Campo Grande chega aos 127 anos nesta quarta-feira (26), carregando na paisagem as marcas de uma história que começou em um pequeno povoado e se transformou em uma das principais metrópoles do Centro-Oeste brasileiro.
Entre avenidas, parques, novos empreendimentos e uma economia cada vez mais diversificada, a Capital de Mato Grosso do Sul preserva uma característica que se tornou parte de sua própria identidade: o verde que acompanha seu crescimento.
Reconhecida pelo Censo Demográfico de 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) como a capital mais arborizada do país, Campo Grande reúne natureza e desenvolvimento em uma mesma paisagem. Tucanos, araras e outras espécies cruzam diariamente o céu urbano, enquanto parques e áreas verdes mantêm viva a ligação da cidade com o Cerrado e com a biodiversidade que ajudou a moldar sua identidade.

Ao mesmo tempo, a cidade avança em setores estratégicos. Indústria, comércio, serviços, agronegócio, tecnologia e inovação movimentam uma economia que se fortalece e amplia oportunidades.
O empreendedorismo também ganhou protagonismo, com dezenas de milhares de pequenos negócios entre as mais de 124 mil empresas instaladas na Capital, consolidando Campo Grande como um importante centro econômico regional.
Mais do que uma cidade que cresceu em tamanho e população, Campo Grande chega aos 127 anos vivendo uma nova etapa de transformação. A Capital que nasceu da coragem dos pioneiros hoje busca espaço entre os polos de inovação e tecnologia do país, sem perder a identidade construída ao longo de mais de um século.
Natureza que atravessa a cidade
Em poucas capitais brasileiras, a presença da natureza se mistura de forma tão intensa ao cotidiano urbano. Em Campo Grande, não é raro que tucanos e araras façam rasantes sobre bairros e avenidas, enquanto o canto das aves rompe o barulho da cidade.
Capivaras, quatis, cutias e uma grande variedade de pássaros dividem espaço com a população em parques e áreas de preservação. Papagaios, periquitos, sabiás, bem-te-vis, juritis e inúmeras outras espécies fazem parte de uma paisagem que transformou a biodiversidade em um dos símbolos da Capital.

O Parque das Nações Indígenas, com seus 119 hectares, é um dos maiores exemplos dessa convivência entre cidade e natureza. Localizado em uma área estratégica de Campo Grande, o parque abriga uma rica diversidade de fauna e flora, com vegetação marcada por espécies como jenipapo, mangueira e aroeira.
O espaço também se consolidou como ponto de observação da vida silvestre. Mais de 300 espécies de aves podem ser encontradas na região, transformando o parque em um ambiente propício para o birdwatching, a observação de aves.
Garças-brancas, tucanos, patos e araras-canindé dividem a paisagem com sabiás, bem-te-vis, juritis, periquitos, graúnas e diversas outras espécies. É um retrato de Campo Grande: uma metrópole em expansão que ainda permite que a natureza ocupe um lugar de destaque em seu cotidiano.
Campo Grande: do Pantanal para o mundo
Outro símbolo da relação entre Campo Grande, ciência e biodiversidade é o Bioparque Pantanal, inaugurado em 28 de março de 2022 e reconhecido como o maior complexo de aquários de água doce do mundo.
Em poucos anos, o espaço passou a integrar o roteiro de visitantes de diferentes regiões do Brasil e do exterior, transformando-se em uma vitrine da riqueza ambiental sul-mato-grossense.

