A utilização de etanol no Brasil é uma estratégia importante para a sustentabilidade e a preservação do meio ambiente.
A mudança reduz a necessidade de importação de gasolina pelo Brasil em cerca de 900 milhões de litros por ano.
Norma
Publicada em edição extra do Diário Oficial da União na última quinta-feira (30.07), a norma estabelece que a nova mistura terá validade inicial de 180 dias, com possibilidade de uma única prorrogação por mais 180 dias, mediante decisão do presidente do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), atualmente o ministro de Minas e Energia.
A resolução também determina que a tolerância prevista para a composição da gasolina tem finalidade exclusivamente metrológica e operacional. Na prática, isso significa que a margem não poderá ser usada para elevar deliberadamente o percentual de etanol acima dos 32% autorizados.
O esclarecimento atende a uma das principais críticas levantadas após a aprovação do E32, de que a tolerância poderia permitir uma gasolina com 33% ou até 34% de etanol. na última semana o Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação civil pública na Justiça Federal para suspender a adoção da mistura obrigatória de 32% de etanol anidro na gasolina, conhecida como E32.
Segundo Mário Campos Filho, presidente da Bioenergia Brasil, os 32% foram efetivamente testados e a resolução publicada na última quinta-feira esclarece pontos questionados na ação do MPF. “A resolução deixa claro que a tolerância existe apenas para compensar variações naturais dos processos de medição e fiscalização, e não como uma autorização para aumentar a mistura”, esclarece.
Mudança é uma evolução gradual
A adoção do E32 ocorre após mais de três décadas de uso de etanol misturado à gasolina no Brasil. A trajetória começou com o E22, em 1993, passou pelo E25 e chegou ao E27 em 2015, percentual mantido por mais de dez anos.
Para especialistas do setor, a mudança de E30 para E32 não representa uma evolução segura na política construída gradualmente. O consultor automotivo Ricardo Abreu destaca que a frota brasileira já convive há anos com teores elevados de etanol e que cada aumento da mistura foi precedido por avaliações técnicas.
Além disso, a crescente demanda por etanol demonstra a confiança do mercado na capacidade das usinas de atender a essa nova exigência. O etanol está se tornando cada vez mais essencial para a energia limpa no Brasil.


