O número de empresas inadimplentes no Brasil bateu recorde da série histórica da Serasa Experian em junho de 2026. A inadimplência das empresas é uma preocupação crescente.
Mais de 9,1 milhões de CNPJs registravam dívidas acumuladas de R$ 232,9 bilhões naquele mês.
O número é 16,67% maior do que o registrado no mesmo mês de 2025 e recorde na série iniciada em 2016.
Esse cenário reflete um aumento significativo na inadimplência entre as empresas brasileiras.
A Inadimplência em Mato Grosso do Sul
Em Mato Grosso do Sul inadimplência empresarial também pressiona o ambiente de negócios. Em junho, 135.731 empresas estavam com o CNPJ negativado no Estado, somando 1.110.393 dívidas em aberto e um passivo de R$ 3,97 bilhões, segundo o Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian.
Com esse resultado, Mato Grosso do Sul aparece na quarta posição entre os estados do Centro-Oeste em número de empresas inadimplentes. O Estado fica atrás de Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso.
Ao todo, a região registrou 796.042 empresas com dívidas negativadas no período. O cenário evidencia a pressão sobre o caixa das empresas e ocorre em um momento de maior restrição no acesso ao crédito, dificultando a recuperação financeira dos negócios.
Os dados da Serasa Experian mostram ainda a dimensão do endividamento empresarial em Mato Grosso do Sul, com mais de 1,1 milhão de dívidas registradas entre as empresas que estavam inadimplentes em junho.
Alta da Taxa de Juros
Segundo a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, a crescente inadimplência pode estar relacionada às condições financeiras restritivas, pressionadas pela alta taxa de juros, que hoje está em 14%.
O fator ainda é limitante para a melhora consistente do mercado de crédito.
“Ao mesmo tempo, a atividade econômica começa a apresentar uma desaceleração mais evidente, reduzindo o ritmo de geração de receita das empresas justamente em um momento em que muitas ainda enfrentam dificuldades para reorganizar seus passivos e recompor o fluxo de caixa”, afirma.
No começo de agosto, o Banco Central voltou a cortar a taxa básica de juros do país. Contudo, a Selic segue em patamar elevado, encarecendo o crédito no país.
O atual ciclo de arrefecimento foi deflagrado em março deste ano, quando a Selic passou de 15% – patamar mantido desde junho de 2025 – para 14,75%.
Em meio a este cenário, no ano passado, houve recorde de registros de pedidos de recuperação judicial no país.
A pressão também recai sobre a maneira como os bancos lidam com o cenário.
Com o crédito mais caro, cresce o número de atrasos e calotes, obrigando os bancos a reforçarem as provisões para perdas com devedores duvidosos. Isso reduz a rentabilidade das instituições.
De acordo com Marilia Fontes, apresentadora do Resenha do Dinheiro, o mercado tem sido cada vez mais seletivo na análise dos resultados do setor bancário.
“Os investidores e o mercado estão diferenciando os bancos que conseguem entregar bons resultados mesmo em um cenário de juros altos daqueles que enfrentam mais dificuldades para administrar esse aumento da inadimplência”, observa Marilia.
Segundo ela, a leitura dos investidores vai além dos números de um único trimestre e considera a capacidade de cada instituição de atravessar um período prolongado de crédito restritivo.


