Dados divulgados pelo Ministério da Agricultura mostram que foram processadas 31,15 milhões de toneladas, volume 28,4% inferior ao registrado no mesmo período da temporada anterior.
O resultado surpreendeu o mercado e ficou abaixo das expectativas dos analistas, reforçando um cenário de menor oferta de matéria-prima para as usinas no início da safra.
Chuvas podem ter afetado a colheita e o ritmo das usinas
Embora o Ministério da Agricultura não tenha detalhado oficialmente os fatores que provocaram a redução da moagem, o Centro-Sul vem enfrentando chuvas atípicas durante o período de colheita, condição que pode ter dificultado tanto as operações no campo quanto o processamento industrial.
As precipitações prolongadas costumam reduzir o ritmo da colheita mecanizada, elevar custos operacionais e comprometer a eficiência das unidades industriais.
Produção de etanol também recua
A fabricação de etanol também apresentou desempenho inferior ao observado no mesmo período do ciclo anterior.
Os dados do Ministério da Agricultura indicam produção de 1,7 bilhão de litros, volume 13,1% menor na comparação anual.
A retração também ficou acima das estimativas da S&P Global, que previa uma redução mais moderada, de aproximadamente 2,8%.
Mercado acompanha impacto sobre oferta de açúcar e biocombustíveis
Os números reforçam a preocupação do setor sucroenergético com o ritmo da safra 2026/27 no Centro-Sul, principal região produtora de cana-de-açúcar do país.
Caso as condições climáticas continuem interferindo nas operações agrícolas e industriais, o mercado poderá acompanhar revisões nas estimativas de produção de açúcar e etanol ao longo da safra, fator que tende a influenciar a oferta dos produtos, os preços internacionais do açúcar e a dinâmica do mercado brasileiro de biocombustíveis.
A evolução das próximas quinzenas será determinante para avaliar se a retração observada representa um atraso temporário provocado pelas condições climáticas ou uma redução mais consistente na produção da atual temporada.