Com cerca de 21 mil metros quadrados de área construída e aproximadamente 5 milhões de litros de água, o complexo reúne centenas de espécies e estrutura voltada não apenas à visitação, mas também à educação ambiental, pesquisa, conservação, inovação, inclusão, lazer, cultura, bioeconomia e sustentabilidade.
Entre os moradores mais conhecidos do Bioparque estão a sucuri Gaby Amarantos, a jiboia Rachel Carson, a píton albina Capitu, além de jacarés, da jaú Maria Fernanda e do pintado Adriano.
Mais do que um espaço de contemplação, o Bioparque representa uma nova face de Campo Grande: uma cidade que transforma sua biodiversidade em conhecimento, experiência, pesquisa e desenvolvimento.
Uma história que começou em 1872
Antes de se tornar a moderna Capital de Mato Grosso do Sul, Campo Grande nasceu da visão de um pioneiro. Em 21 de junho de 1872, José Antônio Pereira chegou à região e lançou as bases daquilo que, décadas depois, se transformaria em uma das cidades mais importantes do Centro-Oeste.
A fertilidade das terras, a disponibilidade de água e a posição estratégica ajudaram a transformar o pequeno núcleo inicial em um povoado de crescimento acelerado.
O reconhecimento oficial veio em 26 de agosto de 1899, quando a então Vila de Santo Antônio de Campo Grande teve sua emancipação formalizada com a publicação do decreto na Gazeta Oficial de Mato Grosso.
Era o início de uma trajetória que atravessaria o século XX acompanhada por profundas transformações econômicas, sociais e culturais.

A chegada da ferrovia, o crescimento do comércio, a expansão da pecuária e, posteriormente, a diversificação da economia impulsionaram a cidade. Campo Grande deixou de ser um ponto de passagem e se consolidou como centro regional, atraindo moradores, investimentos e diferentes culturas.
O momento decisivo ocorreu com a criação de Mato Grosso do Sul, em 11 de outubro de 1977. Em 1979, Campo Grande passou a exercer plenamente o papel de Capital do novo Estado, assumindo uma posição ainda mais estratégica no cenário regional e nacional.
Uma cidade construída por diferentes povos
Ao longo de seus 127 anos de emancipação, Campo Grande construiu uma identidade própria a partir do encontro de diferentes povos e tradições.
Migrantes e imigrantes de várias origens ajudaram a desenhar o perfil da cidade. Libaneses, japoneses, italianos, paraguaios e tantos outros grupos deixaram marcas profundas na economia, na culinária, na cultura e nos costumes da população.

Essa mistura é percebida nas ruas, nos mercados, nas festas e, principalmente, na gastronomia. Campo Grande cresceu acolhendo diferentes sotaques e tradições, transformando essa diversidade em uma de suas maiores riquezas.
É também uma cidade onde o urbano e o rural continuam próximos. Mesmo com a expansão dos bairros e a verticalização de determinadas regiões, a ligação com o campo permanece presente na economia, nos costumes e na própria identidade sul-mato-grossense.
127 anos e um novo horizonte
Chegar aos 127 anos é olhar para trás e reconhecer uma trajetória marcada pela coragem, pelo trabalho e pela capacidade de transformação. Mas o aniversário de Campo Grande também projeta a cidade para os próximos desafios.
O crescimento sustentável, a mobilidade urbana, a preservação ambiental, a inclusão social e a inovação tecnológica estão entre os temas que devem moldar o futuro da Capital nas próximas décadas.
Com uma economia diversificada, ambiente favorável ao empreendedorismo e potencial crescente nas áreas de tecnologia e inovação, Campo Grande busca consolidar um novo ciclo de desenvolvimento.

A cidade que nasceu às margens dos caminhos percorridos pelos pioneiros agora se conecta a novas rotas econômicas, tecnológicas e culturais. Sem abandonar suas raízes, a Capital avança para um futuro em que desenvolvimento e qualidade de vida precisam caminhar lado a lado.
Nesta quarta-feira, 26 de agosto de 2026, Campo Grande não celebra apenas mais um aniversário. Celebra 127 anos de uma história construída por gerações, de um povoado que virou cidade, de uma cidade que se tornou Capital e de uma Capital que continua se reinventando.
Entre o verde das árvores, o voo das araras, a força do empreendedorismo, a riqueza de sua diversidade cultural e os desafios de uma metrópole em crescimento, Campo Grande entra em seu 128º ano reafirmando uma característica que acompanha sua trajetória desde o início: a capacidade de olhar para o futuro sem esquecer de onde veio.


