A carne bovina foi um dos grandes destaques das exportações do agronegócio de Mato Grosso do Sul no primeiro semestre de 2026, refletindo uma tendência crescente e um papel significativo na economia local. Esta proteína não apenas sustenta a renda de muitos agricultores, mas também posiciona o estado como um dos principais exportadores do Brasil.
Com isso, a carne bovina ampliou sua participação nas exportações e já representa 20,6% do valor vendido pelo setor ao exterior, aproximando-se dos 25,3% registrados pela celulose.
As vendas da proteína ao mercado internacional movimentaram US$ 1,17 bilhão, um impressionante crescimento de 47,9% em relação aos US$ 791,8 milhões registrados no mesmo período de 2025. Em quantidade, foram 198,1 mil toneladas embarcadas, o que representa 23,4% a mais que no primeiro semestre do ano passado, destacando a competitividade do produto brasileiro em um mercado cada vez mais exigente.
Este desempenho ganha relevância quando comparado aos demais produtos em evidência nas exportações do Estado. Essa valorização se deve a fatores como a qualidade da carne e as práticas de manejo sustentável adotadas pelos pecuaristas da região.
Exportações de Soja
A soja, líder da pauta, cresceu 30,5% em receita, enquanto a celulose, segunda colocada, recuou 16,6%. Com isso, a carne bovina ampliou sua participação nas exportações e já representa 20,6% do valor vendido pelo setor ao exterior, aproximando-se dos 25,3% registrados pela celulose. Esse cenário mostra um mercado em transformação, onde a carne bovina ganha cada vez mais espaço nas exportações do estado, impulsionada por uma demanda crescente e a qualidade superior dos produtos.
Em um panorama mais amplo, as exportações do agronegócio de Mato Grosso do Sul somaram US$ 5,68 bilhões no primeiro semestre de 2026, uma alta de 12,4% em relação ao mesmo período de 2025.
As vendas do setor responderam por 96,1% das exportações totais do Estado no período, demonstrando a importância crucial desse segmento para a economia estadual, além de destacar a resiliência do agronegócio na atual conjuntura econômica.
Segundo a consultora de Economia do Sistema Famasul, Eliamar Oliveira, o avanço das exportações está relacionado principalmente ao fortalecimento da demanda internacional e à competitividade do produto brasileiro, que se destaca em mercados onde a qualidade e a segurança alimentar são primordiais.
A imagem da carne bovina de Mato Grosso do Sul como um produto premium é um diferencial que tem sido cada vez mais valorizado pelos consumidores globais.
– “Mesmo com a redução no número de animais abatidos, as exportações cresceram em receita, mostrando que o desempenho não esteve condicionado apenas ao aumento da oferta. A China, principal destino da carne bovina de MS, ampliou em 109% o valor das compras no período, enquanto os Estados Unidos aumentaram em 41,7%”, explica.
A valorização do produto também contribuiu para o resultado. O preço médio por tonelada exportada por Mato Grosso do Sul avançou 19,7% no primeiro semestre, enquanto o preço da celulose recuou cerca de 7,8% no período.
De acordo com a consultora, a aproximação entre os dois produtos não significa necessariamente uma substituição da celulose pela proteína na pauta estadual, mas uma mudança na participação relativa das cadeias.
Isso reforça a ideia de que o agronegócio de Mato Grosso do Sul é diversificado e resiliente, capaz de se adaptar às mudanças nas demandas do mercado internacional.
– “A carne bovina ganhou espaço em função de condições favoráveis de mercado, enquanto a celulose enfrentou um cenário de preços internacionais menos favoráveis”, informa. Essa dinâmica reforça a importância de análises contínuas sobre o mercado para garantir que os produtores estejam sempre alinhados com as expectativas e demandas dos consumidores globais.
Pecuária também gera empregos
A pecuária também aparece entre os segmentos que contribuíram para a geração de empregos no Estado. No primeiro semestre de 2026, a criação de bovinos registrou saldo positivo de 455 vagas formais em MS. Isso demonstra que o setor não apenas contribui com a economia, mas também com a geração de empregos, trazendo desenvolvimento e oportunidades para a população local.
Considerando o segmento da pecuária, o saldo chegou a 611 novos postos de trabalho no período. Já no mercado externo, os dados mais recentes apontam para um ritmo diferente do observado no primeiro semestre, evidenciando as flutuações que o mercado externo pode provocar sobre a economia local e as estratégias de negócios adotadas pelos produtores.
Em julho, a receita de Mato Grosso do Sul com as vendas de carne bovina para a China recuou 46% em relação a junho, enquanto a receita total das exportações estaduais da proteína caiu 17%.
Para os próximos meses, o setor também terá pela frente mudanças nas condições de acesso a mercados importantes, como a cota chinesa para importações com tarifa reduzida e as novas exigências da União Europeia relacionadas à comprovação do uso de antimicrobianos na produção animal.
A capacidade de adaptação a essas exigências será fundamental para a manutenção e crescimento das exportações de carne bovina.
– “Nesse cenário, a continuidade do desempenho dependerá da capacidade de diversificar mercados, preservar a competitividade da carne brasileira e manter a demanda internacional. O câmbio, os preços internacionais e as condições de acesso aos principais mercados também serão determinantes para a formação da receita do setor no segundo semestre”, ressalta a consultora de Economia.


