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Empresa coreana obtém crédito verde de R$ 155 milhões para compra de soja certificada e produção de MS está no radar

Em Mato Grosso do Sul, desde 2025, a Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS) e o Governo do Estado mantém termo de colaboração para a certificação Round Table on Responsible Soy (RTRS) na produção de soja e milho.

A crescente exigência dos mercados internacionais por produtos agrícolas sustentáveis está impulsionando novas modalidades de financiamento no agronegócio brasileiro.

A CJ Selecta, controlada pelo grupo sul-coreano CJ CheilJedang desde 2017, obteve uma linha de crédito verde de US$ 30 milhões, equivalente a aproximadamente R$ 155 milhões, junto ao Bradesco. Os recursos serão destinados à aquisição de soja certificada, com critérios rigorosos de rastreabilidade e responsabilidade socioambiental.

Certificação em Mato Grosso do Sul

Em Mato Grosso do Sul, desde 2025, a Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS) e o Governo do Estado mantém termo de colaboração para a certificação Round Table on Responsible Soy (RTRS) na produção de soja e milho.

O projeto, com investimento de R$ 7,6 milhões via Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), será executado até setembro de 2027.

A certificação, com validade de cinco anos, é baseada nos pilares: cumprimento legal e boas práticas empresariais; condições de trabalho responsáveis; relações comunitárias responsáveis; responsabilidade ambiental; e boas práticas agrícolas, com indicadores específicos para cada cadeia de produção.

Para Mato Grosso do Sul, a consolidação desse modelo de financiamento reforça a importância de investimentos em tecnologia, rastreabilidade e adequação ambiental.

Em um mercado internacional cada vez mais seletivo, a capacidade de comprovar a origem e a sustentabilidade da produção tende a se tornar um fator decisivo para manter e ampliar a competitividade da soja sul-mato-grossense.

O avanço dos financiamentos vinculados à sustentabilidade representa uma oportunidade para os produtores sul-mato-grossenses ampliarem sua competitividade, especialmente em mercados que exigem comprovação da origem dos grãos e cumprimento de normas ambientais.

Rastreabilidade passa a ser diferencial competitivo

Estruturado na modalidade de Pré-Pagamento à Exportação (PPE) Verde, o financiamento estabelece que os recursos sejam utilizados exclusivamente na aquisição de matéria-prima que atenda a padrões socioambientais verificáveis.

Na prática, a CJ Selecta deverá comprovar a procedência da soja adquirida e demonstrar que seus fornecedores cumprem requisitos reconhecidos de sustentabilidade.

A companhia informou que, em 2025, conseguiu rastrear 99,63% de toda a soja comprada até o nível da propriedade rural, utilizando informações do Cadastro Ambiental Rural (CAR).

No mesmo período, a totalidade da soja não geneticamente modificada adquirida recebeu certificação ProTerra, voltada à sustentabilidade agrícola e à responsabilidade socioambiental.

Para o CEO da CJ Selecta, Alessandro Reis, a rastreabilidade deixou de ser apenas uma exigência ambiental e passou a representar um componente estratégico para a competitividade do setor.

“A rastreabilidade da soja é um fator estratégico para a competitividade da cadeia e para o acesso a mercados cada vez mais exigentes em relação à origem da matéria-prima e às práticas socioambientais adotadas em sua produção”, afirmou.

O executivo explicou que o sistema de monitoramento reúne análises geográficas das propriedades, avaliações socioambientais dos fornecedores e certificações independentes, permitindo maior segurança na identificação da origem dos produtos.

Mato Grosso do Sul pode ampliar presença em mercados exigentes

A expansão das operações financeiras sustentáveis ocorre em um momento de fortalecimento da produção agrícola sul-mato-grossense. Além do crescimento da produtividade, o Estado vem ampliando sua participação no fornecimento de matérias-primas destinadas à indústria de alimentos, nutrição animal e biocombustíveis.

Nesse contexto, a certificação da soja pode representar uma vantagem competitiva para produtores e empresas que buscam acessar mercados internacionais com exigências ambientais mais rigorosas.

Embora o financiamento anunciado pela CJ Selecta não estabeleça uma destinação específica para a compra de soja produzida em Mato Grosso do Sul, a dimensão da produção estadual coloca o Estado entre os potenciais fornecedores de cadeias comerciais que adotam critérios semelhantes.

O movimento também sinaliza uma mudança importante no mercado de commodities: além de preço, qualidade e capacidade de entrega, a comprovação da sustentabilidade passa a influenciar as condições de financiamento e as oportunidades comerciais.

Crédito verde estabelece regras para utilização dos recursos

A operação com o Bradesco foi estruturada a partir do Framework de Finanças Verdes, documento elaborado pela CJ Selecta que define os critérios de elegibilidade, acompanhamento e prestação de contas relacionados aos recursos captados.

Entre as atividades contempladas estão agricultura regenerativa, adaptação às mudanças climáticas, geração de energia renovável, gestão sustentável da água, prevenção da poluição e economia circular.

O documento recebeu avaliação independente da S&P Global Ratings, responsável por verificar seu alinhamento aos princípios internacionais de financiamento sustentável estabelecidos pela International Capital Market Association (ICMA).

A CJ Selecta utiliza a soja como principal matéria-prima na fabricação de ingredientes destinados à nutrição animal, alimentação, biocombustíveis e fertilizantes. A empresa também atua na produção de concentrado proteico de soja, óleo, lecitina, etanol e outros coprodutos industriais.

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