A internacionalização de negócios inovadores exige planejamento, conhecimento de mercado e capacidade de adaptação.
Com a consolidação da Rota Bioceânica, que amplia as possibilidades de conexão comercial de Mato Grosso do Sul com outros países, startups do Estado também podem identificar novas oportunidades de atuação no exterior.
Para discutir esse cenário e apresentar caminhos para empresas interessadas em alcançar mercados globais, o Sebrae/MS promoveu, nessa terça-feira (3), a palestra “Internacionalização, Rota Bioceânica e Escala”, no Living Lab – Laboratório de Inovação e Prototipagem da instituição, localizado em Campo Grande.
O encontro reuniu empreendedores e integrantes do ecossistema de inovação para discutir estratégias de internacionalização, estruturação de negócios e preparação de soluções para atuação em outros mercados.
Segundo o analista-técnico do Sebrae/MS Caio Areco Roa, a iniciativa marcou o encerramento do Ciclo de Talks 2026, série de capacitações realizadas ao longo do ano, com foco na disseminação de conhecimento e no estímulo à troca de experiências entre empresários.
“Esse é o encerramento de um ciclo de seis encontros com a comunidade de startups e negócios inovadores de Mato Grosso do Sul. Ao longo dessa programação, abordamos diferentes aspectos do desenvolvimento das empresas e, agora, trouxemos o tema da expansão dos negócios. Queremos ajudar os empreendedores a entenderem quais são os primeiros passos para olhar para outro país, identificar novos mercados e aproveitar oportunidades”, esclareceu Caio.
Internacionalização começa na concepção do negócio
Consultor do Sebrae, Fernando Rolim foi o especialista que apresentou a temática aos empresários. Segundo ele, a internacionalização deve ser considerada desde a concepção de um negócio, e não apenas quando a empresa decide expandir suas operações.
A partir de experiências de 35 missões técnicas internacionais realizadas no setor automotivo, que resultaram em negócios implementados no Brasil, o consultor abordou como o conhecimento adquirido em outros países pode ser adaptado à realidade empresarial e transformado em oportunidades concretas.
Entre os pontos discutidos estiveram a identificação de problemas e demandas em mercados internacionais, além da parte de documentação e a análise de padrões e processos.
O especialista também ressaltou a importância de observar experiências internacionais, avaliar quais conhecimentos podem ser aplicados à realidade local e estabelecer estratégias para transformar referências externas em resultados para os negócios.
“A internacionalização precisa estar na concepção do negócio, e não ser vista apenas como uma etapa posterior de expansão. Isso significa buscar referências, entender quem faz melhor aquilo que você pretende fazer e o que é possível aprender com essas experiências. Quando você conhece mercados maiores ou mais desenvolvidos, consegue avaliar se a sua solução tem relevância e potencial naquele contexto. Para novos negócios, isso é ainda mais importante, porque a empresa ainda está estruturando sua atuação e pode incorporar esses aprendizados desde o início”, explicou Rolim.
Fernando Rolim, consultor do SebraeEmpreendedores compartilham experiências
Além da apresentação, o encontro abriu espaço para que os empresários pudessem esclarecer dúvidas e compartilhar conhecimentos. Dentre os participantes, Mário Magela, empresário da Dedicata, empresa que atua na implantação de sistemas de gestão empresarial (ERPs), enfatizou a importância da palestra para ampliar os conhecimentos sobre o mercado internacional.
“Temos uma tecnologia belga e, pela própria característica do negócio, já existe essa abertura para olhar para outros mercados. Pensamos em países da América Latina, principalmente Paraguai e Peru. A palestra contribuiu para ampliar essa visão e trouxe informações importantes sobre como pensar a internacionalização. Mas também acredito que o grande valor desses encontros está na possibilidade de ouvir as pessoas ao vivo, trocar experiências e criar relacionamentos”, afirmou Mário.
Já o médico-veterinário Diego Abes Xavier, que atua com soluções tecnológicas para o agronegócio, acompanhou a palestra ao lado de representantes da SBR Prime. Para ele, um dos principais aprendizados foi a necessidade de estruturar melhor o próprio negócio e sistematizar a busca por referências antes de investir em novos caminhos.
“O ponto mais importante foi entender que precisamos fazer o dever de casa primeiro: saber o que estamos entregando, como estamos entregando e onde buscar ideias para desenvolver soluções. Às vezes, temos um problema, mas não sabemos onde encontrar as referências para resolvê-lo. A palestra mostrou a importância de sistematizar essa busca por informações, estudar e ter calma na hora de tomar decisões. Também trouxe uma reflexão sobre os riscos: é melhor testar, errar e perder uma parte pequena do que comprometer todo o negócio. Foi um aprendizado muito importante para nós”, avaliou.
Para Rômulo Barreto, da Beeteller, fintech de Campo Grande que atua como instituição de pagamento, a discussão sobre a Rota Bioceânica também abre perspectivas para empresas de diferentes segmentos, especialmente diante das demandas de serviços e infraestrutura que devem surgir com o aumento do fluxo de mercadorias e pessoas.
“É uma oportunidade de conhecer novas tendências, entender os avanços dos projetos públicos e identificar possibilidades de negócios. Para uma fintech como a nossa, por exemplo, existem oportunidades relacionadas aos pagamentos que serão necessários ao longo da rota. Os caminhões vão precisar abastecer, os motoristas precisarão se alimentar e encontrar locais para descansar. Existe toda uma infraestrutura que deverá ser desenvolvida para atender esse fluxo e participar de encontros como esse ajuda a compreender melhor esse cenário e a identificar oportunidades”, concluiu.
Living Lab do Sebrae/MS
O Living Lab, Laboratório de Inovação e Prototipagem do Sebrae/MS, é um ambiente que conecta empreendedores, especialistas e instituições parceiras, contribuindo para o desenvolvimento de soluções e negócios inovadores.
Mato Grosso do Sul já conta com cerca de 700 startups mapeadas na plataforma Sebrae Startups, incluindo negócios acompanhados pelo laboratório.
Por meio de capacitações, encontros e atividades de conexão, o espaço busca fortalecer o ecossistema de inovação e ampliar o acesso dos empreendedores a conhecimentos que contribuam para o desenvolvimento e a competitividade dos negócios.
Mais informações sobre as ações do Sebrae/MS podem ser obtidas pela Central de Relacionamento, no número 0800 570 0800, ou pelo site ms.sebrae.com.br.


