 mil pontos em determinado ponto do dia, enquanto o dólar despencou ante o real e retornou para perto dos R$ 5,00.
A percepção dos profissionais do mercado é de que uma virada do atual presidente Lula no segundo turno, marcado para 25 de outubro, é pouco provável.
Ainda que com o recuo de hoje, o Ibovespa segue operando acima dos 200 mil pontos, próximo das máximas históricas.
“Com este movimento, o índice confirma a volta à tendência de alta e passa a apontar para a região de 220.000 pontos no curto prazo e 245.000 pontos no médio prazo”, disse o Itaú BBA em seu relatório Diário do Grafista.
No exterior, os investidores mostravam-se mais otimistas antes da temporada de balanços, que começa na próxima semana.
O Goldman Sachs estima que as previsões consensuais do mercado apontam para um crescimento de 27% nos lucros das empresas do S&P 500, sendo que mais da metade desse avanço viria de companhias beneficiadas pelos investimentos em infraestrutura de inteligência artificial.
Nessa linha, as ações nos EUA fecharam em alta, à medida que os preços do petróleo se estabilizaram e os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA recuaram. A alta generalizada levou o S&P 500 e o Nasdaq a recordes de fechamento.
Juros futuros
Embora a liquidação no mercado de títulos mostre sinais de arrefecimento, os rendimentos dos títulos soberanos permanecem próximos de máximas de vários anos, à medida que os investidores continuavam a lidar com preocupações persistentes relacionadas à inflação e ao endividamento.
No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 12,61%, com baixa de 5 pontos-base ante o ajuste de 12,663% da sessão anterior.
Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 12,725%, com recuo de 7 pontos-base ante 12,791%.
O movimento reflete o otimismo do mercado após a maior aposta de que Flávio deve assumir a cadeira presidencial em 2027.
O candidato é visto como um nome mais propenso a priorizar o ajuste das contas públicas – ainda que seus planos para a área não sejam claros -, enquanto Lula enfrenta a desconfiança de uma parcela relevante do mercado.


